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O legado do provocador Antônio Abujamra vira acervo cultural

FOTO: JAIR BERTOLUCCI

André, o músico, disse ao irmão, Alexandre, advogado e administrador de empresas: “Temos de virar a página”. Mas como fazer isso se no apartamento de Antônio Abujamra, o pai dos dois, se acumulavam mais de 5.400 livros, 3.100 peças de vários autores e 720 DVDs? E havia ainda centenas de fotos, quadros, cartazes, programas de teatro, filmes e prêmios. Morto há quatro anos, o provocador dramaturgo, diretor, ator e apresentador de TV será o homenageado no dia 13 de maio com a abertura do acervo que leva o seu nome, dentro da sede do Brás da SP Escola de Teatro, na Zona Leste de São Paulo. O filho André, ex-Mulheres Negras e Karnak, comandará um show em família nessa data.

ACERVO ANTÔNIO ABUJAMRA CONTA COM MILHARES DE LIVROS, FOTOS, QUADROS, CARTAZES, PEÇAS, PROGRAMAS DE TEATRO, PRÊMIOS, FILMES… (FOTO: PATRÍCIA RIBEIRO/SESC-SP)

Alexandre, o filho mais velho, chegou a procurar a cidade de Ourinhos, terra de nascença do pai, cuja prefeitura no interior paulista se prontificou a receber a biblioteca. Mas, por intermédio da atriz Clarisse Abujamra, sobrinha do dramaturgo, o acervo acabou indo para a SP Escola de Teatro, instituição ligada à Secretaria Estadual de Cultura. As obras que pertenceram a Abujamra ficarão sob comodato e serão de livre consulta.

Nas negociações com o governo paulista, a família também conseguiu que o atual auditório venha a ser rebatizado, no segundo semestre, como Teatro Antônio Abujamra. O cenógrafo J.C. Serroni, que trabalha na SP Escola de Teatro, fez a expografia do acervo. “Não é como o acervo do José Mindlin, mas para nós era como se fossem troféus”, diz Alexandre. Há algumas obras raras, como os roteiros da série O Pequeno Mundo de Dom Camilo, adaptação do texto de Giovanni Guareschi e apresentada na TV Tupi paulista, em 1958. Há ainda materiais de quando ele estagiou no Berliner Ensemble, no fim dos anos 1950, a mítica companhia fundada por Bertolt Brecht. Abujamra introduziu o método brechtiano nos palcos brasileiros.

“Ele foi a pessoa que mais dirigiu peças na história, e nenhuma com subsídio do governo”, garante Alexandre, que adianta que a biografia do pai, Calendário de Pedra, escrito por Ida Vicenzia, já está pronta e à procura de uma editora. Abujamra começou a dirigir em 1962, com Antigone América, peça que tinha no elenco Ruth Escobar, Dina Sfat, Sérgio e Cláudio Mamberti. Passeou, na direção, por autores como Dias Gomes, Ariano Suassuna, Plínio Marcos, Sófocles, Molière, Máximo Gorki, entre tantos. Foram mais de 80 direções de peças. Foi premiado como ator em O Contrabaixo, de Patrick Suskind, montagem de 1987. No cinema, atuou em filmes como Festa, de Ugo Giorgetti, e Quem Matou Pixote, de José Jofilly. Dirigiu e participou de telenovelas, como Que Rei sou Eu?, da TV Globo. Ficou mais de 15 anos no ar com o programa Provocações, na TV Cultura.

Fonte: CartaCapital

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