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Revista Novos Olhares: a internet acabou com a leitura entre os jovens?

Artigo discute como os meios digitais revolucionaram a relação entre os adolescentes e os livros

O senso comum diz que a internet acabou com a leitura entre os adolescentes. O artigo “Adolescentes e o livro: internet como mediadora de novas práticas de leitura” diz o contrário. Escrito pelas pesquisadoras Marina Machiavelli e Liliane Dutra Brignol, o trabalho faz parte da mais recente edição da revista Novos Olhares.

Segundo o artigo, a internet potencializou novas formas de se conectar com o ambiente da leitura. É através dela que os jovens acompanham seus autores favoritos, veem indicações feitas por youtubers – os especializados em livros são chamados booktubers – , compartilham suas leituras e se conectam com outros leitores.

No ambiente digital, nem sempre são os PDFs e eReaders que se sobressaem. Na pesquisa feita por Machiavelli e Brignol, os adolescentes afirmaram preferir o livro impresso à leitura no celular, por exemplo. O celular, na verdade, é mais “o responsável por permitir o compartilhamento de experiências de leitura com os amigos”.

Isso não descarta a leitura em dispositivos como o Kindle ou o Lev, no entanto. Segundo as autoras, “o adolescente pode ser leitor de dispositivos digitais ao mesmo tempo em  que  lê  o  livro  impresso.  Ele  vai  de  um  ao  outro  descobrindo  espaços  de encontros e interesses.”

O objetivo do artigo era analisar o impacto dos suportes digitais e também como a internet transformou as práticas de leitura. Para isso, as autoras fizeram uma pesquisa com alguns adolescentes leitores na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A partir de discussões com seis jovens na faixa etária de 14 a 16 anos, um grupo relativamente homogêneo, foi possível entender mais sobre como esse grupo se relaciona com os livros em um contexto de tanta presença da internet.

A prática de leitura não se resume a simplesmente ler o livro e guardá-lo na estante depois. Na verdade, o que foi percebido é que cada vez mais os leitores se transformam em seguidores, em fãs. Acompanham lançamentos, seguem os autores nas redes sociais, fazem grupos para discussões de livros, criam narrativas alternativas – as chamadas fanfics. No artigo, Machiavelli e Brignol dizem que os jovens “querem se sentir parte, ter a oportunidade de se aproximar não só da obra, mas daquilo que o autor representa.”

De fato, a internet revolucionou a leitura. Mas não necessariamente de forma negativa. O que a pesquisa mostra é que “o adolescente lê, lê do seu jeito, lê aquilo que o faz sentir, faz se emocionar, faz querer compartilhar, faz questionar e faz refletir sobre sua realidade, mas, acima de tudo, o faz constituir-se enquanto leitor.”

Revista Novos Olhares, v.8 n.2 (dez/2019)

Novos Olhares é a revista de Estudos Sobre Práticas de Recepção a Produtos Midiáticos, do  Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos  Audiovisuais (PPGMPA). A publicação semestral, em seu oitavo volume, discute temas variados, envolvendo jornalismo, comunicação organizacional, cinema, literatura e muitos outros.

A revista está disponível para download gratuito no Portal de Revistas da USP.

por Maria Eduarda Nogueira Oliveira

Fonte: ECA/USP

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