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Andrew Oliveira: "Eu não saí ileso de nenhum tipo de violência verbal ou física. E, atrelada à violência estrutural externa, desde cedo somos ensinados a nos odiar, então criamos a violência interna, feito uma simbiose. Homem gay já é um indivíduo que tem muito ódio de si mesmo acumulado. Homem gay negro e/ou indígena tem isso em dobro; e o afeminado em triplo" (Foto: Divulgação)

Literatura LGBTQIA+: “Sendo um autor Queer, do Norte, este é um espaço que preciso reivindicar”, diz Andrew Oliveira

Em entrevista a GQ Brasil, o escritor de “Vazio da Forma”, livro recém lançado que aborda questões como depressão, paternidade e aceitação, afirma: “Precisamos de narrativas que saiam da caixinha que nos colocaram onde só podemos falar de nossas sexualidades ou identidades de gênero. Não somos apenas essa única história: o sofrimento referente a isso”

Texto por Ademir Correa

Andrew Oliveira: “Eu não saí ileso de nenhum tipo de violência verbal ou física. E, atrelada à violência estrutural externa, desde cedo somos ensinados a nos odiar, então criamos a violência interna, feito uma simbiose. Homem gay já é um indivíduo que tem muito ódio de si mesmo acumulado. Homem gay negro e/ou indígena tem isso em dobro; e o afeminado em triplo” (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: Como vê a importância da representação LGBTQIA+ na literatura?

Andrew Oliveira: Acredito que precisamos urgentemente – para ontem – de mais e mais narrativas que saiam do velho parâmetro cis-heteronormativo que, sabemos, nos inunda e nos sufoca em suas mídias, não dando qualquer espaço para mostrar a diversidade de gênero, sexualidade e cor que no mundo existe. Para você ver, apenas um pouco do que nós, autores LGBTQIA+ (sobretudo nós, os de cor), conseguimos mostrar, já causa um alvoroço, um pandemônio de exaltações. É para isso que estamos aqui. E mais ainda, precisamos de narrativas LGBTQs que saiam, também, da caixinha que nos colocaram onde só podemos falar de nossas sexualidades ou identidades de gênero. Não somos apenas essa única história: o sofrimento referente a isso. É claro, a minha sexualidade ditou absolutamente tudo que permeia a minha vida, e em muitas ocasiões na infância e adolescência o preconceito retirou o meu senso de valor próprio, mas sempre tentei demonstrar que sou outras personas além de “por quem eu me atraio” ou “o sofrimento que passei por conta de minha orientação sexual”. Tudo o que escrevo tenta fugir disso, mas sem me esquecer das agruras da realidade. Ela está sempre lá. Sendo um autor Queer, do Norte do país, mestiço de pai indígena e mãe negra – ou afro-indígena, se assim preferir –, sinto que tenho uma responsabilidade imensa a cumprir, um espaço que preciso reivindicar para mostrar o meu trabalho.

Acesse a entrevista completa em Revista GQ.

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