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O impacto de Carolina Maria de Jesus na literatura

Conheça a trajetória da autora e de sua obra a partir da visão de sua filha Vera Eunice de Jesus e de especialistas

Texto por André Bernardo

Crédito: Wikimedia Commons

Livros que marcam a história. Essa poderia ser uma frase que define bem a obra Quarto de Despejo: O Diário de Uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus (1914-1977). A autora mineira retrata a sua vida na favela do Canindé, em São Paulo, na época que era catadora de materiais recicláveis. Ela propôs outro tipo de escritor para além do homem branco rico, mas uma mulher negra periférica. “Apresentou a mulher negra em toda a sua complexidade: educa seus filhos, luta por seus direitos, entende a Educação como uma possibilidade de transformação social, etc. Hoje, se temos uma legião de Carolinas nas periferias brasileiras, temos de agradecer a ela”, afirma Amanda Crispim, doutoranda em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O impacto da autora não foi apenas na literatura, mas sua filha Vera Eunice de Jesus, de 67 anos, contou a NOVA ESCOLA a influência que sua mãe teve para a escolha de se tornar professora. A primeira aluna que Vera teve na vida foi a escritora mineira. Na ocasião, Vera tinha apenas 10 anos e cursava o 5º ano da EE Prisciliana Duarte de Almeida, no bairro de Parelheiros, em São Paulo. Todos os dias, ela chegava da escola e “dava aula” de Língua Portuguesa para a mãe. Com o tempo, desenvolveu até uma metodologia de trabalho: ensinava regras de ortografia e gramática a partir dos manuscritos da mãe. “Matemática nunca foi meu forte. Mas, em Português, sempre tirei nota alta”, recorda Vera Eunice, com uma gostosa gargalhada. “Eu tinha uma professora, a dona Idalina, que escolhia as melhores redações da turma e mandava publicar no ‘Clube da Folhinha’. Todo mês, saía redação minha no jornal Folha de S. Paulo”, conta.

Carolina de Jesus não foi apenas a primeira aluna de Vera Eunice. Foi também sua primeira professora. Apesar de só ter estudado até o 2º ano do Ensino Fundamental no Colégio Allan Kardec, em Sacramento (MG), foi Carolina de Jesus quem ensinou a Vera Eunice e seus irmãos, João José e José Carlos, a soletrar as primeiras palavras. Na época, trabalhava como lavadeira na casa de uma fazendeira da região, Maria Leite Monteiro de Barros, que se ofereceu para pagar os estudos da menina. “Minha mãe sempre valorizou a Educação. Não deixava a gente faltar à aula. Nem deixava de comparecer à reunião dos pais. Pegava no nosso pé para a gente estudar. Quando chovia e o Tietê inundava, levava a gente a nado, nas costas”, afirma Vera Eunice.

Leia a matéria completa publicada pelo site Novaescola

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