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Por que este museu em BH é modelo de segurança contra incêndio

O aparato do Museu de Artes e Ofícios para atuar em situações de emergência

Gustavo Werneck

Museu de Artes e Ofícios (MAO), na Praça Rui Barbosa (Estação), no Centro de BH, é referência para o Corpo de Bombeiros em segurança(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Visitar um museu é abrir os olhos para a beleza, mergulhar fundo na cultura e sair com a sensação de que aprendeu e se divertiu. Em Belo Horizonte, o Museu de Artes e Ofícios (MAO), na Praça Rui Barbosa (Estação), no Centro, é referência para o Corpo de Bombeiros em segurança, pois, de acordo com os militares, dispõe de todos os elementos que compõem o sistema de prevenção de combate a incêndio e pânico. Levantamento do Ministério Público de Minas Gerais ao qual o EM teve acesso revela que, um anos depois do trágico incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, Minas tem mais de 80% de imóveis do patrimônio sem sistema contra incêndio.

Com até 150 mil visitantes por ano e mais de 2,5 mil itens em exposição – o prédio é tombado pelo Iepha e o acervo pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) –, o equipamento apresenta extintores, sistema de alarme, hidrante, sinalização, rota de fuga e brigadistas, entre outros, informa a supervisora técnica Gabriela Araújo Batista.

Inaugurado em dezembro de 2005 pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez, presidido pela empresária Ângela Gutierrez, o MAO está desde 2016 vinculado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, via Serviço Social da Indústria (Sesi/Fiemg). “Todos nós somos brigadistas. Eu, por exemplo, já vou para o terceiro curso”, conta Gabriela.

Sistema de proteção contra chamas, alarmes e funcionários treinados são destaque no Museu de Artes e Ofícios de BH(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Já na tricentenária Santa Luzia, os moradores anseiam pela reabertura da Casa de Cultura/Museu Histórico Aurélio Dolabella, na Praça da Matriz, que guarda a memória local e o acervo referente à Revolução Liberal de 1842, que terminou na cidade e opôs as tropas do Exército, chefiadas por Luís Alves de Lima e Silva (1803-1880), o Duque de Caxias, e os liberais sob o comando do mineiro Teófilo Otoni (1807-1869). O casarão que, conforme pesquisas recentes teria sido hospital para os feridos nos combates, tem projeto para restauração pronto e bancado pela prefeitura e aguarda o sinal verde do Iepha e do Iphan para ser posto em prática, informa o secretário municipal de Cultura, Ulisses Brasileiro.

“Estamos só aprovando a liberação dos projetos para começar as obras. Acreditamos que isso será possível em outubro, devendo a intervenção durar um ano e meio. Parte dos recursos está garantida pelo Fundo Municipal de Cultura, devendo o restante ser captado, via lei de incentivo, em empresas instaladas aqui”, explica o secretário.

Demanda por ações urgentes em Santa Luzia

Casa de Cultura/Museu Histórico Aurélio Dolabella, em Santa Luzia, guarda a memória local e o acervo referente à Revolução Liberal de 1842(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

O historiador Marco Aurélio Fonseca, a arquiteta e paisagista Márcia Souza e a paisagista Márcia Dantas, mostraram as dependências do imponente imóvel que requer ação mais do que urgente. O valioso acervo, durante muito tempo guardado em situação precária e de forma inadequada, se encontra, agora no Salão da Baronesa, sobrado da Rua Direita, no Centro Histórico de Santa Luzia, entregue aos cuidados da conservadora de arte Maria Clara de Assis e da museóloga Juliana Facre.

Em resposta ao Estado de Minas, a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, informou que o projeto apresentado pela Prefeitura de Santa Luzia foi aprovado pelos técnicos da autarquia federal. Em nota, a direção do Iepha informa que o projeto de restauração da Casa de Cultura de Santa Luzia está em processo de análise: “Em reunião em julho com as arquitetas da Prefeitura de Santa Luzia, técnicos da instituição orientaram sobre as adequações necessárias no projeto, visando à sua aprovação. O Iepha aguarda o encaminhamento do projeto revisado, conforme acordado em reunião, para as devidas providências”.

Encontro de museus em BH

Casa de Cultura de Santa Luzia aguarda liberação de recursos para passar por reformas(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Reiterando a necessidade de ações de prevenção e “cuidado diário” com os bens culturais, além da realização de projetos, a diretora de Museus da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Ana Werneck, informa que, no período de 11 a 13 do próximo mês, no Arquivo Público e Museu Mineiro, BH será sede do Encontro Estadual de Museus, com o tema “Gestão de risco e segurança”, em parceria com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Um dos focos está na capacitação técnica. “O Ibram tem especialistas de renome e haverá estudo de casos, sendo um deles o bom exemplo em capacitação do Museu do Ouro, em Sabará”.

Mesmo com problemas de sobra e susceptíveis a riscos, os museus brasileiros tiveram aumento na visitação após a tragédia no Nacional. De acordo com o Ibram, a média este ano, em relação ao mesmo período em 2018, foi de 31% – para se ter uma ideia de público, cerca de 38,4 milhões de pessoas estiveram em 1.405 museus, contra 32,2 milhões em 2017.

“A tragédia no Rio, associada ao incêndio da Catedral de Notre-Dame, em Paris, França, abriu os olhos para a gestão e prevenção de riscos e levou a uma maior conscientização das pessoas para seus bens culturais”

Margareth Monteiro, diretora-interina do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto

Considerado um dos três do país (vinculados ao Ibram) com maior número de visitantes – os outros são o Imperial, de Petrópolis (RJ), e o da República, na capital fluminense –, o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, na Região Central do estado, registrou 40% de aumento nas férias de julho, com 32 mil pessoas – nos primeiros seis meses de 2019, houve 100 mil visitantes, devendo superar os 210 mil do ano passado.

“A tragédia no Museu Nacional no Rio, associada ao incêndio, em abril, da Catedral de Notre-Dame, em Paris, França, abriu os olhos para a gestão e prevenção de riscos e levou a uma maior conscientização das pessoas para seus bens culturais, despertando o sentimento de pertencimento”, avalia a diretora-interina do Inconfidência, historiadora Margareth Monteiro. “Estamos numa efervescência”, resume.

Fonte: Gerais – Jornal Estado de Minas

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