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O futuro passa pela leitura

Garoto de 9 anos lê 29 livros em 4 meses em projeto de escola pública e torna-se inspiração para o ano que chega hoje

Texto por Marcele Tonelli

Hábito da leitura transformou Luan Felipe Santana em motivo de orgulho na família e na escola

Uma das principais chaves para o conhecimento, a leitura é capaz transformar o mundo em um lugar melhor no futuro. A frase não é de um especialista em educação, mas de um garoto de apenas 9 anos que se tornou inspiração para os colegas em uma escola estadual de Bauru. Luan Felipe Santana leu 29 livros em 4 meses em um projeto idealizado por uma professora na escola Mercedes Paz Bueno e que tinha como principal objetivo estimular a leitura e ajudar a controlar a indisciplina em sala.

Com tão pouca idade, ele já aprendeu que ao interpretar histórias e textos é possível não apenas evoluir em habilidades capazes de garantir um futuro mais confortável e feliz para ele e para a família. O hábito também dá largada às transformações necessárias ao País, que permitem reduzir desigualdades sociais e garantir oportunidades iguais para todos em uma sociedade com tolerância e respeito às diferenças: cenário almejado não só para 2020 como para os anos posteriores.

“Ler mudou a minha forma de enxergar as coisas e me ensinou mais sobre as pessoas, os animais, as plantas e os escritores. Os seres humanos deveriam ler mais para pararem de maltratar os outros e a si”, diz Luan, que é aluno do 3.º ano da escola. “Dá uma certa tranquilidade ler, porque sabemos o que pode acontecer no futuro”, completa o garoto.

Filho de uma dona de casa e de um autônomo, Luan se tornou motivo de orgulho e inspiração também para a família. Na casa dele, ninguém tem ensino superior.

“Paramos no ensino médio, mas nosso sonho é que ele e o irmão cheguem lá. E sabemos da importância da leitura para que isso aconteça”, comenta Graziela Santana, 39 anos, mãe do estudante. “Fico feliz não só por ele ter lido tantos livros, mas por ter incentivado outros alunos, que adquiriram o hábito de ler. A gente, que é pai e mãe, muitas vezes não tem tempo de parar para ler com eles, mas sei como isso transforma”, acrescenta Graziela, contando que a ânsia por livros aumentou tanto que ela precisará adaptar o apartamento da família para receber mais obras.

“Se for preciso guardaremos livros até na cozinha, o importante é eles não pararem mais”.

HOMENAGEM

No início de dezembro, uma livraria de Bauru (Empório Cultural) homenageou Luan pelo desempenho no projeto “Estrelinha do Saber”, criado pela professora Luciana Vasconcelos, em 2019.

“Há quatro anos trabalho assim com alunos dos segundos ou terceiros anos. Eles ganham estrelinha por cada obra lida, mas o máximo observado era de 18 livros. O Luan foi além e acabou estimulando os outros. O segundo lugar leu 22. E até alunos que não liam nada leram cinco ou seis livros”, ressalta a professora.

Entre outros aspectos observados figuram melhorias na disciplina, na oratória, na autoestima e empatia entre alunos. “Eles querem contar e serem ouvidos sobre o que leram”, reforça a professora, comentando sobre o esforço em variar o acervo.

REPLICAR

O resultado foi tão positivo em 2019 que a direção quer ampliar a ação. “Vamos propor no plano de gestão da escola em 2020 para todos os professores: os que quiserem replicarão a partir do 2.º ano”, finaliza a coordenadora da Mercedes, Anacelis Espinosa.

1/7 | Morador do Vista Alegre, Luan Santana se tornou motivo de orgulho e inspiração na família e na escola / Crédito: Aceituno Jr
2/7 | Morador do Vista Alegre, Luan Santana se tornou motivo de orgulho e inspiração na família e na escola / Crédito: Aceituno Jr
3/7 | Professora e garoto prodígio: Luan Felipe Santana Candido, Luciana Vasconcelos, idealizadora do projeto de leitura / Crédito: Aceituno Jr
4/7 | Lucas Henrique com o irmão Luan Felipe, a mãe Gaziela Santana e a professora do caçula Luciana Vasconcelos / Crédito: Aceituno Jr
5/7 | Kátia dos Santos, gerente da livraria; Marisa Alves, professora; Maria Cristina Ginde, diretora da escola; Magali Comar, professora; Graziela Santana, mãe de Lucas e Luan; Luciana Vasconcelos, professora e idealizadora do projeto e Anacelis Espinosa, coordenadora pedagógica da Mercedes Paz Bueno / Crédito: Aceituno Jr
6/7 | Luciana Vasconcelos, professora e idealizadora do projeto, e Anacelis Espinosa, coordenadora pedagógica da Mercedes / Crédito: Marcele Tonelli
7/7 | Hábito da leitura transformou Luan Felipe Santana em motivo de orgulho na família e na escola / Crédito: Fotos: Aceituno Jr

Estimular

A experiência de Luan e da escola Mercedes mostra a importância de se insistir na busca por melhores resultados na Educação, mesmo quando a estrutura não ajuda muito. Assim como outras escolas públicas, a Mercedes se esforça para manter variado seu acervo.

Estimular a leitura é abrir espaço para o raciocínio e o questionamento das diferentes faces sobre um mesmo assunto, também leva ao conhecimento e proporciona o olhar crítico e atento, principalmente em era de fake news. Ler é também uma forma de desenvolver a imaginação e a criatividade, é formar uma geração de pequenos Luans para que se acredite, de fato, em um futuro melhor.

Fonte: JCNET

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