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Fachada do prédio atual da biblioteca (Foto: Raul Santana/Banco de Imagens Fiocruz)

Biblioteca de Manguinhos completa 120 anos buscando novas estratégias em prol do conhecimento

Texto por Assessoria de Comunicação do Icict/Fiocruz

Fachada do prédio atual da biblioteca (Foto: Raul Santana/Banco de Imagens Fiocruz)

A biblioteca mais antiga da Fundação Oswaldo Cruz nasceu quase que concomitantemente à própria instituição: os primeiros livros chegaram ao espaço da antiga Fazenda Manguinhos em agosto de 1900. Nos 120 anos seguintes, a Biblioteca de Manguinhos cresceu e tornou-se referência como acervo em ciências biomédicas. Passou por inúmeros desafios e transformações – como, por exemplo, as mudanças nas formas de divulgação científica. Ou o impacto das tecnologias digitais. E, agora, a epidemia do novo coronavírus.

Hoje, ocupa grande parte do Pavilhão Haity Moussatché, no campus central da Fiocruz, onde também funciona o Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), responsável por sua coordenação. Ao mesmo tempo, sua Seção de Obras Raras prossegue instalada no Castelo Mourisco, resguardando milhares de volumes que ajudam a contar a história da saúde e da ciência no Brasil. A biblioteca completa seus 120 anos de vida em meio à pandemia, o que fez com que seu espaço físico tenha permanecido fechado ao público nos últimos meses. Apesar disso, não parou de funcionar. Sua equipe prossegue fazendo atendimentos online. Orientando usuários: pesquisadores, estudantes, cientistas. Oferecendo treinamentos a distância. E, claro, preservando seus acervos. Além disso, tem buscado formas de garantir o acesso à ciência em tempos de crise sanitária.

A história e os desafios da biblioteca mais antiga da Fiocruz foram lembradas no seminário online Biblioteca de Manguinhos – 120 anos: o papel da biblioteca especializada na comunicação e divulgação científica, realizado no dia 7 de agosto. Na abertura, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, anunciou em primeira mão que a insituição receberá financiamento para a digitalização de seu acervo raro e especial. “Os pesquisadores desde o início do século passado sabiam que o conhecimento não podia se restringir aos laboratórios. A memória e o acesso são fundamentais. Por isso apresentamos um projeto e o Ministério da Saúde irá apoiar a digitalização do acervo de obras raras. Um trabalho que será fundamental para que possamos cada vez mais oferecer condições de consulta aos pesquisadores e à população, não só do Brasil, mas de todo o mundo”, comemorou.

Desafios

Também participaram a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Machado, e o diretor do Icict, Rodrigo Murtinho. Nas palavras da vice-presidente, a maior riqueza da biblioteca está na integração entre seu acervo e sua equipe de profissionais. “São várias áreas dentro do campo da saúde, biologia, psicologia, medicina tropical, entre outras, servindo a pesquisadores e docentes de todo o país. Há grande preocupação [da equipe] com a conservação cuidadosa do acervo e com a ampliação do acesso”, observa. Já Murtinho ressaltou que o dia de celebração acontece em um momento complexo para o país. “Estamos diante do maior desafio sanitário da nossa geração, e a Fiocruz vem batalhando dia a dia, apoiando a sociedade no enfrentamento à pandemia. A Biblioteca de Maguinhos tem, desde os tempos de Oswaldo Cruz, uma trajetória marcada pelo desenvolvimento tecnológico e pelo domínio das tecnologias de informação e comunicação, sempre dando grande importância à produção, à comunicação e à divulgação do conhecimento. Nesses 120 anos, ela vem se reinventando, adaptando-se às diferentes fases e desafios, com um trabalho dedicado que envolve a construção das bibliotecas virtuais em saúde, a alimentação cotidiana do repositório Arca, a montagem e o apoio às estratégias de busca para pesquisadores e estudantes, além do desafio de construir uma Ciência Aberta”, declarou.

Detalhe do salão de leitura do Setor de Obras Raras A. Overmeer (Foto: arquivo/Banco de Imagens Fiocruz)

“É uma história que se inicia junto com a da própria instituição. Ouso dizer que somos um dos primeiros embriões da Fiocruz. A biblioteca, aliás, não surgiu como uma estrutura arquitetônica, com livros organizados nas estantes, como é tradicional”, narrou Igor Falce, coordenador da biblioteca. “Nossa história começa quando os primeiros livros foram trazidos da Europa, em 1900, e armazenados ainda em barracões. Nossa memória está na própria gênese e constituição do patrimônio bibliográfico da Fiocruz. Isso se reflete no desenvolvimento científico da instituição. A Biblioteca de Manguinhos sempre foi muito valiosa como fonte de informação para os pesquisadores. E por trás de tudo isso, estão profissionais que se dedicaram e se dedicam a esse trabalho de promover o acesso à informação.” Igor moderou o debateao lado da bibliotecária Tarcila Peruzzo, da Seção de Obras Raras. O evento online teve a participação de Rita de Cássia do Vale Caribé, professora da Universidade de Brasília, que falou sobre o conceito de comunicação científica e o papel das bibliotecas especializadas.

Diante da pandemia, a biblioteca não está fazendo atendimentos presenciais. “Tivemos que nos reinventar e nos adaptar. Peço a vocês, que nos ouvem, que sigam nossos perfis nas redes sociais. Temos buscado aproveitar as potencialidades dessas formas de comunicação, desenvolvendo o atendimento virtual e remoto. Também disponibilizamos recentemente treinamentos online em base científica, abertos ao público, e tivemos uma grande procura”, acrescentou Igor, citando os perfis no Facebook e no Instagram.

Atualmente, a Biblioteca de Manguinhos reúne um acervo de cerca de 1 milhão de volumes, incluindo 7.725 títulos de periódicos científicos da área biomédica, dos quais 887 títulos são correntes, 156 mil volumes de monografias, entre livros científicos, dissertações e teses, anais de congressos etc. Possui ainda acesso às principais bases de dados na área de Ciências da Saúde, uma videoteca com cerca de 1.425 títulos e obras raras, estas com cerca de 70 mil volumes. Aos 120 anos, alia o olhar para o futuro e o passado, aliando a utilização das mais avançadas tecnologias e a democratização do acesso ao usuário com as condições necessárias de preservação e divulgação do acervo das obras raras da Fiocruz.

Fonte: Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz)

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