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Primeiro curso de Biblioteconomia da América Latina nasceu na Biblioteca Nacional

Em, 1911, percebendo a carência de formação do quadro de funcionários da Biblioteca Nacional, seu diretor, Manuel Cícero Peregrino da Silva criou, dentro da própria BN, um curso de Biblioteconomia. Esse curso foi o primeiro da América Latina e o terceiro no mundo e seguia o modelo da Ecole de Chartres (França).

A primeira turma foi formada em 1915. Na Biblioteca Nacional, estudavam-se as seguintes matérias básicas: Bibliografia (que abrangia História do Livro, Administração de Bibliotecas e Catalogação); Paleografia e Diplomática; Iconografia e Numismática. O ensino era teórico e prático. A parte prática era feita na própria Biblioteca, utilizando os seus serviços, considerados padrão.

Ao longo de um século, professores renomados como Cecília Meireles, Afrânio Coutinho e Sérgio Buarque de Hollanda abrilhantaram o curso, que forneceu as bases para os conhecimentos da profissão. Ainda hoje, a BN é referência em inovações e tecnologias do setor, em especial sobre temas como preservação e digitalização de acervos.

A foto acima, de 10 de abril de 1915, registra a inauguração do Curso de Biblioteconomia na Biblioteca Nacional: João Gomes do Rego, sub-bibliotecário diretor da seção de numismática; Constâncio Alves, bibliotecário diretor da 1ª seção; Rui Barbosa, então conselheiro; Manoel Cícero Peregrino da Silva, diretor da BN; Ancelmo Lopes de Souza, bibliotecário diretor da 3ª seção; e Alfredo Mariano de Oliveira, secretário da Biblioteca Nacional.

Constancio Alves, bibliotecário-diretor da Seção de Imprensa, na Biblioteca Nacional, lendo da tribuna da sala de conferência a sua primeira lição, que foi ao mesmo tempo a lição inaugural do curso de Biblioteconomia

“O ensino especializado, visando a formação do técnico em clima humanista, reestruturando-se em função das condições universitárias, permitiu que o bibliotecário se convertesse em um assessor cultural com missão supletiva na própria educação do povo“, dizia o intelectual Adonias Filho, no catálogo da exposição comemorativa dos 50 anos do Curso, em 1965.

12 de março

O Dia do Bibliotecário é comemorado em homenagem ao engenheiro e bibliotecário por vocação, Manuel Bastos Tigre. Manuel foi bibliotecário do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ingressou com um estudo sobre a Classificação Decimal. Não por acaso, pois conhecera, nos EUA, o bibliotecário Melvil Dewey – que desenvolveu o Sistema de Classificação Decimal, que vemos nos livros. Sabe o código CDD que você usa pra localizar um livro na estante da biblioteca? Então, foi ele. O encontro de Tigre com Dewey foi decisivo pra que, em 1915, aos 33 anos, Manuel abandonasse a engenharia para se dedicar à Biblioteconomia.

Transferido, em 1945, para a Biblioteca Nacional, Manuel  ficou até 1947, assumindo, depois, a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil, onde trabalhou, mesmo depois de aposentado, com o Reitor Pedro Calmon de Sá.

Posteriormente, o curso de Biblioteconomia criado pela Biblioteca Nacional foi transferido para a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), onde continua até hoje, como referência no país.

A esses profissionais, nossos parabéns pelo seu dia. E nosso muito obrigado!

Fonte: Blog da Biblioteca Nacional

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