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Sociedade Humanitária lança campanha para digitalizar acervo santista

Objetivo é levantar R$ 80 mil para proteger o material, atualmente armazenado em pastas

Sergio Willians mostra pastas com exemplares de jornais dos séculos 19 e 20 (Foto: Nirley Sena/AT)

São cerca de 20 mil páginas de um material que guarda a história de Santos, mas se esfarela com o tempo. Para preservar todo o patrimônio guardado nos jornais do acervo da Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio de Santos, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo.

Quem lidera a ação é o historiador e diretor cultural da instituição, o jornalista Sergio Willians – colaborador de A Tribuna na seção quinzenal Era uma Vez… Santos. Segundo ele, serão necessários cerca de R$ 80 mil para contratar uma empresa especializada, que já digitalizou milhões de páginas da Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Se a gente não preservar o que está escrito, o papel, vai chegar uma hora em que vai esfarelar. São muitos jornais, livros e revistas. Inclusive um que separei, do dia 26 de janeiro de 1939, quando Santos fez 100 anos e foi elevada à categoria de Cidade. Foi nesse dia que se inaugurou o Paço Municipal. Na página seguinte, está o vagão 48 da São Paulo Railway, nas primeiras visitas a Santos e, olha, uma foto que eu estava procurando da fábrica da Antarctica onde hoje é a Unip, na Vila Mathias”, folheava Willians.

Ele explica que, após a digitalização, o arquivo em papel será mantido. No entanto, o processo é importante para eternizar os arquivos e compartilhar informações com pesquisadores de qualquer lugar pela internet.

Quem pesquisa consegue ter a dimensão da dificuldade que é encontrar as coisas. Informação é muito valiosa para contar nossa história. Aqui tem revista e livro europeus, por exemplo, que nem na Europa tem mais, por causa das guerras”, lembra o jornalista, que quer conseguir da iniciativa privada e da sociedade a ajuda necessária para o projeto.

Em vez de envolver o Poder Público, vou tentar envolver a sociedade. Hoje, o Memória Santista (página que mantém na internet) tem 13 mil seguidores que gostam de saber curiosidades de Santos. A doação mínima mensal é de R$ 2,00. Se cada um dos seguidores der dois míseros reais por mês, em quatro meses teremos o valor para digitalizar o que se tenta há décadas. Mesmo que eu leve um ano, quero que a coisa aconteça”, explica. A campanha não tem data para terminar.

Como ajudar

Para contribuir com o projeto, basta acessar https://apoia.se/memoriasantista. Lá, é possível escolher valores mensais entre R$ 2,00 e R$ 100,00 por mês e conhecer um pouco mais do projeto.

Quem participar terá em troca algum tipo de benefício, como o nome dentro do blog como apoiador, livros como presentes e, até, artigos publicados sobre qualquer assunto escolhido como recompensa no blog Memória Santista.

É possível escolher o débito automático no cartão de crédito ou a impressão de boletos bancários como forma de pagamento.

Sociedade Humanitária pretende recuperar e alugar salão,
para digitalizar livros com a renda (Foto: Nirley Sena/AT)

Reforma na sede

Mas nem só de digitalização se revive o passado. A própria sede Humanitária é um convite para mergulhar na história santista. Considerada a primeira entidade de assistencialismo do Brasil, ainda tem muito a mostrar e planos para atrair quem quer lembrar o passado.

O presidente da instituição, Manoel Rodrigues Guino, conta que “todo mundo tem uma história para contar de lá (a instituição), ou porque o avô se casou lá ou os pais se conheceram ali. Lá estava a elite da Cidade”, conta.

Ali dentro, é fácil perceber porque há tanta saudade e vontade de reformar. Apesar de construído para ajudar funcionários com educação, saúde e cultura, o prédio recebeu festas e muitos bailes santistas, principalmente na década de 1950. O salão, em estilo art déco, com suas linhas retas, está em reforma para reabertura e locação. Faltam restauração do piso, instalação de sistema de ar condicionado e teto de gesso.

Lá também há memórias ainda mais antigas, como o acervo da maior biblioteca de Santos, que remonta a 1879, ainda na época do Império. São centenas de títulos de vários países – muitos doados pelo médico Silvério Fontes, que fez carreira em Santos. Num segundo momento, tudo deve ser também digitalizado, mas com o dinheiro obtido com a locação do espaço.

Quem visitar o local também pode conhecer não só esse majestoso prédio, o salão e os livros, mas também a sala onde Martins Fontes, o filho de Silvério Fontes, atendia como médico da Sociedade Humanitária. Aliás, seu consultório está praticamente intacto, conservado como na época em que atendia.

Ainda não há data para reinaugurar o salão, mas, segundo o presidente, a pretensão é chamar descendentes de quem ajudou a construir a história da Sociedade Humanitária. “Tenho a lista de quem contribuiu. Devemos pegar os netos, filhos, para participar da festa”, adianta Guino.

Para quem quiser visitá-la, a instituição fica aberta de segunda a sexta-feira, em horário comercial. 

Texto por Sheila Almeida

Fonte: A Tribuna

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