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Você sabia que existe um mercado potencial para Catalogação além das bibliotecas?

Texto por Rachel Lione

A catalogação é uma das competências técnicas mais antigas e peculiares da profissão bibliotecária e está assegurada pela Lei nº 4.084, de 30 de junho 1962, no artigo 6º que trata das atribuições dos Bacharéis em Biblioteconomia.

De acordo com o Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia, o termo catalogação é definido como:

“Processo técnico para registro e descrição de itens tendo em vista a organização de catálogos. (…) Em sentido mais amplo, a catalogação abrange não somente a descrição bibliográfica, mas também a análise temática com seus produtos, entre eles a identificação temática. ”

A catalogação é uma terminologia mais ampla dos processos de representação descritiva, que detalha informações como autor, título, dados da publicação (editora, ano e local que foi publicado); também descreve características físicas, relacionadas ao formato da obra.

Já a representação temática é o processo no qual o bibliotecário irá atribuir e classificar os assuntos de um determinado item. Esse trabalho frequentemente é associado ao serviço em bibliotecas, no entanto é muito amplo e utilizado em outros contextos além do escopo de uma biblioteca.

A Netflix, empresa que provê conteúdos audiovisuais como filmes e séries de televisão por streaming, frequentemente divulga a contratação para o cargo de Tagger, cuja principal função consiste em assistir conteúdos da plataforma e classificá-los em assuntos de acordo com a terminologia cinematográfica.

É um trabalho do profissional bibliotecário, mas nem todos os contratados possuem essa formação, pelo fato de serem solicitadas outras competências que não são inerentes à profissão (mas deveriam ser), como inglês fluente, conhecimentos em filmes e conteúdos para TV, saber trabalhar em formato de projetos, entre outras.

O ramo de catalogação e classificação de conteúdos audiovisuais em plataformas on-line tem se mostrado uma área em ascendência. A pandemia do coronavírus aumentou exponencialmente a demanda por classificação desses conteúdos, uma vez que as instituições de ensino se viram obrigadas, de maneira brusca, a disponibilizar as aulas de seus cursos nessas plataformas.

A escola onde estudo inglês, por exemplo, é uma dessas instituições de ensino que ofereciam aulas presenciais, com alguns exercícios para serem realizados on-line. Devido às restrições estabelecidas em decorrência da pandemia, passou a disponibilizar o conteúdo das aulas em vídeos. A proposta de estudo oferecida pela escola é que o aluno assista aos vídeos disponibilizados diariamente, de acordo com o seu nível de conhecimento (básico, intermediário ou avançado). Além dessa primeira categoria, as aulas também são classificadas somente por números sequenciais e data da publicação na plataforma.

Para mim essa forma de organização dificulta muito a recuperação de toda a informação contida nos vídeos. Caso precise realizar uma busca por um tema como “Modal verbs”, por exemplo, será necessário lembrar em qual aula esse tema foi tratado (pois não há uma forma de buscar e recuperar a informação) restringindo o aluno a seguir a sequência de estudos proposta pela escola.

Acredito que o trabalho do bibliotecário como catalogador de conteúdos em plataformas é uma competência pouco conhecida pelo mercado de trabalho, inclusive por muitos profissionais do segmento. Neste artigo, foi evidenciado algumas demandas de trabalho e cabe à classe bibliotecária se empoderar das novas áreas de trabalho além do âmbito da biblioteca.

Referências

CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008. xvi, 451 p. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/34113 Acesso em: 29 jun. 2020.

Fonte: LinkedIn

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