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O papel dos livros para superar a ignorância, o ódio e a recusa ao diálogo

O vandalismo na biblioteca da Unicamp e a expulsão de venezuelanos do País são o tema da coluna de Renato Janine

Dois casos ocorridos na última semana são o foco da coluna do professor Renato Janine Ribeiro: o ato de vandalismo na biblioteca Antonio Candido, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pichações de conteúdo racista, nazista e de apologia à violência; e a expulsão de 1.200 venezuelanos da cidade de Pacaraima, em Roraima. Para o colunista, o ódio une os dois episódios, assim como a recusa ao conhecimento.

Provavelmente são fruto da perda da esperança no futuro, e estão ligados à situação pela qual passa o Brasil atualmente. Deveríamos insistir na superação do clima de ódio que tomou conta do País e que implica na recusa absoluta do diálogo”, diz o colunista.

Janine recorda que, em 1933, ao chegarem ao poder na Alemanha, os nazistas perseguiram certos grupos sociais e fizeram grandes fogueiras de livros. E que esse tipo de ataque é muito grave e é algo recorrente na história da humanidade. Ele lembra da Biblioteca de Alexandria e de um sultão que conquistou a cidade no século 7, que dizia: “Se os livros que lá estão contradizem o que diz Deus, devem ser destruídos. Se dizem o mesmo que diz Deus, são desnecessários”. “O livro sai dessa dicotomia, de repetir ou contrariar Deus, pois tem seu próprio caminho, que é descobrir novas coisas”, destaca o colunista.

Se o mundo atual conhece tão mais que o tempo desse sultão ou mesmo o tempo da Idade Média no mundo cristão, ou ainda o tempo recente de 100 ou 200 anos atrás, ou ainda o tempo das pessoas de mentalidade reacionária, é porque hoje nós sabemos que não sabemos. Aprendemos, depois de 2 mil anos, a lição de Sócrates. Sabemos que temos grandes ignorâncias e, por isso mesmo, procuramos supri-las, conhecê-las, aprender mais. Não teríamos o sucesso nas ciências se não fosse a nossa crença na nossa ignorância, que pode ser superada, em parte, pelos livros e pelas pesquisas que eles trazem dentro deles.”

Fonte: Jornal da USP

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