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Pesquisa da everis identifica hábitos de acessibilidade e navegação na internet de pessoas com necessidades especiais

Pesquisa da everis identifica hábitos de acessibilidade e navegação na internet de pessoas com necessidades especiais

  • Estudo focou no uso de leitores de tela, que facilitam navegação e uso de pessoas com deficiências visuais, mas beneficiam também idosos e aqueles com deficiências diversas.
  • Resultados reforçam potencial de consumo deste grupo, que representa 23,9% da população brasileira e é econômica e digitalmente ativo.

A everis, consultoria de negócios e TI do Grupo NTT Data, acaba de concluir a “2ª pesquisa brasileira sobre o uso de leitores de tela por pessoas com deficiências”, totalmente on-line. Seu objetivo foi conhecer os hábitos dos brasileiros com deficiência física, intelectual, visual e auditiva ao usarem leitores de telas de computadores, tablets e celulares para acesso aos mais diversos softwares e aplicativos mobile. Ou seja, entender como as empresas podem desenvolver soluções mais acessíveis às pessoas com necessidades especiais. Acesse a íntegra: https://estudoinclusivo.com.br/relatorio-2020 .

Trata-se de um tema extremamente relevante considerando-se que no último censo do IBGE se identificou que existem cerca de 23,9% pessoas (45.606.048) que sofrem com alguma deficiência no Brasil, sendo que, deste total, 8,2% têm condições limitantes severas. A deficiência com maior incidência entre os brasileiros é a visual (18,8%), seguida por auditiva (5,1%), motora (7%) e mental ou intelectual (1,4%). Este contingente de brasileiros precisa e deve ter acesso a produtos e serviços acessíveis, tanto públicos como privados, e este direito é garantido pela Lei Brasileira de Inclusão, nº 13.146/2015.

Entre as principais constatações dessa segunda edição da pesquisa da everis está o fato da maioria das pessoas com necessidades especiais entrevistadas (74,5%) considerar a internet acessível, enquanto na primeira eram apenas 65%. Outra constatação importante foi que mais de 68% dos participantes possuem renda própria, ou seja, são consumidores e impactados pela falta de acessibilidade das plataformas digitais. Ao questionar os entrevistados sobre o leitor de tela para desktop de sua preferência, a maioria informou preferir utilizar o NVDA (76,6%), ficando o JAWS em segundo lugar com 10,8%. Entre os navegadores de celulares e tablets, o mais usado é o TalkBack com Chrome, apontado por 45% dos participantes, enquanto 27,9% usam o VoiceOver com Safari.

Leia a matéria completa publicada pelo SEGS

Internet das Coisas na medicina já atua no combate à covid-19 no Brasil

Parceria entre Hospital das Clínicas de SP e Carenet otimiza trabalho de profissionais da saúde com dados em tempo real e análise preditiva

Texto por Carla Matsu

Foto: Adobe Stock

A Internet das Coisas tem sido apontada como a grande protagonista que habilitará a Quarta Revolução Industrial mundo afora. Dispositivos no chão de fábrica alimentados com sensores e combinados à tecnologias como Inteligência Artificial já permitem o tipo de conhecimento e previsibilidade que aumentam a eficiência e mitigam erros. Na saúde, a Internet das Coisas Médicas, entretanto, ganha outra dimensão mais sensível: a própria vida humana.

Munidos de conectividade e inteligência, os dispositivos em hospitais à beira dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) conseguem entregar a médicos e enfermeiros dados em tempo real para personalizar tratamentos e apoiar tomadas de decisão. Leve essa habilidade para um dos momentos mais críticos da saúde pública na história – a pandemia do novo coronavírus – e esta equação terá o potencial de melhorar não só o dia a dia nos corredores hospitalares, como aumentar as chances de recuperação de pacientes com covid-19.

Um dos casos de uso da Internet das Coisas Médica que tem se mostrado bem-sucedido no Brasil é uma parceria recente firmada entre a divisão de UTI Respiratória do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), o NETi – Núcleo Especializado em Tecnologia da Informação – HC e a healh tech Carenet. A colaboração, que se iniciou há cerca de dois meses, utiliza da plataforma Orchestra, solução de integração da Carenet, para automatizar certas atividades em UTIs.

Na prática, o software da Carenet consegue integrar sistemas de gestão de prontuários eletrônicos e equipamentos médicos. No caso do Hospital das Clínicas, a Orchestra integra dados do ventilador artificial, o tomógrafo de impedância elétrica (que monitora o pulmão de pacientes) e o monitor multiparamétrico (que colhe dados como atividade respiratória, batimentos cardíacos e saturação de oxigênio). Esses dados, então, são disponibilizados em um dashboard digital de forma automática por dispositivos móveis para as equipes de intensivistas. Este processo, segundo Fernando Paiva, VP de Customer Success & Digital Sales Transformation da Carenet, consegue otimizar aquilo que é burocrático e manual. “Com isso, o profissional consegue fazer um trabalho verdadeiramente assistencial ao paciente”, diz Paiva.

Esta tarefa manual de informar dados em um prontuário consome, segundo a healhtech, cerca de 33% do turno de um enfermeiro. Ao mesmo tempo, ao automatizar essa responsabilidade, consegue-se tirar da equação a possibilidade do erro humano. Essa operação manual, diz Paiva, tem uma margem de 20% a 30% de erro humano.

Acesse a matéria completa publicada pelo Computerworld

Acessibilidade digital, você sabe o que é?

A situação da pandemia fez o mundo se tornar, praticamente, digital. E, por conta disso, diversas pessoas se viram com dificuldades em aderir a essa nova realidade, principalmente pelo fato da grande maioria dos sites não ser acessível a todas as pessoas, seja por conta de deficiências, como as cegas, seja pela falta de familiaridade com a tecnologia, como os idosos.

Consequentemente, a situação trouxe à tona um dos assuntos mais discutidos ultimamente: a acessibilidade digital. “É preciso desmistificar que acessibilidade digital está focada apenas em pessoas com algum tipo de deficiência, na verdade acessibilidade digital é algo que promove o acesso à informação para todas as pessoas, independente de quem sejam ou de suas deficiências ou habilidades. Quando falamos em acesso às informações nos meios digitais, também estamos falando de direito de todos”, alerta Marcelo Sales*, Designer, idealizador do projeto Todos por Acessibilidade e do Guia WCAG (Web Content Accessibility Guideline).

Para exemplificar, o especialista cita a dificuldade dos idosos: “Muito se fala na acessibilidade de pessoas que poderiam necessitar auxílio para concluir tarefas em um ambiente digital, como é o caso dos idosos. Atualmente algumas dessas pessoas podem estar isoladas e sem contato com familiares ou amigos que antes os ajudavam a efetuar uma compra online ou mesmo agendar o pagamento de uma conta em um aplicativo bancário. Será que os sites e aplicativos estão acessíveis a esse público? Caso o desenvolvimento desses conteúdos levasse em consideração as diretrizes de acessibilidade, provavelmente estariam, mesmo que esses grupos de pessoas não tivessem participado de pesquisas de uso dos produtos, no entanto há falhas nessa aplicação ocasionando a dificuldade no acesso”, avalia.

Porém, apesar de parecer algo “óbvio” garantir a acessibilidade da informação a todos, um dos grandes motivos que justificam que a grande maioria dos sites ainda não é acessível é a complexidade da questão: há 78 Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (do inglês Web Content Accessibility Guidelines/WCAG), que são recomendações organizadas e mantidas pelo W3C (World Wide Web Consortium), principal organização mundial de padronização da World Wide Web e com mais de 450 membros de diversas áreas (empresas, órgãos governamentais, organizações independentes) com a finalidade de estabelecer padrões para a criação de conteúdos para a web.

Elaborado em 1999, o WCAG está na versão 2.1, publicada em 2018. Entre os princípios fundamentais que norteiam tais diretrizes de acessibilidade estão: todo conteúdo precisa ser perceptível, aos olhos e ouvidos, precisa ser operável por teclado, mouse ou voz, precisa ser compreensível por qualquer pessoa, independente de sua deficiência ou habilidade e precisa ser robusto a ponto de funcionar em qualquer ambiente, canal ou tecnologia assistiva.

“Só por esses quatro princípios já desmistificamos outra ideia equivocada que muitas pessoas têm de que a acessibilidade é apenas descrever imagens, recurso utilizado para que pessoas cegas consigam “ver”, sendo apenas o primeiro critério da WCAG e que na prática também não é tão simples como parece. Para exemplificar, feche os olhos e peça a um colega que descreva uma imagem para você. Depois, relate a imagem descrita e vocês vão perceber se havia algum detalhe a melhorar. Este simples exercício é uma forma de treinar a descrição de imagens, algo que também é desafiador para quem não está acostumado com a tarefa”, explica Sales.

Segundo o especialista, outro ponto que normalmente é esquecido pelas empresas, mas que faz parte da acessibilidade digital é a forma como o público acessará a informação que será disponibilizada: por meio do smartphone, tablet, notebook, televisão ou smartwatch. “Precisamos sempre pensar nas novas tecnologias. Exemplo disso é que hoje existem geladeiras com tela, onde é possível também acessar informações. Então, todos os públicos vão, realmente, conseguir ter acesso ao que você está disponibilizando?”, questiona. Por isso, de acordo com o profissional, a acessibilidade digital no Brasil ainda engatinha a passos lentos e são poucas as empresas que estão conseguindo tornar seus produtos digitais realmente acessíveis.

Por onde começar?

Marcelo orienta que o ponto de partida é checar os 78 critérios da WCAG, que são a base para uma acessibilidade aceitável de qualquer produto digital, elas funcionam como heurísticas de usabilidade, mas com foco em acessibilidade. No entanto, segundo o especialista, as diretrizes da WCAG podem ser utilizadas como um checklist, mas considere isso apenas como o “básico bem feito”, há muito além da WCAG para melhorar a qualidade dos produtos digitais.

“A acessibilidade digital é uma ciência complexa, que precisa envolver pessoas e uma série de conhecimentos paralelos, indo da arquitetura da informação, passando pelo design de interação e chegando ao conteúdo e como ele é consumido, sem contar a parte do código (programação)”, esclarece.

“Ou seja, é um projeto que para ser bem sucedido precisa ser planejado e estruturado, envolvendo direção, gestores e times (designers de UX (User experience), programadores, criadores de conteúdo) e é imprescindível que haja uma cultura de inclusão digital em toda a empresa, pois é preciso considerar que há poucos profissionais no mercado de trabalho qualificados em relação às diretrizes da WCAG e, se o profissional que detém o conhecimento pede demissão, a acessibilidade é prejudicada e não terá continuidade. Por isso a importância da acessibilidade digital fazer parte da cultura da empresa, senão o risco de ser deixada de lado por qualquer problema nas equipes é grande”, alerta.

Apesar da complexidade, a boa notícia é que, segundo o especialista, é possível ter uma acessibilidade mínima aceitável ao se cumprir todos os critérios de níveis A e AA da WCAG, ou seja, 50 critérios, ao invés de 78. “Ressaltando apenas que isso não significa que os demais critérios não precisem ser avaliados, apenas que podem ser contemplados em um segundo momento do planejamento”, explica Sales.

E apesar de tecnologias, assistivas ou não, estarem envolvidas, Marcelo ressalta que a melhor forma de saber se o seu produto está indo no caminho certo é envolver o público-alvo em testes de usabilidade com foco em acessibilidade. “Através de avaliadores automáticos é possível identificar problemas relacionados a código, mas esses problemas representam no máximo 35% do todo que se precisa avaliar ao se buscar uma acessibilidade completa. Os 65% restantes são baseados na experiência de uso das pessoas, todas as pessoas. Por exemplo, caso sejam efetuados testes com pessoas com deficiência visual (para citar apenas um dos casos possíveis), deve-se avaliar através das mesmas tarefas dadas para outras pessoas a eficiência em se navegar pelo conteúdo através do uso de um leitor de telas e um teclado. Tarefas específicas para este cenário seriam a validação das descrições das imagens efetuadas. Enfim, deve-se levar em consideração todos os contextos de uso para todos os diferentes tipos de usuários”, exemplifica.

*Marcelo Sales é Designer, há 20 anos desenvolvendo produtos digitais. Hoje atua no Itaú com foco em UX e 100% voltado para Acessibilidade junto com o time de DesignOps. Idealizador do projeto Todos por Acessibilidade (http://acessibilida.de) e do Guia WCAG (http://guiawcag.com). Professor convidado na ESPM e Belas Artes para Cursos Livres, de Pós-Graduação e MBA. É instrutor de Acessibilidade na Mergo User Experience e Membro do Grupo de Trabalho de Acessibilidade do W3C Brasil.

http://marcelosales.work/

Fonte: CIVIAM

Dia Mundial da Internet: pandemia reforça vulnerabilidades de acesso

Contexto atual pode ressignificar experiência do uso da Internet e chama atenção para desafios de suprir escassez de talentos em TI

A sociedade contemporânea não pode ser dissociada da internet, mesmo para os excluídos digitais, pessoas sem acesso à rede ou sem acessibilidade a ela, as conexões proporcionadas pela rede transpassam a conectividade do indivíduo, afinal, seus dados trafegam independente do seu acesso à tecnologia. Com a demanda do isolamento social, consequente da pandemia do novo coronavírus, a necessidade da conexão parece ainda maior. Trabalho remoto, educação à distância, telesaúde e até mesmo as conexões interpessoais com as pessoas que estão longe, também em isolamento. Hoje, somos capazes de fazer coisas inimagináveis há 51 anos quando essa história começou, entretanto, suas vulnerabilidades impedem o desenvolvimento de um ecossistema tecnológico, que resulta, entre outras coisas, na escassez de mão de obra qualificada para uma demanda em crescente aceleração.

“Na sociedade hoje, não tem ninguém que esteja totalmente fora do digital, os dados que representam uma pessoa estão na rede não importa se ela está ou não com um celular na mão. De qualquer forma, todos nós somos impactados pela tecnologia. Na sociedade contemporânea tudo está pautado nessa circulação de dados na internet”, disse Rodrigo Botelho, Pesquisador e Professor do Departamento de Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Não à toa, países em todo o mundo hoje discutem legislações e normas que protejam a privacidade dos dados das pessoas, necessidade recente a partir do avanço da internet e da dependência que hoje temos dela. Só no Brasil, segundo o último senso do PNAD/IBGE (2018), 74,7% da população tinha acesso à rede. O número cresceu em relação a 2017, quando 69,8% dos brasileiros tinham acesso à internet.

Entretanto, ter acesso à internet não significa ter condições de aproveitar suas potencialidades.

Infográfico: Yuca Estúdio Criativo

Cenário Covid-19

O avanço da internet ao longo do tempo permitiu que a vida de bilhões de pessoas fossem adaptadas de forma irreversível e a ideia de isolamento social fosse ressignificada com uma pandemia na era da internet. Entretanto, para Botelho, embora a internet permita uma série de condições facilitadoras, ela também acentua suas vulnerabilidades, sobretudo nesse cenário. “A situação da pandemia mostrou esse descompasso entre a tecnologia disponível, de experimentação, já existente, e como essa tecnologia vinha sendo gerenciada como política pública”, ressalta.

As tecnologias testadas e utilizadas por nichos específicos da sociedade, indústria modernas, sistemas complexos, inteligência artificial, IoT e etc., ainda eram muito imaturas para se tornar escalável em um cenário crítico como o atual. “Todas as possibilidade não estavam amadurecidas pelos governos, então eles se veem de frente a uma experimentação que precisa ser escalada rapidamente”, diz Botelho.

Outro aspecto acentuado pela pandemia, segundo a Simone Freire, jornalista e idealizadora do movimento Web Para Todos, é o movimento que já vinha sendo adotado por grandes empresas de tecnologia, como a Apple, para simplificar suas plataformas digitais. “Estamos em um momento bem interessante da sociedade digital que as pessoas estão entendendo que é preciso simplificar”, diz. Para ela, a urgência na adaptação às medidas de isolamento fez com que a simplificação da tecnologia fosse não só uma tendência como uma necessidade, à medida que empresas em todo o mundo precisaram tornar sua força de trabalho remota em poucos dias. Essa simplificação, segundo ela, auxilia todos os excluídos digitais, desde as pessoas com deficiência àquelas consideradas “analfabetas digitais”.

De acordo com o mesmo senso do PNAD 2018, cerca de 46 milhões de brasileiros (25,3%) continuam sem acesso à internet, o equivalente, aproximadamente, à população do estado de São Paulo. Em termos de acessibilidade, entretanto, esse número pode ser ainda maior. Dessa fatia, 41,6% dizem não ter acesso à internet porque não sabem como usá-la.

“A questão são as vulnerabilidades, ou em que situações estamos vulneráveis. Ter a posse do celular é uma vulnerabilidade, não ter a internet é outra. Eu posso ter a posse, acesso à internet e não ter as habilidades e atitudes para usar a internet em um cenário crítico. Todos nós temos essas vulnerabilidades, porque a internet tem várias camadas. Quanto mais você tem competência para adentrar essas camadas, menos vulnerável você é”, explica o professor.

Para a jornalista, a acessibilidade digital deveria ser pensada por empresas, governos e desenvolvedores. A ideia de uma internet acessível soa como tema exclusivo para desenvolvedores, entretanto, conteúdistas, designers e profissionais de diversas outras áreas, segundo Simone, precisam pensar na acessibilidade digital como um benefício para todos. Ela diz que é mais fácil entender essa necessidade ao pensar na acessibilidade do universo físico, como uma calçada adaptada para um cadeirante ou bem pavimentada, por exemplo, é benéfica não só para deficientes visuais, mas para pessoas idosas, cadeirantes e carrinhos de bebê, por exemplo.

“A gente precisa sair da esfera dos técnicos e levar essa temática para a sociedade”, evidencia Simone. “Quase 15 milhões de brasileiros tem algum tipo de deficiência severa que precisa de tecnologia assistiva para poder interagir na sociedade e ter um nível mínimo de autonomia. […] As pessoas associam acessibilidade digital a ‘coisas high tech’, mas ela transversaliza tudo que a gente faz”, diz.

Além disso, esse público à borda da rede são consumidores em potencial sendo ignorados por grande parte empresas. “Entrando cada vez mais na sociedade, as empresas aderindo aos planos de cotas, e algumas legislações favoráveis, tudo isso vai mostrando que esse público está aí interagindo e consumindo… um grande potencial de mercado. Além disso, quando eles têm acesso, eles se tornam promotores da marca, como a Nubank, que eles idolatram, pois a empresa está o tempo todo atualizando e facilitando sua plataforma e trazendo a comunidade para perto dela”, diz.

Educação e força de trabalho

Segundo o pesquisador, quando uma sociedade, um país ou uma região é mais vulnerável digitalmente ela não é somente vulnerável no sentido da posse ou acesso à tecnologia mas em um sentido sistêmico em volta dela. Não se trata de olhar somente para a posse e o acesso da tecnologia, mas as relações técnico sociais e todo o seu ecossistema. Quanto pior os índices em torno da tecnologia, em todos os aspectos, pior será a relação de trabalho nessas localidades, diz Botelho.

Entretanto, o inverso também é verdadeiro. Cidades como Florianópolis e Campinas, são reconhecidas pelo cenário tecnológico devido a um ecossistema favorável. “Elas têm universidades que formam vários profissionais nesse ramo da tecnologia e informática. Elas acabam formando um ecossistema junto com essas empresas que estão sediadas nessas regiões, que favorece a capacitação da força de trabalho. Isso então vira um círculo virtuoso, pois quanto mais profissionais essas regiões formam, mais empresas são atraídas para essas localidades, assim como, quanto maior a capacidade de profissionais nessas regiões, também maior é a capacidade de surgirem novos empreendimentos nesse terreno tecnológico digital nessas regiões”, explica.

Uma pesquisa divulgada no ano passado pela Korn Ferry, com executivos de empresas no País, mostrou que em 2020 já haveria um déficit de 1,8 milhão de pessoas para vagas mais especializadas. A empresa prevê que esse número cresça a uma taxa de 12,4% ao ano. De acordo com o relatório, líderes do setor estimam que a escassez de mão de obra qualificada, principalmente nas tecnologias digitais, deve ultrapassar 85 milhões de vagas de trabalho até 2030, em todo o mundo.

Para Botelho é necessário desmistificar a tecnologia como algo para poucos. Para ele, este é um caminho sem volta e a linguagem computacional que gerencia toda rede, precisa ser ensinada do básico como uma segunda língua, assim como o inglês é hoje tida como conhecimento essencial. Isso é necessário para que jovens se sintam atraídos para a área e a enxerguem como um grande potencial.

“É por isso que organismos como a Unesco e a Comissão Europeia, têm proposto o que chamamos de ‘currículos’ – currículos para formação e desenvolvimento de competências informacionais, comunicacionais ou digitais. Cada entidade dessa usa uma terminologia, mas ambas têm uma proposta de currículo formativo para orientar as políticas públicas de vários Estados-nação de como inserir uma formação para as tecnologias digitais, para uma sociedade digital da informação desde o ensino básico. Isso é extremamente importante para a redução da vulnerabilidade digital e, consequentemente, para capitação de força de trabalho para atender as demandas que já temos e que ainda virão com essas tecnologias”, ressalta Botelho.

Fonte: It Fórum 365

Projeto de Lei pede internet gratuita nas bibliotecas municipais

vereador Jair Tatto (PT) elaborou o  PL (Projeto de Lei) 436/2017 para disponibilizar internet móvel de graça em todas as bibliotecas municipais da capital paulista.Para o parlamentar, o objetivo da proposta é ampliar o conhecimento das pessoas com cultura, informação e comunicação. O texto da justificativa do projeto cita que a internet revolucionou “as formas de relacionamento entre pessoas e, consequentemente, diminuindo as distâncias entre elas”.Outro ponto de vista do vereador é de que a tecnologia permite a interação entre pessoas do mundo inteiro. Além disso, segundo o vereador, a internet também apresenta opções de entretenimento, notícias e lazer.O projeto de lei determina ainda que as bibliotecas municipais deverão informar aos usuários e frequentadores sobre a disponibilidade do serviço gratuito de internet via “Wi-Fi”.

O PL do vereador Jair Tatto está em tramitação na Câmara de Vereadores e aguarda ser incluído na pauta da Sessão Plenária para ser apreciado em primeira discussão.

Acompanhe aqui outros projetos em tramitação do vereador Jair Tatto. No link, você também poderá obter os canais de comunicação da parlamentar e participar diretamente do mandato por meio de propostas, sugestões ou recebendo informativos através do formulário Fale com o Vereador.

Fonte: CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Webinar: Como fomentar a cultura de acessibilidade digital nas empresas

Acessibilidade na Web vai além dos benefícios para pessoas com deficiência. Ela contempla a melhora do ambiente virtual para todas as pessoas. Mas como fazer com que a acessibilidade faça parte da cultura da empresa? Como formar uma equipe e disseminar conhecimento entre os times, mantendo a conscientização sobre a importância do tema? O objetivo deste encontro virtual é proporcionar uma visão ampla relacionada ao planejamento do ambiente virtual organizacional e à cultura da acessibilidade nas empresas, bem como desmistificar questões relacionadas a design de interação, usabilidade e conteúdos.

Anote na agenda: 15 de abril, às 18:00 hrs.

A transmissão será feita no canal do NIC.br no YouTube https://www.youtube.com/user/NICbrvideos

Palestrantes:

Talita Pagani

Talita é especialista em UX e Acessibilidade Web, atuando na área de tecnologia desde 2005. Possui mestrado em Ciência da Computação pela UFSCar, onde se especializou em acessibilidade para pessoas com autismo e desenvolveu o projeto GAIA (Guia de Acessibilidade de Interfaces para pessoas com Autismo). Integra o Grupo de Especialistas em Acessibilidade Web do W3C Brasil, é Google Developer Expert em Tecnologias Web, além de fundadora, instrutora e consultora de acessibilidade digital na Utilizza – Design de Interação.

Marcelo Sales

Designer, atuando há quase 20 anos em produtos digitais. Atualmente na Superintendência de CX do Itaú com foco 100% em Acessibilidade. Idealizador do projeto Todos por Acessibilidade (http://acessibilida.de) e do Guia WCAG (http://guiawcag.com). Professor convidado em Cursos livres, Pós e MBA da ESPM e Belas Artes e também Instrutor de Acessibilidade na Mergo User Experience. Membro do Grupo de Trabalho de Acessibilidade do W3C Brasil.

Moderação: Reinaldo Ferraz – Ceweb.br

Fonte: CEWEB.br

Los 10 ejes del manifiesto para una nueva cultura digital

Cultura digital manifiesto vivo y hackeable

La cultura digital hace referencia a todo lo que tiene que ver con las nuevas tecnologías y su incidencia en nuestra vida cotidiana, según se puede leer el blog de Andalucía es digital. Definición que suscribo totalmente, y a la que sumaría aspectos relacionados con el uso y difusión de información, la creación e intercambio de conocimiento y la formación en competencias digitalesCultura, tecnología, personas, formación, información y conocimiento. Sin duda que términos que tocan de lleno a todos los Archivos y Bibliotecas del mundo.

Sentar las bases sobre el buen uso de la vida digital de las personas, empresas y organizaciones es un acto de responsabilidad. Y eso es lo que se quiere conseguir con el Manifiesto por una nueva cultura digital que han creado  el maestro y antropólogo Jordi Jubany y la doctora en Sociología Liliana Arroyo.

Hoy tenemos que afrontar situaciones imprevistas que distan mucho del sueño democrático del origen de Internet: monopolios, abusos, ataques a la democracia, trolls, Internet como Lejano Oeste, etcétera. Todas estas situaciones generan desequilibrios de poder y actualmente los riesgos y beneficios se distribuyen de forma desigual – y aún más: de forma inversamente proporcional. Ante esta situación, son muchas las voces que invocan soluciones regulatorias, pero lo cierto es que se trata más bien de renovar el contrato social que de una legislación errática, limitada y tardía. Debemos avanzar en dirección a un pacto social que comprenda y regule la vida colectiva actual para conseguir el mayor impacto positivo con el mínimo riesgo.

Los creadores han puesto la semilla de lo que tiene que ser este pacto social para buscar un consenso de cultura digital basada en la utilidad, la ética, la información, la inclusión y la participación. Quieren «un manifiesto vivo y hackeable por una nueva cultura digital», tal y como manifiestan. Y es por ello por lo que han identificado diez ejes prioritarios de lo que será (y es en la actualidad) la cultura digital y sobre los cuales se debe trabajar. No está de más echarles un vistazo y tratar de interiorizarlos, además de compartirlos para que su conocimiento llegue lo más lejos posible.

10 ámbitos del manifiesto para una nueva cultura digital

  1. Sociedad dinámica. Educa a toda la tribu. Si la tribu hoy es digital la tribu se educa también en Internet. Aprender a vivir en sociedad implica poder crecer en todos los ámbitos, también el digital.

  2. Derechos humanos. Toda persona tiene derecho a estar conectada con el mundo y a conocer de forma comprensible los avances de las nuevas tecnologías, acometiéndose a debates éticos y sociales.

  3. Educación universal. La red entre familia, entidades, empresas e instituciones educativas debe asegurar la educación digital de niños, jóvenes, personas adultas y personas mayores.

  4. Competencias digitales. Desarrollamos competencias digitales a lo largo de la vida y centramos la adecuación del uso de las herramientas más en el para qué y el cómo y menos el cuándo o cuánto.

  5. Gestión de la identidad. Debemos gestionar las emociones en la red para preservar la propia privacidad, la seguridad y la identidad equilibrada entre el yo presencial y el virtual.

  6. Uso responsable. Usemos los recursos adecuados de forma justa, equitativa y solidaria en favor de la transparencia, la neutralidad, la reutilización y la soberanía tecnológica.

  7. Desarrollo profesional. Debemos replantear el diseño y la función de los sistemas educativos, las nuevas formas de trabajo y las relaciones entre ciudadanía e instituciones públicas y privadas.

  8. Consumo consciente. El consumo digital responsable genera hábitos saludables y respetuosos en la conexión con un nuevo equilibrio entre horarios, espacios y usos conscientes.

  9. Cultura colaborativa. Participemos creativamente en el diseño de una cultura de datos abiertos con nuevas apropiaciones de la tecnología y formas de relaciones humanas.

  10. Comunicación crítica. Los medios de comunicación y las redes sociales son responsables de los mensajes y valores que transmiten. Productores y consumidores debemos tener espíritu crítico.

Manifiesto por una cultura digital

Nos merecemos un mundo mejor con una Internet a salvo de intereses comerciales. Tenemos que ver esta excelente herramienta como un nexo de unión mundial en la que la información veraz y el conocimiento fluya sin restricciones y de manera responsable. Porque todos tenemos derecho al acceso y uso de Internet de manera libre. Quizás quede mucho para esto… pero la semilla para conseguirlo ya está creciendo.

Fonte: Julián Marquina

Pierre Lévy responde: o que a internet está fazendo conosco?

 

“Qual o sentido de buscar um sentido?”. Esse foi o questionamento proposto pelo filósofo francês Pierre Lévy durante conferência no Fronteiras do Pensamento, em Salvador, na noite desta terça-feira (10), no Teatro Castro Alves (TCA).

Lévy é um reconhecido pesquisador das tecnologias da inteligência e investiga as interações entre informação e sociedade. Mestre em História da Ciência e Ph.D. em Comunicação e Sociologia e Ciências da Informação pela Universidade de Sorbonne, é um dos mais importantes defensores do uso da Internet para a ampliação e a democratização do conhecimento.

No palco do Teatro Castro Alves, na noite de 10 de setembro, o filósofo tratou da mutação da comunicação digital e do alto percentual de pessoas conectadas à internet em todo o mundo. Segundo ele, cerca de 60% da população mundial está conectada.

Em relação ao tema da palestra e do Fronteiras 2019, os Sentidos da Vida, Lévy comentou que “saber se a evolução da história humana tem um sentido é uma enorme questão, debatida há séculos pelos filósofos. O que está muito na moda nos círculos pós-modernos é dizer que a história humana não tem sentido ou que ela tem tantos sentidos possíveis que não é realmente importante determinar qual é”.

Com patrocínio da Braskem e do Governo do Estado da Bahia, através do Fazcultura, o Fronteiras é realizado pela Caderno 2 Produções Artísticas, em Salvador, desde 2008. De lá para cá, a Bahia se consolidou como um dos três eixos principais do ciclo de conferências no país.

PRÓXIMO EVENTO >> o terceiro e último evento deste ano do Fronteiras do Pensamento Salvador acontece no dia 1º de outubro, em formato diferente das demais. Na ocasião, a filósofa Djamila Ribeiro e a historiadora Lilia Schwarcz vão participar de um debate no palco principal do TCA. Os ingressos estão esgotados.

A conferência de Pierre Lévy no Fronteiras do Pensamento Salvador teve mediação de André Lemos, professor titular do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

Após sua fala, Lévy respondeu as perguntas do público e de André Lemos. Ainda, a pergunta enviada por vocês, nossos seguidores nas mídias sociais, que são patrocinadas pela Braskem.

Confira esta e outras respostas de Pierre Lévy no palco do Fronteiras Salvador

Pergunta Braskem: Quando a internet surgiu, a grande expectativa era do seu aproveitamento para fins educacionais. O que vemos hoje é uma grande disseminação de informação, mas, em grande medida, de conteúdo superficial, fake news ou bobagens. A internet e as redes sociais nos deixaram mais limitados?

Não é verdade. Temos de distinguir duas coisas: vocês podem usar as redes sociais para tirar foto do café da manhã, para insultar seus adversários políticos ou para disseminar fake news, mas vocês podem também participar da construção coletiva de um artigo na Wikipédia ou fazer com que todos os livros escolares estejam disponíveis eletronicamente sem custar nada.

É o que estou fazendo já há 10 anos com os meus alunos. Eles não têm que comprar livros e todas as leituras que eu recomendo estão disponíveis na internet.

Nós utilizamos, por exemplo, grupos de Facebook para discutir juntos, utilizamos o Twitter para fazer anotações. Existem muitas coisas positivas que nós podemos fazer com a internet.

Os jornalistas normalmente destacam os aspectos negativos, porque a internet é, de certa forma, uma concorrente da mídia clássica. Mas, eu gostaria de sublinhar o fato de que a mentira ou a manipulação não começaram com a internet.

Se vocês lerem as disputas políticas que aconteciam na república romana, vocês vão ver que toda a disputa de corrupção, manipulação e todos os processos truncados já existiam naquela época. Portanto, essa é a natureza humana. Nós não podemos culpar a tecnologia, porque isso vai desresponsabilizar as pessoas.

O que eu estou dizendo é que cada vez que você dá um like, compartilha alguma coisa ou usa uma hashtag, você está contribuindo para a construção de uma memória coletiva. Esta é uma responsabilidade que nós temos e que vocês devem levar a sério.

Existem bons usos e maus usos das ferramentas. Eu diria que a melhor que coisa que nós podemos fazer é educar as pessoas desde muito jovens a serem responsáveis individualmente nessa nova rede de comunicação e ensiná-las a pensar criticamente.

Lévy respondeu questões do público e de André Lemos. Veja as principais falas do filósofo: 

O poder das mídias na política atual

Pierre Lévy: Me parece que no discurso de muitos jornalistas há uma espécie de desresponsabilização e despolitização. A internet não é responsável por essa onda contemporânea de populismo conservador. Se eu retomar aquilo que aconteceu nos anos 1930 e 1940 do século XX, a internet não existia e nós tivemos uma onda totalitária terrível.

Nós devemos analisar as coisas no plano político. Se eu disser que o fascismo surgiu por causa do rádio, sim, realmente havia rádio na Alemanha e na Rússia de Stálin, mas também havia rádio na Inglaterra.

Se dissermos que tal candidato ganhou por causa da internet, me parece que é uma forma de pensamento curto.

Eu sei que eu sou adversário daquilo que vocês pensam aqui, mas é minha responsabilidade como filósofo. São as pessoas que votam.

Sim, nós tivemos fake news, mas vocês pensam que a propaganda surgiu no século XX? A propaganda existe desde o início da política e no século XIX ela já era bastante poderosa. Então, cuidado com o fato de fazer de uma mídia técnica um agente político.

Se você me diz que os dados não são neutros, que os algoritmos não são neutros, é evidente. Os dados e os algoritmos são produções humanas e elas têm defeitos, então não são neutros. Mas, nada do que nós fazemos, nada do que existe na sociedade é neutro.

Vamos retornar à ação humana e refletir sobre isso, porque é fácil demais acusar a internet. É como dizer que o Irã está aí por causa das fitas cassete usadas para disseminar a sua mensagem, ou como dizer que Kennedy ganhou contra Nixon, porque ele era mais bonito na televisão.

Nós sempre encontramos esse tipo de desculpa, mas, na verdade, são evoluções políticas, culturais e de imaginário simbólico que estão em jogo e, evidentemente, vão usar técnicas.

Não esqueçamos da dimensão humana, que é a verdadeira responsável.

A importância da leitura na formação do cidadão 

Pierre Lévy: Eu já venho dizendo há muito tempo que não podemos dominar o software, a maneira como os dados são tratados, se não dominamos a leitura e a escrita.

Não é possível ser um cidadão consciente com o pensamento crítico capaz de discernir coisas razoáveis das coisas que não são, se não sabemos ler e escrever. Se você ler em uma tela ou em um papel, isso é secundário. A importância está no texto.

Ler livros, compreendê-los, compará-los e ter uma cultura vasta tanto quanto possível sempre é uma vantagem.

A primeira necessidade é a educação primária de base. Uma vez que nós já temos essa educação primária, nós sabemos que temos problemas no Brasil e em outros lugares em que a alfabetização não chega a 100%, mas não imagine que ela chega a 100% em qualquer outro lugar.

Olhei as estatísticas ontem, porque imaginava que nós teríamos questões sobre isso. O analfabetismo funcional no Brasil é de mais ou menos 30% e no Canadá é de 20% com o índice mais alto de desenvolvimento humano. Então, é difícil aqui e em todos os lugares.

Primeiro, temos que ter educação de base e, depois, não devemos proibir as crianças de navegar na internet. Devemos ensiná-las a ler na Wikipédia, a cruzar fontes diferentes, a não reagir de maneira imediata e emocional a imagens ou a propostas que provavelmente eles gostam e que são fake news. Isso se ensina da mesma forma como ensinamos a atravessar a rua.

Nós vivemos em um mundo onde é necessário absorver os valores essenciais e o pensamento crítico.

Como construir um sentido de vida?

Pierre Lévy: Nós temos que construir esse sentido, porque você não pode simplesmente aceitar o sentido da vida visto como verdadeiro em torno de você.

Eu tentei mostrar que havia condições essenciais como, por exemplo, tudo aquilo que nós herdamos da natureza, tudo o que herdamos da evolução cultural, todos os sistemas simbólicos dos quais dependemos.

Isso tudo é necessário para construirmos o sentido da nossa vida. Se este sentido é verdadeiro ou não, isso é outra questão.

Todos nós devemos viver com a consciência de que temos uma parte de liberdade, de autonomia e de autodeterminação em nós.

O sentido está aí para ser construído. É melhor viver tentando construir um sentido da sua vida, do que simplesmente se resignar com o fato de que a vida não tem sentido.

As mídias sociais estão aumentando ou reduzindo o isolamento humano?

Pierre Lévy: O fato de que estamos todos aqui, juntos, no mesmo lugar, que nós respiramos o mesmo ar, que as moléculas de carbono e oxigênio estão circulando de um pulmão a outro, é a prova de que sempre é possível e necessário.

Houve um aumento incrível na comunicação há algumas dezenas de anos e, em paralelo, também temos um aumento extraordinário do transporte físico. Então, essa ideia de que não nos encontramos mais, porque existe a telecomunicação, é uma ideia falsa de acordo com a minha opinião.

Existe uma coisa que é maciça nos dados, que é o crescimento da urbanização. Na verdade, as pessoas estão cada vez mais concentradas e mais próximas umas das outras.

Agora, existe outro fenômeno que é aquele do isolamento, do sentimento de isolamento, que é um problema real, mas que tem muito mais a ver com a nossa sociabilidade deficiente do que aos meios de comunicação.

Por exemplo, na Inglaterra, eles criaram um ministério da solidão. Lá, há cada vez mais pessoas que estão isoladas, mas não é por causa da internet. São pessoas idosas que os filhos não visitam mais.

Ainda há esse fenômeno de culpabilizar alguma coisa porque é má e nos impede de olhar as nossas próprias responsabilidades e de dizer: “bem, talvez eu devesse visitar mais meus pais que estão idosos e solitários”.

LEMBRE-SE >> o terceiro e último evento deste ano do Fronteiras do Pensamento Salvador acontece no dia 1º de outubro. A filósofa Djamila Ribeiro e a historiadora Lilia Schwarcz participam de um debate no palco principal do TCA. Os ingressos estão esgotados.

Fonte: Fronteiras do Pensamento

Internet Archive cria empréstimo digital de livros importantes da Wikipédia

Por Wagner Wakka

O Internet Archive quer tornar a Wikipédia uma plataforma ainda mais confiável para pesquisa. Para isso, quer dar aos usuários acesso às obras que são citadas como fontes dentro da plataforma.

Atualmente, grande parte da confiabilidade dos verbetes apresentados na Wikipédia se dá por conta da apresentação das fontes. Quando se tem uma explicação, se ela for realmente válida, deve conter um link ou uma citação para um vídeo, texto, áudio ou livro que justifica aquela afirmação.

O problema é que nem toda fonte é digitalizada. Ou seja, se a página da Wikipédia cita um livro físico, por mais possível que seja comprá-lo em papel ou encontrá-lo em bibliotecas, o usuário não consegue confirmar a informação exposta, a não ser que se comprometa com uma boa dose de esforço.

A ideia do Internet Archive, site que busca guardar a memória da rede, é de digitalizar todas as obras que são citadas na Wikipédia, permitindo que os usuários possam conferir as informações apontadas como fonte na plataforma.

A organização começou um novo movimento para escanear os livros e permitir acesso a uma prévia de pelo menos três páginas do trabalho citado.

A proposta foi apresentada no blog do Internet Archive como uma parceria entre os dois sites. O objetivo final é permitir que usuários possam emprestar versões digitais de cada livro por uma ou duas semanas, como em uma biblioteca. No fim, o Internet Archive quer ter um arquivo de todos os livros já publicados no mundo.

“O que está escrito em livros por vários séculos é essencial para informar as gerações de estudantes digitais. Nós esperando conectar leitores com livros trazendo os livros de papel para a web, começando pela Wikipédia”, explica Brewster Kahle, bibliotecário digital do Internet Archive.

O sistema funciona com base no Controlled Digital Lending (ou controle de empréstimo digital, em tradução livre). Trata-se de um método que permite a legalização do empréstimo de livros, tendo o controle de cópias compradas por uma instituição. Isto é, se uma biblioteca conta com 10 cópias, o sistema consegue garantir que somente 10 pessoas possam “emprestar” uma versão digital por vez.

Embora o sistema seja promissor e considere que há uma compra para empréstimo como acontece em bibliotecas, o CDL (como é chamado) ainda não é um método regularizado, sendo que ainda precisa ser regulamentado por lei.

Contudo, esta não é uma tarefa tão simples assim. Segundo o blog da organização, digitalizar um livro custa perto de US$ 20 (aproximadamente R$ 80), somado ao preço de manter isso disponível. “O objetivo é trazer outros 4 milhões de livros importantes online nos próximos anos”, aponta a empresa.

 Para isso, a companhia está abrindo espaço para que pessoas possam patrocinar o projeto ou mesmo fazer doações para a instituição.
Fonte: Canaltech

Iniciativas culturais precisam de tecnologia livre para se desenvolver, defende pesquisa

Tese de doutorado da ECA mostra impacto do uso dos softwares livres na gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, posterior desmonte dessa política e o cenário atual

Texto por Maria Eduarda Nogueira/Laboratório Agência de Comunicação da ECA

Gilberto Gil esteve à frente do Ministério da Cultura de janeiro de 2003 a julho de 2008 – Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Ao propor o uso de tecnologias livres, o Ministério da Cultura, sob a gestão de Gilberto Gil (2003-2008), permitiu uma apropriação social da informação. Não foi exclusividade desse Ministério usar os softwares livres, mas seu impacto para o âmbito das artes foi de extrema relevância. Essa é uma das conclusões de Ana Carolina Silva Biscalchin, autora de tese de doutorado defendida na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.  Em seu trabalho, a pesquisadora também aponta o progressivo desmonte dessas políticas, a partir de 2013, mas ressalta que o legado delas não se perdeu por completo.

“Sou ministro, sou músico, mas sou sobretudo um hacker em espírito e vontade.” Essa frase é dita por Gilberto Gil em 2004, ano em que iniciava o programa dos Pontos de Cultura, associados aos softwares livres. A inovação proposta pelo então ministro foi um marco para a história das políticas culturais brasileiras, já muito atreladas à tecnologia.

A tese de Ana Biscalchin revisita o período em que o Ministério da Cultura esteve sob a gestão de Gil. À época, a visão do órgão era mais abrangente, trabalhava em mais frentes “do que apenas financiar projetos”, comenta a pesquisadora em Ciências da Informação.

Isso porque as medidas propostas por Gil eram um tanto quanto revolucionárias. O apoio aos Pontos de Cultura – entidades sem fins lucrativos que desenvolvem atividades culturais em suas comunidades – não só permitia o desenvolvimento de diferentes esferas da arte, mas também ajudava projetos de diferentes portes a crescer.

Qualquer iniciativa, fosse ela na periferia ou nos grandes centros, podia ser contemplada pelos editais lançados pelo Ministério. Segundo Ana Biscalchin, a ideia era “democratizar o processo para que não se restringisse sempre aos mesmos produtores de cultura”.

A visão da administração era a de realmente criar uma rede de colaboração entre os Pontos de Cultura apoiados, de modo que as atividades culturais não ficassem exclusivamente dependentes do governo. Uma mão lavava a outra. Mas no bom sentido.

Hacker x cracker – Em informática, hacker é alguém que se dedica a conhecer e modificar dispositivos, programas e redes, obtendo muitas vezes soluções e efeitos que extrapolam os limites dos sistemas previstos por seus criadores. Cracker é o termo mais adequado para designar quem pratica quebra de sistemas de segurança de forma ilegal – Foto: Matthew (WMF) via Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

E onde entram os softwares livres?

Para entender melhor essa história, é necessário definir alguns conceitos. É preciso até mesmo entender um pouco da cultura hacker. Diferente da imagem criada pelo senso comum, os hackers não são necessariamente pessoas de má índole que desejam roubar os dados de seu cartão de crédito por meio de vírus enviados pela internet.

A filosofia hacker surgiu ainda nos anos 60 e tinha como mote a ideia de que a tecnologia era para todos. Isso significa que o desenvolvimento de ferramentas não deve se restringir a meia dúzia de programadores, fechados em uma sala. “Aprender a manipular seu próprio software é uma forma de inclusão digital”, comenta a pesquisadora.

Ao abrir um software para a comunidade, deixando-o livre, é possível que cada um adapte o programa às suas necessidades. Um artista digital, por exemplo, pode desenvolver um novo pincel, necessário para seu trabalho. Além disso, esse tipo de software tem menos restrições de reprodução. O que significa que não são cobrados altos preços para o uso daquela tecnologia.

Para a cultura, o uso dessa tecnologia é extremamente impactante por diversas razões. A liberdade para adaptação é um dos benefícios, mas o maior deles é definitivamente o custo. “Para grandes empresas, pagar licenciamento de software não é um grande custo, mas, para pequenos projetos, faz diferença”, explica Ana Carolina.

Pegando um exemplo clássico, o Pacote Office, muito usado em funções administrativas, tem um custo elevado. Alternativas como o LibreOffice, no entanto, tentam suprir essa necessidade, trazendo uma ferramenta gratuita e com funcionalidade semelhante.

Centro de Teatro do Oprimido, no Rio de Janeiro, selecionado em edital dos Pontos de Cultura em 2010 – Foto: Divulgação CTO

Cenário atual

A partir de 2013, começa o desmantelamento de políticas públicas culturais que permitiam uma apropriação social da informação, avalia a pesquisadora.  Hoje, a democratização da cultura caminha a passos lentos. “Em minha tese, conto a história de um desmonte de uma política pública que foi muito interessante e inovadora, mas que depois vai sendo descontinuada por conta da ingerência política.”

No entanto, o legado do que foi feito não se perdeu.

Projetos como o Fab Labs da Prefeitura de São Paulo utilizam desse recurso para promover a criatividade e a inovação na cidade. Além disso, muitos dos Pontos de Cultura beneficiados à época de Gil ainda estão em atividade e ajudam uns aos outros. Hoje eles estão unificados na Política Nacional de Cultura Viva, criada por lei em 2014. A legislação ainda representa um marco histórico, por estimular a produção cultural e apoiar iniciativas dotadas de menos recursos financeiros.

“Não é uma história totalmente negativa. Muitas pessoas que foram formadas nessa época na questão do software livre ficaram com esse conhecimento e continuaram com essa rede de apoio”, diz Ana Carolina.

A tese Apropriação social da informação, cultura e tecnologia: software livre e políticas culturais no Brasil teve orientação do professor da ECA Marco Antonio de Almeida e está disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

Fonte: Jornal da USP

Rede mundial de computadores faz 30 anos e Google comemora com Doodle

Texto por Paulo Alves, para o TechTudo

A animação na página inicial do Google está presente na maior parte do mundo, incluindo Brasil, EUA e o restante da América, toda a Europa, a Rússia, Japão, Coreia, Austrália e algumas nações do norte da África. Apesar da forte ligação entre o buscador e a invenção da web, é primeira vez que a empresa comemora a ocasião com um Doodle.

Doodle do Google comemora trigésimo aniversário da WWW — Foto: Reprodução/Google

O Doodle

A homenagem do Google remonta os primeiros estágios da popularização da web: um computador retrô que carrega, lentamente, uma imagem animada em um navegador antigo. O PC está ligado a uma rede cabeada da rede telefônica, modo de conexão comum entre os 1990 e começo dos 2.000 – a famosa Internet discada. Enquanto o conteúdo aparece, é possível ver os pacotes de dados viajando do fio à máquina.

Doodle relembra época da internet discada — Foto: Reprodução/Paulo Alves

Origem da World Wide Web

O projeto de Berners-Lee envolveu uma grande base de dados de hipertexto (links) entrelaçados, que poderiam ser acessados de diferentes máquinas de acordo com um determinado protocolo. O objetivo era facilitar o compartilhamento de informações entre computadores do CERN (sigla em francês para Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear).

Os escritos do engenheiro resultaram, em 1990, no desenvolvimento da linguagem HTML, que viria a enriquecer o conteúdo mostrado em uma página. Berners-Lee também criou o endereço chamado de URL. No mesmo ano, surgiu o primeiro navegador de internet, chamado de World Wide Web (WWW). Atualmente, o CERN oferece uma versão reconstruída do software para download no site https://worldwideweb.cern.ch.

Tim Berners-Lee é conhecido como o ‘pai da Internet’ — Foto: Reprodução
Redes sociais que (quase) todo mundo já usou
 Fonte: techtudo

O que é um mecanismo de busca e como ele funciona afinal?

Texto por Mike Elgan

Se você acredita que um mecanismo de pesquisa é um índice para a Internet, é hora de atualizar seu raciocínio

O presidente Donald Trump criticou o Google na última semana, alegando que a empresa “manipulou” os resultados da Pesquisa de Notícias do Google – o Google News – para favorecer histórias e organizações de notícias críticas a ele.

Para reforçar sua afirmação sobre preconceito, Trump postou um vídeo no Twitter com a hashtag #StopTheBias, alegando que o Google promoveu os discursos sobre o Estado da União, um relatório apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos anualmente, do ex-presidente Barack Obama, mas parou a prática quando ele assumiu o cargo.

Em um comunicado divulgado à imprensa, um porta-voz do Google disse que a empresa não promoveu em sua homepage os primeiros discursos de Obama ou Trump, porque tecnicamente eles são considerados meros “discursos para uma sessão conjunta” do Congresso.

Os fatos em torno deste incidente estão sendo canalizados para debates políticos on-line rancorosos e contínuos, que, na minha opinião, não são particularmente interessantes. O que é interessante é a grande questão que esse conflito traz à tona.

Afinal, o que é um mecanismo de pesquisa?

Um mecanismo de pesquisa pode ser quatro coisas.

1. Um índice para a internet

Quando o Google lançou seu mecanismo de busca em 1996, ficou claro o que era um mecanismo de busca: um índice da internet. A inovação foi a capacidade de classificar as páginas de uma forma que deveria refletir a relevância ou a importância relativa de cada resultado. Tanto os resultados quanto o ranking deveriam ser um reflexo da própria internet, não um índice para as informações que existem no mundo real.

2. Um árbitro do que é verdade

Nessa visão, o Google Busca favorece informações objetivamente verdadeiras e não enfatiza links para conteúdo que é objetivamente falso.

3. Uma fonte objetiva de informações

A ideia de fonte objetiva é que o Google tenta apresentar todos os aspectos controversos e todas as fontes de informação, sem favorecer ideias ou fontes.

4. Uma fonte personalizada de informações

O conceito de fonte personalizada diz que um mecanismo de pesquisa oferece a cada usuário um conjunto diferente de resultados com base no que o usuário quer, independentemente do que é verdadeiro, do que está acontecendo na Internet ou de qualquer outro fator. Isso tudo é bem abstrato, então aqui está um experimento de pensamento esclarecedor:

Quando alguém pesquisa o Google para descobrir a forma da Terra, como o Google deve abordar essa consulta? Depende do que o Google acredita ser um mecanismo de pesquisa.

Observe que é provável que os proponentes da Terra gerem, vinculem-se e tagarelem sobre a ideia de que a Terra é plana mais do que as pessoas que acreditam que é esférica. Vamos supor, para fins de argumentação, que, objetivamente, o conteúdo e a atividade real na internet favorecem a ideia Terra plana.

Se um mecanismo de busca deve ser um índice para a internet, então os resultados da pesquisa da forma da Terra devem favorecer a ideia da Terra plana.

Se um mecanismo de pesquisa deve ser um árbitro do que é verdadeiro, os resultados da pesquisa devem favorecer a ideia da Terra esférica.

Se um mecanismo de busca deve ser uma fonte objetiva de informação, então os resultados da busca devem fornecer um resultado balanceado que represente igualmente as teorias da Terra, plana e esférica.

E, se um mecanismo de busca deve ser uma fonte personalizada e de informações personalizadas, os resultados devem favorecer a ideia da Terra plana ou a da Terra esférica, dependendo de quem está pesquisando.

Eu uso a forma da Terra como um proxy ou stand-in para os verdadeiros resultados de pesquisa que as pessoas estão conduzindo. Por exemplo, pesquisas sobre sua empresa, produto, marca ou até mesmo sobre você ainda estão sujeitas à mesma confusão sobre o que um mecanismo de pesquisa deve ser.

Quando seus clientes, potenciais parceiros de negócios, funcionários ou futuros funcionários em potencial e outros buscam informações sobre sua organização, que resultados eles devem obter? Esses resultados devem refletir o que é “verdadeiro”, o que é falso, mas é popular ou o que é neutro entre os dois? Ou deveria depender de quem está fazendo a pesquisa?

A verdade é que o Google tenta fazer com que o Google busque todas essas quatro coisas ao mesmo tempo. Somando-se à complexidade do problema, está o fato de que os resultados dos mecanismos de busca são governados por algoritmos, que são segredos comerciais que estão mudando constantemente.

Se você perguntasse às pessoas, acredito que a maioria diria que o Google Busca deveria ser o Modelo nº 1 – um índice da Internet – e não se envolveria em decidir o que é verdadeiro, o que é falso ou qual é a resposta que o usuário deseja ouvir.

E, no entanto, o mundo exige cada vez mais que o Google aceite o Modelo nº 2 – seja um árbitro do que é verdade.

Os governos não toleram um índice preciso

Trump afirmou repetidamente que, em geral, a cobertura da mídia é tendenciosa contra ele. Se isso for verdade, e se a pesquisa do Google News for um índice passivo do que a mídia realmente está informando, não seria razoável Trump esperar uma cobertura anti-Trump na ferramenta?

Ao criticar o Google News Search como “fraudulento”, Trump parece revelar uma expectativa de que o Google Notícias deve refletir o que está acontecendo no mundo real como ele vê, e não o que está acontecendo nos sites de notícias.

Ou revela que, independentemente do peso da atividade em favor das fontes de notícias que Trump acredita serem tendenciosas contra ele, o Google News Search deve fornecer uma representação equilibrada e neutra de todas as opiniões e fontes igualmente.

A rejeição do modelo de mecanismo de busca como índice da Internet é comum entre governos e líderes políticos em todo o mundo. Um exemplo famoso é a ideia do “direito a ser esquecido”, que foi colocada em prática como lei tanto na União Europeia quanto na Argentina. A ideia é que a informação na internet pode injustamente estigmatizar uma pessoa, e os cidadãos têm o direito de que essa informação seja “esquecida”, o que significa que não existe nos resultados dos mecanismos de busca.

Digamos, por exemplo, que uma pessoa proeminente peça falência e que 100 sites de notícias e blogs na internet registrem o fato. Vinte anos depois, bem depois que a pessoa restaurou a solvência financeira, as informações antigas ainda estão disponíveis e podem ser encontradas nos mecanismos de busca, causando estigmatização infundada.

Uma petição de direito a esquecimento bem-sucedida pode remover a referência a essas páginas dos resultados da pesquisa. As páginas ainda existem, mas os mecanismos de pesquisa não vinculam a elas quando alguém pesquisa o nome da pessoa.

Os defensores das leis do direito ao esquecimento claramente acreditam que existe um mecanismo de busca para refletir o mundo real como é, ou como deveria ser, e não existe para refletir a internet como ela é.

Recentemente, o Google foi envolvido em uma controvérsia sobre um suposto retorno ao mercado chinês com um mecanismo de busca personalizado na China, que censura o conteúdo da internet da mesma forma que os sites domésticos são obrigados pelo governo chinês. Centenas de funcionários do Google assinaram uma carta em protesto.

O Google quer “voltar” ao mercado chinês. O governo chinês não permitiria que o Google operasse um mecanismo de busca acessível a cidadãos chineses que refletisse com precisão o que realmente está na internet.

Os exemplos continuam. O que os governos tendem a ter em comum é que, nos círculos políticos, é muito difícil encontrar pessoas defendendo a concepção do índice para a internet do que um mecanismo de pesquisa deveria ser. Por que a ideia do mecanismo de busca como índice está morta.

A missão declarada do Google é “organizar as informações do mundo e torná-las universalmente acessíveis e úteis”. Nebuloso, sim. Mas, para os propósitos desta coluna, está dizendo que o Google diz que sua missão é organizar, não a informação da internet, mas o “mundo”.

A realidade é que as pessoas usam Pesquisa do Google e outros mecanismos de pesquisa porque querem informações sobre o mundo, não porque desejam informações sobre o que a internet coletivamente “pensa”.

E, de qualquer forma, o ponto está se tornando discutível. O que a internet “pensa” é cada vez mais jogado e manipulado por propagandistas, bots, notícias falsas, trolls, teóricos da conspiração e hackers. Refletir com precisão todas essas informações manipuladas nos mecanismos de busca é valioso apenas para os manipuladores.

Além disso: a cada dia que passa, mais informações “pesquisando” estão acontecendo por meio de assistentes virtuais, como o Google Assistente, Siri, Cortana e Alexa. Em outras palavras, assistentes virtuais estão se tornando os novos mecanismos de busca.

Com óculos de realidade aumentada e outras fontes de informação altamente móveis, os mecanismos de busca como o Google terão de se tornar cada vez mais árbitros do que é verdadeiro, ou supostamente verdadeiro, porque o público exigirá cada vez mais uma única resposta para suas perguntas.

É por isso que as antigas iniciativas para a presença da sua empresa na internet – SEO, marketing, estratégia de mídia social e tudo mais – têm nova urgência.

A cada dia que passa, os mecanismos de pesquisa existem menos para indexar a internet e mais para decidir por todos nós o que é “verdadeiro” e o que “não é verdade”.

É hora de redobrar seus esforços para garantir que o que o Google acha que seja verdade sobre sua empresa é realmente verdadeiro.

Fonte: IDGNOW

Google lança curso gratuito sobre realidade aumentada

Com duração de 15 horas, treinamento está disponível no site Coursera. Conteúdo não exige nenhum conhecimento prévio em programação e AR

Google lançou um curso de introdução a Realidade Aumentada, com classes que direcionam para a sua nova plataforma ARCore. Disponível no site Coursera, o curso é gratuito e ensina como desenvolver conteúdo em realidade aumentada, mesmo que você não tenha ideia nenhuma de como fazer isso.”Se você não possui nenhum conhecimento ou experiência em AR, essa aula foi desenhada tendo especialmente você em mente”, escreveu Courtney Hampson, Program Manager para o Google AR & VR, no blog da companhia.O curso leva 15 horas para ser completado e ao final dele você deverá ter aprendido o básico da tecnologia, e como desenhar uma experiência em realidade aumentada, além de a construir seu próprio projeto usando o kit de desenvolvimento ARCore e ferramentas da biblioteca Poly, também do Google.Ao disponibilizar o programa gratuito, o Google também espera atrair novos desenvolvedores, claro. Isso porque quanto mais desenvolvedores abraçarem a plataforma, mais aplicativos em AR o Google terá para rivalizar com o novo ARKit da Apple.

Fonte: COMPUTERWORLD