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Seminário Internacional debateu ética em informação em tempos de pandemia.

Texto por Carolina Cunha

No dia 14 de maio, o grupo de pesquisa Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social (Escritos/Ibict) realizou seu terceiro seminário. O evento, que pela primeira vez aconteceu de forma remota, foi realizado em comemoração aos 50 anos do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI/IBICT-UFRJ).

O seminário contou com a participação dos palestrantes Rafael Capurro (Universidade de Mídia de Stuttgart, Alemanha), Miguel Ángel Pérez Álvarez (Universidade Nacional Autônoma do México) Sarita Albagli e Arthur Coelho Bezerra, ambos do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

Os palestrantes discutiram os diferentes aspectos da ética em informação no cenário da pandemia de Covid-19. “Com a pandemia, surgem novas formas de monitoramento social e de controle. A circulação e compartilhamento desses dados enfrenta uma série de dimensões éticas”, explica Arthur Coelho Bezerra, pesquisador titular da Coordenação de Ensino e Pesquisa, Ciência e Tecnologia da Informação do Ibict (COEPE/Ibict) e líder do grupo de pesquisa Escritos.

Segundo Bezerra, a pandemia trouxe mudanças e levou ao uso de instrumentos de vigilância de dados pessoais para monitorar o comportamento da população, na tentativa de mitigar o contágio do vírus. Como exemplo, o pesquisador citou mecanismos de vigilância digital em massa que foram usados em diferentes países como o uso da biometria, dados georreferenciados e o controle da temperatura corporal.

Para o pesquisador, o controle de dados pessoais pode ser positivo ou negativo. “A vigilância pode ser usada para o controle epidêmico e evitar que a doença se espalhe. Mas ao mesmo tempo, também pode ser usada para um controle ruim: que pode ser feito por terceiros, como empresas e o Estado”, diz Bezerra.

A pesquisadora Sarita Albagli abordou a importância da ciência aberta para que a comunidade cientifica tenha acesso a dados e chegue mais rápido no desenvolvimento de soluções científicas. “A gente prefere entender a pandemia como um acontecimento. Que possivelmente vai acentuar elementos e forças que estão presentes e ao mesmo tempo abrir novas e não previsíveis forças para a construção desse futuro”, avalia.

Albagli abordou a ciência aberta como um ecossistema híbrido que poderia ampliar a quantidade e a qualidade na produção de conhecimento científico. Como exemplos de iniciativas, ela citou o aumento da publicação de artigos pré-print, a aberturas de dados de pesquisa e iniciativas de ciência cidadã que podem contribuir para encontrar vacinas, medicamentos e tecnologias que possam combater essa epidemia.

O filósofo Miguel Ángel Pérez Álvarez falou sobre as implicações éticas do monitoramento de dados e da inteligência artificial no cotidiano. Álvarez citou o exemplo do México, que implementou sistemas de identificação por câmeras para mapear aspectos da mobilidade da população. “Estamos dispostos a renunciar nossa privacidade para não passarmos uma situação de risco? ”, pergunta o professor.  Para ele, essa situação inédita da pandemia nos leva a repensar a nossa existência e a nossa relação de uns com os outros e com a informação.

Capurro, filósofo uruguaio, fez uma reflexão crítica sobre a existência do vírus e os atuais desafios informacionais, como as fake news em um mundo globalizado. “A forma de ser dos vírus muda em um mundo digitalmente globalizado. Existe uma correlação entre os danos que um vírus pode causar local e globalmente e os causados pelas fake news digitais”, diz o pensador. Ele defende a educação como algo necessário para combater a desinformação e o fenômeno da infodemia. Capurro também sugere mudanças na relação dos seres humanos com a natureza como uma das reflexões possíveis sobre esses tempos.

O seminário pode ser assistido na íntegra no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=fJNLf5VBov4

Fonte: Ibcit

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