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Psicóloga alerta sobre a importância da leitura na educação infantil

Na atualidade, em meio a tantas tecnologias, há os que pensam que livro é coisa do passado. Quem sabe o poder que tem uma história bem contada, os benefícios que ela poderá proporcionar, com certeza dirá que não existem tecnologias que substitua o prazer de tocar as páginas de um livro e, por meio delas, descobrir um universo de encantamento. Utilizar a literatura requer dos pais e dos educadores muita sensibilidade para ser primeiramente afetado e, posteriormente, afetar o outro, no universo de sentidos e de significados.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em seu artigo 29, a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família. A educação infantil, necessariamente, ao produzir espaço de ensino-aprendizagem, deve sempre estar preocupada em reproduzir momentos de prazer, de lazer, de construção do lúdico.

Para a psicóloga Renata Dias, criança saudável é criança que brinca. E o livro poderá ser introduzido como um brinquedo facilitador para as primeiras aquisições da criança. “Por meio da literatura, a criança desenvolverá a imaginação, compreenderá suas emoções, seus sentimentos, e com isso, desenvolverá capacidade de expressar melhor suas ideias”, afirma, acrescentando que a escola para as crianças pequenas não deve ser entendida como um espaço onde os pais, para trabalharem, deixam seus filhos para serem cuidados. Renata explica que o educandário deve ser entendido como um espaço de aprendizado no qual, por meio de brincadeiras, acontecerá o desenvolvimento global da criança. “Ingressar na vida escolar desde cedo favorece as relações sociais, um processo permanente de troca mútua de sentimentos, de experiências e de conhecimentos”, completa.

Importância do incentivo a leitura

É necessário incentivar a criança à leitura para que ela se desenvolva como um cidadão crítico, que saiba ler e interpretar, libertando-se do analfabetismo funcional. Pesquisas, que avaliam o grau de alfabetização no Brasil, evidenciam uma preocupante realidade: uma grande parte da população brasileira, que sabe ler e decodificar letras, mal sabe escrever, apresenta severas dificuldades em organizar as ideias na forma escrita, não conseguindo avançar para além do texto, não realizando uma interpretação crítica e de forma reflexiva. Essa realidade pode ser transformada a partir do momento que cada pai/educador estimular a criança para o universo da leitura, criando rotinas de leitura em casa, mesmo que seja uma hora antes de dormir.

É por meio dessa rotina, estimulada de forma espontânea e criativa, que a criança poderá adquirir o hábito da leitura. “Uma atitude de não transformação, de empurrar as possibilidades de mudanças deste contexto para o outro, para a escola ou para o poder público, afastará, para mais distante, a possibilidade de alterar essa realidade do analfabetismo funcional. Entre as atitudes de mudanças possíveis, sugiro aos pais dedicar algumas horas, com carinho e paciência, para conversar e contar estórias para as crianças. E se a criança já cresceu, a dica é um estreitamento de laços, uma aproximação, para conversar sobre seus interesses e oferecer livros, que possam auxiliar em suas descobertas”, comenta a psicóloga.

Saiba mais sobre relação das crianças com os livros

Incentivar a formação de hábitos de leitura na idade em que outros hábitos se formam é fundamental. Assim como despertar a curiosidade para a história e para as estórias, mostrando aos pequenos que bons livros podem ser fonte de prazer e de conhecimento. O desenvolvimento do hábito de leitura deveria ser um processo constante e, obrigatoriamente, ter seu início no lar, para ser aperfeiçoado na escola e ser continuado pela vida.

Para a psicóloga, o hábito da leitura oferece ao estudante uma grandiosa bagagem cultural. Quem não lê terá dificuldades de perceber, de se expressar, de se comunicar com o outro e de interpretar a sua realidade. “O universo da escrita, apreendido através da leitura, desenvolve no estudante formas eficazes para lidar com as informações provenientes do meio no qual ele se encontra inserido e com os próprios processos do pensamento. E ainda, desenvolve aptidões de autorregulação (maior tolerância às frustrações), regulação das próprias atividades cognitivas e de suas estratégias de planejamento. Vale acrescentar também que esse jovem, quando inserido no mercado de trabalho, terá maior abertura ao diálogo na equipe, postura mais colaborativa, maior autonomia e maior desempenho”, acrescenta.

Leitura e alfabetização

A “alfabetização”, segundo a psicóloga Renata Dias, inicia-se mesmo na primeira relação que a mãe (ou cuidador) constrói com a criança. É a mãe que, por meio de seu cuidado, garante não só as funções vitais (fome, sede), mas favorece a constituição da vida afetiva. O cheiro materno, o acalento no corpo de quem cuida, a maneira como somos recebidos e apresentados ao mundo nos primeiros tempos, esse cuidado é uma condição de possibilidades para as primeiras aquisições do processo de subjetivação, ou seja, a base primeira para a alfabetização. “As interlocuções, entre mãe?criança?pai, auxiliarão a criança em sua compreensão de mundo e na decodificação de símbolos. Outra questão que vale ressaltar é que a narrativa faz parte da vida da criança, mesmo antes de seu nascimento. Por meio da voz amada que já fala dela, depois fala com ela, das canções de ninar e, posteriormente, das cantigas de roda. Assim, crianças bem pequenas já demonstrarão interesse pelas estórias e pela história”, esclarece.

Nesse sentido, torna-se fundamental para a formação da criança, que ela ouça muitas estórias. Desde pequena, a criança se encantará ouvindo histórias de como foi que nasceu, dos fatos que aconteceram com ela ou com as pessoas de sua família. Essas histórias reais são fundamentais para auxiliar na construção de sua identidade, permitindo que ela possa compreender melhor as relações familiares.

Oferecer livros às crianças antes do primeiro ano de vida é fundamental, bem como fazer do momento da leitura um momento de curiosidade, de descobertas e de prazer. Assim que a criança conseguir se sentar, e mesmo durante o seu banho, se podem oferecer livros, que são os livros de banho. Dessa forma, o livro será introduzido com naturalidade no cotidiano da criança. “Esse comportamento é mais facilitado quando a família também valoriza e tem a prática da leitura. Ao oferecer um livro à criança é necessário observar quais assuntos chamam mais sua atenção. O vínculo afetivo que se estabelece entre o contador de estórias e a criança também estimulam a sua curiosidade para a leitura. É relevante a postura ativa e criativa do contador de estórias, que traz vida ao enredo à medida que o narra. Isso faz toda a diferença para despertar o interesse pela leitura. Contar e ouvir estórias, junto com quem se ama, é compartilhar uma experiência gostosa e motivadora para novas descobertas”, orienta Renata Dias.

Os livros e as ilustrações

A psicóloga afirma que qualquer livro poderá despertar a curiosidade da criança, basta que o contador de estória promova uma interação afetuosa e animada. Segundo Renata Dias, é importante levar a criança para o universo da magia e do encantamento das palavras, com entonação de voz que dá vida a narrativa e que faça brilhar seus olhos. Dessa forma a curiosidade é ativada e a criança se motivará para saber mais e mais. “O livro sem texto, apresentando somente ilustrações, pode também ser um convite à autonomia, colocando o contador e a criança como autores da estória que pode ser narrada, como construtores da própria narrativa, como sujeitos da própria história. Assim, desde cedo, a criança poderá perceber sua responsabilidade de ser, o que a permitirá atuar e fazer diferença no mundo no qual vive”, observa.

O livro pode ser considerado um brinquedo e por isso deve ser carregado por todos os lugares pela criança.

? Dos 10 meses a 2 anos:  é importante que sejam estórias curtas, com gravuras simples e atrativas. Livros de plástico, pano, e, até mesmo, com fantoches.

? Dos 2 aos 3 anos: desejável que sejam estórias com textos simples e poucos personagens. Livros com fantoches podem ser excelentes opções para aumentar o vocabulário da criança, auxiliando-a também na construção de noções básicas.

? Dos 3 aos 6 anos: estórias que sugerem vivências de seu ambiente familiar e escolar. Há também os livros Puzle (quebra cabeça) para várias faixas etárias.

De acordo com Renata Dia, o educador, ou os pais, só estimulará a criança para o universo literário, se ele sentir primeiro o despertar de seu próprio encantamento pela leitura. “Não há como deixar a educação do filho nas mãos de outra pessoa e querer que a criança tenha um desenvolvimento saudável”, finaliza.

Fonte: Jornal Correio da Cidade

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