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Um livro aberto: um mundo entre as mãos

Em 29 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Livro.

“A leitura é, provavelmente, uma outra maneira de estar em um lugar.” A frase é do escritor português José Saramago, definindo, com maestria, a importância do livro e a transformação que ele causa na vida de quem o desfruta com prazer, com atenção. Já o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade deixava claro a sua fascinação pela leitura, mas também deixa escapar uma certa melancolia: “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede”, dizia o mestre. O genial escritor norte-americano Henry David Thoreau foi taxativo: “Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.”

O escritor piauiense Eneas Barros é outro apaixonado pelos livros, ressaltando a sua importância para a boa formação de um cidadão. Entusiasmado, quando o assunto é literatura, ele observa que, talvez, o hábito de ler o levou a ser escritor: “Eu sempre gostei de ler. Acho que foi por isso que me tornei escritor. Ler é ter parâmetros não apenas para conhecermos uma boa história, mas para mergulharmos em profundidade na construção do conhecimento. Muitos historiadores, hoje em dia, se debruçam sobre os clássicos, para conhecer cenários e entender os costumes de época e o funcionamento das sociedades antigas, retratadas pelos grandes escritores.”

“ A leitura nos abre horizontes e nos ensina estilos. Eu, por exemplo, consegui desenvolver muito da minha narrativa influenciado pelo estilo de Truman Capote, em seu livro “A Sangue Frio”. Capote criou o “romance de não ficção” e abriu um novo estilo literário, aquele em que o autor conta uma história toda fundamentada nos fatos. Cada autor tem uma forma especial de narrativa. Muitos planejam começo, meio e fim, enquanto outros começam pelo fim e mais outros misturam as ações, todos visando despertar o leitor. Eu, por exemplo, não sigo um planejamento quando crio minhas histórias. Acho que fazer ficção é muito difícil, porque eu me preocupo muito com a coerência histórica. Imagine colocar um relógio no pulso de um personagem, em uma época em que existiam apenas relógios de algibeira…”, acentua o escritor.

Eneas Barros admite que seus romances são baseados ou inspirados em fatos: “É óbvio que há ficção, porque não são livros acadêmicos. Mas posso fazer com que personagens históricos se misturem à ficção, para dar dinâmica à narrativa. O escritor inglês Ben Follet disse: “Mesmo as forças econômicas que movem fatos históricos têm sua dimensão na vida íntima. Num livro de história, você sabe que o preço do pão ficou alto. No romance, você vê o desespero do homem para alimentar sua família”.

Concluindo Eneas fortalece a importância da leitura: “Ler é mergulhar em um mundo de possibilidades infinitas, por isso é tão importante para a formação intelectual. Os livros estão repletos de narrativas para todos os gostos, seja na prosa, seja na poesia. Por isso, é tão importante que os colégios e as faculdades estimulem a leitura, notadamente de autores piauienses. O Piauí é dotado de grandes publicações, e precisamos estimular a leitura. E isso precisa ser feito também pelo meio educacional, para ampliar o conhecimento e reconhecer que produzimos literatura de qualidade”, afirma.

Dia Nacional do Livro

Em 29 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Livro. A escolha da data deu-se em homenagem ao dia em que também foi fundada a Biblioteca Nacional do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, quando a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para a colônia, em 1810. O que nem todo mundo sabe é que, inicialmente, os livros eram bem diferentes do que são hoje. Para quem está acostumado com livros de boa aparência, com revisão ortográfica e uma capa bem diagramada, saiba que, antes disso, na Antiguidade, os livros eram feitos de outro modo.

Os primeiros registros gráficos foram feitos em papiro, uma espécie de lâmina retirada do caule de uma planta de mesmo nome e que possibilitava a escrita. Tempos depois os rolos de papiro foram substituídos pelo pergaminho, que possibilitava ser costurado, já que era feito de pele animal e tinha mais resistência.

O papel chegou na Idade Média e os livros, ainda escritos à mão, começaram a substituir os pergaminhos. Em meados de 1455, o alemão Johannes Gutenberg causou a mudança que veio a ser revolucionária para a história da escrita. Gutenberg criou uma técnica de prensa com uma impressora que reproduzia letras e símbolos com relevo esculpidos em metal. O processo espalhou-se rapidamente pela Europa e, logo, pelo mundo.

Edição: Marco Antônio Vilarinho

Fonte: Portal O Dia

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