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Para ler, ouvir e assistir literatura

Evento on-line na USP e filmes no site “Persona Cinema” ampliam formas de conhecer livros e autores

Por Maria Laura López

Audiobooks ganham cada vez mais espaço no mercado editorial – Ilustração: Nicola Einarson via flickr

O ato de gravar uma leitura é tão antigo quanto o próprio gravador, mas os audiolivros ou audiobooks, como conhecemos hoje, foram inventados nos Estados Unidos por volta de 1930, e tinham como objetivo tornar conteúdos literários acessíveis para deficientes visuais. Hoje em dia, essa ferramenta possui várias utilidades que vão desde auxiliar nos estudos a promover clubes de leitura a distância. E é justamente esta última ideia que o Centro Universitário Maria Antonia da USP propõe para todos aqueles que o acompanham.

A atividade O Que Você Está Lendo Agora? consiste em gravar um vídeo, com até três minutos de duração, lendo o trecho de um livro e falando um pouco sobre ele. Com isso, a instituição pretende incentivar não só a leitura, mas também a interação com o público neste momento em que encontros presenciais não são permitidos. Até agora alguns clássicos já foram narrados, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Guerra e Paz, de Tolstói, e O Quarto Branco, de Daniela Aguerre. Os vídeos devem ser enviados para imprensama@usp.br, e serão publicados nas redes sociais do Maria Antonia.

Dentre os primeiros livros a serem narrados em audiobooks estavam a Bíblia, peças de Shakespeare e a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Atualmente esse catálogo é muito maior e aparece como tendência no mercado editorial. “No ano passado, a maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, reservou uma área de 600 m2 para empresas de áudio”, afirma a professora Vânia Lima, do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Entretanto, para a narração completa de um livro, é necessário ter os direitos autorais. Por isso a maior parte das iniciativas gratuitas na internet propõe apenas uma leitura parcial das obras.

A professora Vânia Lima, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Arquivo pessoal

Segundo Vânia, o isolamento que estamos vivendo hoje não tem tanta influência sobre a procura por esse tipo de suporte, até porque o acesso ao livro físico continua o mesmo – só a compra precisa ser feita on-line. “A opção do audiobook me parece estar mais vinculada a um perfil de consumidor específico, que quer se apropriar de novos conteúdos enquanto realiza outras atividades, como cozinhar, caminhar e dirigir”, diz ela. Nesse sentido, o audiolivro aparece como o podcast na vida cada vez mais movimentada das pessoas.

No entanto, para a professora, as experiências de ler e ouvir são muito distintas e individuais. “Além de livros e audiolivros serem objetos diferentes, eles também são caminhos diferentes pelo mesmo universo. A influência na compreensão da obra literária também me parece uma questão individual”, afirma Vânia. Segundo ela, o fato de o cérebro processar a informação escrita diferente da informação sonora faz com que algumas pessoas assimilem melhor o texto e outras respondam melhor ao estímulo visual e sonoro. 

Cinema sobre autores e livros

São várias as possibilidades de compreender e discutir literatura para além da simples leitura de uma obra. No âmbito do audiovisual, o site Persona Cinema fez uma lista com dez documentários que falam sobre personalidades da literatura brasileira. Os filmes aparecem com os respectivos links e pequenos comentários sobre os autores ali destacados. Dentre eles estã0 Wilson Martins (1921-2010), autor de História da Inteligência Brasileira e um dos maiores críticos literários brasileiros e grandes escritores como Manuel Bandeira (1886-1968) e Adélia Prado.

A lista termina com um filme sobre Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos maiores representantes da poesia brasileira. E alguém que pode resumir bem o que é a literatura no Brasil e os artistas como ele: “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.”

Fonte: Jornal da USP

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