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Sesi promove demissão em massa de bibliotecários, denuncia sindicato

Mais de oitenta profissionais teriam sido demitidos nos últimos dias, situação que se torna ainda mais dramática em função da pandemia, quando a economia se encontra extremamente fragilizada

Texto por Redação

Caminhão do SESI. Foto: divulgação

O Sindicatos do Bibliotecários no Estado de São Paulo (SINBIESP) publicou na última semana uma nota de repúdio contra a demissão em massa de bibliotecários do Serviço Social da Indústria (SESI). Segundo o Sindicato, mais de oitenta profissionais teriam sido demitidos nos últimos dias, situação que se torna ainda mais dramática em função da pandemia, quando a economia se encontra extremamente fragilizada.

Para o SINBIESP, as demissões seriam uma consequência das novas regras trabalhistas implementadas pelo governo do ex-presidente Michel Temer, mas também dos cortes de financiamento do Sistema S, da qual o Sesi faz parte. Recentemente a Medida Provisória 932/2020 determinou a redução de 50% na contribuição feita pelas empresas às entidades que integram o Sistema, pelo período de três meses em função da pandemia.

“Na verdade, as demissões atendem a um projeto de mercantilização da educação, sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino. Sob a lógica do mercado, o que se buscou foi a redução de custos, sobrecarregando assim os que ainda lá permanecem, pois terão que gerenciar 3 ou mais unidades, triplicando a carga de trabalho. Nesse momento difícil, devemos nos unir em defesa da nossa profissão e principalmente aos profissionais, que são vítimas da política de austeridade deste sistema neoliberal implantado no país”, diz a nota.

“Ao reduzir os recursos destinados ao SESI e ao SENAI, sob a justificativa de aliviar o caixa das empresas, o governo cria outro problema muito maior: desarticula e, em alguns casos, inviabiliza a principal rede de apoio à tecnologia e à inovação de empreendimentos industriais, bem como para a formação profissional e a saúde e segurança de milhões de trabalhadores em todas as regiões do país”, afirmou recentemente o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

Numa entrevista ao vivo realizada nos canais da Biblioo nesta segunda-feira, 15, a bibliotecária e deputada federal Fernanda Melchinna (PSOL/RS) disse que pretende denunciar essa questão na Câmara dos Deputados. “O primeiro setor a parar no meio da pandemia foi justamente o setor de cultura e ele vai ser o último a voltar”, observou a parlamentar destacando que faz questão de se pronunciar sobre a demissão dos bibliotecários no Congresso.

MP 932/2020 deve ser votada na Câmara

De acordo com o site Congresso Em Foco, os deputados devem votar nesta semana a Medida Provisória 932/2020, que reduz as contribuições devidas pelas empresas para financiar o Sistema S durante a pandemia. A MP determina o corte de 50% nos meses de abril, maio e junho e alcança as contribuições cobradas pelas seguintes entidades: Sescoop (setor de cooperativas), Sesi e Senai (indústria), Sesc e Senac (comércio), Sest e Senat (transporte) e Senar (rural).

O relator da MP, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), propôs que o corte de 50% das contribuições valesse apenas para abril e maio. Em seguida, voltou a prever uma redução das contribuições no mês de junho, mas em percentual menor, de 25%.

Essa mudança foi articulada pelo governo e alguns partidos do Centrão. Esses percentuais foram defendidos na sessão desta quarta pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), e pelo líder do PL, deputado Wellington Roberto (PB). A votação estava prevista para semana passada, mas, diante das mudanças feitas pelo relator, foi adiada.

A equipe Biblioo procurou o Sesi, mas até o fechamento dessa matéria não obtivemos resposta.

Fonte: Revista Biblioo

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