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O caminho para a liberdade: conheça o projeto que leva livros para presas

Projeto recolhe obras literárias para serem doadas a detentas. O primeiro acervo será distribuído esta semana. O objetivo, agora, é ampliar a proposta e criar mecanismos para que essas mulheres tenham novas perspectivas ao sair da prisão

O bibliotecário Cristian Brayner é o idealizador da iniciativa: literatura tem vocação universal e transita livremente
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

A liberdade e a distância dos julgamentos são algumas das características do ambiente que a literatura pode proporcionar. É por meio da criação desse clima que um projeto pretende ajudar as detentas do Presídio Feminino de Brasília, a Colmeia — com um olhar desprendido de princípios, mas focado na educação. De várias regiões de Brasília e até mesmo de Recife e da Bahia vieram mais de 172 obras literárias doadas para a iniciativa. O acervo, previsto para chegar à unidade de detenção esta semana, tem como objetivo contribuir para muito mais do que apenas a remição de pena das presidiárias.

Idealizador do projeto, o bibliotecário e doutor em literatura Cristian Brayner, 40 anos, conta que a ideia surgiu a partir da publicação em uma rede social de duas pessoas que arrecadavam livros para serem distribuídos às detentas. O objetivo, agora, é ampliar a proposta e criar mecanismos para que essas mulheres tenham novas perspectivas ao sair da prisão e retornar ao ambiente familiar. “As obras servirão de pontapé inicial para uma política pública séria. Sei que lá (no presídio) existe uma biblioteca, mas precisamos entender a necessidade da comunidade e dar circulação para esses textos”, explica.

O livro, segundo o bibliotecário, é um instrumento cultural de fácil circulação no sistema prisional, o que deve impulsionar o projeto. O objetivo no longo prazo é vinculá-lo às secretarias de Educação e de Segurança Pública e buscar o apoio de instituições de ensino superior públicas e privadas. Na avaliação de Bayner, a literatura tem vocação universal e, por isso, transita livremente. “Temos uma limitação de produtos culturais em presídios, até mesmo por questões de segurança. Mas, com uma obra literária, podemos tocar essas mulheres para sempre.”

Mudança

Inserir a literatura no cotidiano das detentas pode representar uma quebra de paradigma. O sentimento de culpa pelas pessoas que as esperam do lado de fora, como filhos e outros familiares, acaba inibindo a vontade de estudar. “A leitura pode ajudar a amenizar o sentimento de solidão, pode ampliar perspectivas e mostrar outras vidas e mundos possíveis, uma vez que permite a quem lê a oportunidade de, a partir de diferentes gêneros literários, conhecer e imaginar experiências diferentes das suas”, comenta a professora de língua portuguesa Gina Vieira Ponte de Albuquerque, especialista em educação a distância e em desenvolvimento humano, educação e inclusão escolar.

“Ler liberta a imaginação e estimula a criatividade. Quando lemos, aprofundamos o nosso nível de autoconhecimento e fortalecemos a nossa consciência crítica, porque, a partir da leitura, conseguimos elaborar emoções e sentimentos que, normalmente, temos dificuldades para nomear”, detalha a professora.

A diretora executiva da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), Dilma Imai, considera que a literatura dentro do cárcere funciona para impulsionar as detentas. “Esse tipo de ação trabalha até mesmo a autoestima. Temos muitos depoimentos de pessoas que foram presas e passaram a reconhecer a importância da leitura”, destaca. A Funap é responsável pela ressocialização, qualificação profissional e empregabilidade de presas no Distrito Federal, onde há cerca de 700 mulheres encarceradas e aproximadamente 16 mil homens, segundo a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF).

Para saber mais 

Redução de pena

Ler pode reduzir o tempo de pena dos detentos dos regimes fechado e semiaberto. A decisão está em vigor desde 2016, autorizada pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal. De acordo com a portaria, a cada livro lido, o detento poderá ter remição de quatro dias. É preciso apresentar uma resenha sobre o assunto abordado no texto perante uma banca. As normas preveem que o preso terá o prazo de 21 a 30 dias para terminar de ler a obra. A cada ano, o infrator pode reduzir até 48 dias da condenação.

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Saiba como doar

Telefone: (61) 98193-8688

E-mail: crijol@gmail.com

Texto por Walder Galvão

Fonte: Correio Braziliense

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