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Notre-Dame e outros oito edifícios mundiais destruídos pelas chamas

Museu Nacional do Rio de Janeiro, Biblioteca de Alexandria e Bundestag são apenas alguns exemplos de edifícios emblemáticos que foram destruídos pelas chamas ao longo dos tempos.

O fogo deixou uma ferida a céu aberto na catedral de Notre-Dame em Paris. A Europa e o mundo incrédulos. Mas esta não é a primeira vez que o fogo destrói uma parte importante da História.

Museu Nacional do Rio de Janeiro

Museu Nacional do Rio de Janeiro em chamas em setembro de 2018
Foto REUTERS/Ricardo Moraes

Na noite de 2 de setembro de 2018 o Museu Nacional do Rio de Janeiro ficou destruído por um incêndio causado por um curto-circuito num aparelho de ar condicionado. Era considerado o maior museu de história natural e antropologia da América Latina com mais de 20 milhões de peças. Entre o acervo estava o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil.

Situado na Quinta da Boa Vista, o edifício albergava uma vasta coleção museológica, desde arte indígena a meteoritos e a um importante espólio de egiptologia, mas destacava-se também por ter sido residência dos Bragança no Brasil, tanto no período colonial até 1822, como depois já da independência até à proclamação da república em 1889. Na Sala do Trono havia mobiliário e objetos vários que pertenceram à família real, depois imperial.

Oferecido por um rico comerciante à família real portuguesa quando esta chegou em 1808 ao Rio de Janeiro para escapar às tropas napoleónicas, o Palácio de São Cristóvão foi residência de D. Maria I até à morte em 1816 e de D. João VI até regressar a Lisboa em 1821. Lá viveu D. Pedro I do Brasil (IV de Portugal) e lá nasceu a nossa D. Maria II, além de D. Pedro II do Brasil, ambos filhos da imperatriz Leopoldina, uma Habsburgo.

Catedral de Turim

Incêndio na Catedral de Turim em 1997© D.R.

Na noite de 11 para 12 de abril de 1997, a catedral dedicada a São João Batista e o Palácio Real de Turim, no noroeste de Itália, foram devastados por um incêndio. Um bombeiro conseguiu salvar o Santo Sudário, uma das relíquias mais veneradas pelos católicos, tendo destruído com um martelo o vidro à prova de bala em que se encontrava. Trata-se do manto em que se acredita que Jesus Cristo foi envolvido depois de ter sido crucificado.

O Santo Sudário foi retirado intacto. O edifício, do século XV, estava a ser restaurado. No Palácio Real, adjacente à catedral, tinham estado a jantar vários dignitários da cidade de Turim com o então secretário-geral da ONU Kofi Annan. A capela Guarini, que normalmente abrigava o Sudário, ficou totalmente destruída durante o incêndio. A capela foi encomendada pelo duque Carlos Manuel I de Saboia (1580-1630) a Carlos de Castellamonte para manter conservado o Sudário, então o maior tesouro da Casa de Sabóia, que foi por muitos anos dono do síndone. O projeto da capela foi posteriormente herdado por Amedeo de Castellamonte, filho de Carlos, e depois pelo suíço Bernardino Quadri. Finalmente, em 1667, a construção foi confiada ao arquiteto Guarino Guarini, que, depois de deixar Paris, se estabeleceu na então capital da Sabóia.

Uma das principais obras da arquitetura barroca, a capela Guarini da catedral de Turim voltou a abrir ao público, recuperada, a 27 de setembro do ano passado, ou seja, 21 anos depois de ter ardido.”Estou feliz e honrado por estar aqui, para ver restaurada para a cidade e para o mundo esta capela quase em sua totalidade após 21 anos de muito trabalho e desafios à inteligência e à tecnologia”, disse na altura o Arcebispo de Turim e Guardião do Sudário, Dom Cesare Nosiglia, durante a cerimónia oficial de reabertura da capela.

Biblioteca de Alexandria

Recriação do que seria a vida na Biblioteca de Alexandria, realizada pelo artista alemão O. Von Corven, baseada em evidências arqueológicas da época© D.R.

Nascida durante o período helénico, na cidade portuária de Alexandria, no Egito, a Biblioteca de Alexandria foi uma das mais célebres bibliotecas da história e um dos maiores centros de saber da Antiguidade, refletindo os valores da época, ou seja, difundindo o saber grego clássico para Oriente. Conteria entre 400 mil a 700 mil livros, o que não é muito, se comparado com coleções atuais de outras bibliotecas mundiais. Só a Biblioteca do Congresso dos EUA tem cerca de 164 milhões de volumes.

A sua construção, do século 3 a.C, foi patrocinada por Ptolemeu II, que, sendo um apreciador da filosofia grega, apoiou a criação de diversas escolas sediadas na Biblioteca, além de museus e coleções permanentes, que atraíram diversas figuras eminentes de todo o mundo antigo para Alexandria. A sua destruição da biblioteca, a oeste do rio Nilo, nas margens do Mediterrâneo, é um evento histórico que divide os historiadores. Uma versão dá ao fogo origem acidental atribuído aos árabes durante toda a era medieval.

Uma das outras várias versões conta que Júlio César, passando por Alexandria ao perseguir seu rival Pompeu, não só foi presenteado com a cabeça de seu inimigo, mas também com o amor de Cleópatra, irmã de Ptolomeu XII. Envolvido pela paixão, toma o trono pela força, entrega-o à Rainha e aniquila todos os tutores do antigo rei, com exceção de um, que foge das suas garras. Determinado a não deixar sobreviventes, manda incendiar todos os navios, incluindo os seus, para que ele não pudesse escapar pelo mar. O fogo teria ganhado proporções e atingido uma fração da biblioteca.

O governo do Egito, ainda no tempo de Hosni Mubarak, construiu uma nova biblioteca em Alexandria, em 2002, perto do local da antiga. Custou 65 milhões de dólares e tornou-se rapidamente uma referência para África. Além de livros, abriga, igualmente, museus, auditórios, laboratórios e planetário. Tem a maior coleção de livros de África. E a maior coleção de livros em francês do mundo árabe. Também a nova biblioteca foi alvo de um incêndio, em 2003, devido a um curto-circuito. As chamas foram debeladas ao fim de 45 minutos. 40 pessoas sofreram ferimentos.

Museu da Língua Portuguesa em São Paulo

A 21 de dezembro de 2015, as chamas tomaram conta dos três andares e da cobertura do Museu da Língua Portuguesa, no centro de São Paulo, que naquela segunda-feira estava fechado ao público.

Ficou tudo em cinzas. Na altura, Isa Ferraz, curadora do museu, classificou o incêndio como uma “tragédia”. Um bombeiro morreu ao abrir uma porta enquanto o edifício estava a pegar fogo.

Inaugurado em março de 2006, era um dos museus mais visitados do Brasil e da América do Sul, tendo sido o primeiro do mundo dedicado exclusivamente à língua portuguesa. Esta é falada por 270 milhões de pessoas. Em todos os continentes.

A estrutura ainda está a ser reconstruída e a previsão é que fique pronta até final deste ano. Os responsáveis pela restauração estão a aproveitar para reformar a fachada até em áreas que não foram atingidas pelo fogo, como, por exemplo, a torre do relógio.

A EDP é o maior patrocinador do museu. À empresa portuguesa junta-se o Grupo Globo e o Grupo Itaú, além do apoio do governo do Brasil, por via da Lei Federal de Incentivo à cultura.

Ópera de Veneza

Ópera de Veneza já renasceu das cinzas duas vezes ao longo da História© D.R.

Inaugurado a 16 de maio de 1792, o Teatro La Fenice, A Fénix em português, é o principal teatro lírico de Veneza, no noroeste de Itália. Já foi destruído duas vezes pelas chamas e reconstruído. Daí ter esse nome. É a Fénix que renasceu das cinzas.

A primeira vez que foi destruído por um incêndio foi a 13 de dezembro de 1836, tendo sido reconstruído logo de seguida, repetindo o mesmo projeto. Em 1937, um século mais tarde, foi restaurado por Eugenio Miozzi.

A segunda vez foi a 29 de janeiro de 1996, quando o teatro ficou totalmente destruído num incêndio, que foi provocado. O autor do crime foram dois eletricistas que tentaram, por essa via, evitar punições contratuais por atrasos no serviço que lhe tinha sido encomendado. Em 2001, os dois foram condenados. Enrico Carella, dono da empresa, levou sete anos de prisão. Massimiliano Marcheti, o seu cunhado, apanhou seis anos.

Após oito anos de obras, o teatro para o qual Giuseppi Verdi compôs várias óperas, como La Traviata e Il Rigoletto, voltou a ser inaugurado, a 14 de dezembro de 2003, com um concerto dirigido por Ricardo Muti.

Castelo de Windsor

Bombeiros apagam fogo no Castelo de Windsor em 2010© D.R.

A 20 de novembro de 1992, toda a parte nordeste do castelo de Windsor, residência real no oeste de Londres, foi destruída por um incêndio. As chamas, que por pouco não atingiram os apartamentos privados da Rainha Isabel II, deflagraram numa capela. Um projetor que foi deixado demasiado perto dos cortinados sobreaqueceu e incendiou o tecido de uma das cortinas.

Após cinco anos de obras de restauro, em cerca de cem salas afetadas, cobrindo 7 mil m2, o castelo reabriu ao público em 1997. O Castelo de Windsor foi construído no século XI, pelo rei Guilherme I. Foi uma das residências oficiais da realeza britânica, além de maior, é o castelo habitado mais antigo da Europa. Em 2018, foi muito falado pois foi aí que, a 19 de maio, o príncipe Harry casou com a atriz Meghan Markle.

Biblioteca de Sarajevo

Em plena guerra da Bósnia, a 25 de agosto de 1992 os sérvios bósnios incendeiam a biblioteca nacional da Bósnia, em Sarajevo. Construída em 1896, apenas 300 mil livros, no meio de um milhão de obras, conseguiram ser salvas.

A reconstrução do edifício começou em 1996, já depois dos acordos de Dayton, que puseram fim à guerra, tendo sido, e parte, financiada pela UE. A biblioteca de Sarajevo voltou a ser inaugurada em 2014.

Reichstag

Incêndio no Reichstag no tempo do regime nazi de Hitler© D.R.

O Reichstag, o prédio que abriga o parlamento alemão (Bundestag), é uma das atrações mais visitadas de Berlim. Projetado por Paul Wallot e inaugurado em 1894 é edifício de estilo neo-renascentista.

Na madrugada do dia 27 para 28 de fevereiro de 1933, quatro semanas após Adolf Hitler ter sido nomeado chanceler, o prédio pegou fogo em circunstâncias misteriosas que nunca foram totalmente esclarecidas. O fogo destruiu a sala do plenário e a cúpula do Reichstag. Este incêndio foi usado como pretexto pelos nazis para iniciar a perseguição aos seus opositores.

Extremamente danificado pelo incêndio e durante a II Guerra mundial, o prédio foi restaurado entre 1961 e 1971, mas o desenho foi simplificado. O prédio foi restaurado sem a cúpula, que fora destruída a 22 de novembro de 1954, para evitar maiores danos no prédio.

Após a reunificação da Alemanha, com o regresso do Parlamento de Bona para Berlim deu-se nova restauração. Esta começou em 1995 e ficou concluída em 1999. O projeto do arquiteto britânico Sir Norman Foster adicionou uma cúpula de vidro de 23,5 metros de altura sobre a sala do plenário. Esta tem no seu interior um caminho em forma de espiral que conduz até ao topo do edifício. Todos os anos, cerca de 3 milhões de pessoas visitam o edifício do Reichstag em Berlim. A entrada, reservada com antecedência, é gratuita.

O Reichstag, o prédio que abriga o parlamento alemão (Bundestag), é uma das atrações mais visitadas de Berlim. Projetado por Paul Wallot e inaugurado em 1894 é edifício de estilo neo-renascentista.

Na madrugada do dia 27 para 28 de fevereiro de 1933, quatro semanas após Adolf Hitler ter sido nomeado chanceler, o prédio pegou fogo em circunstâncias misteriosas que nunca foram totalmente esclarecidas. O fogo destruiu a sala do plenário e a cúpula do Reichstag. Este incêndio foi usado como pretexto pelos nazis para iniciar a perseguição aos seus opositores.

Extremamente danificado pelo incêndio e durante a II Guerra mundial, o prédio foi restaurado entre 1961 e 1971, mas o desenho foi simplificado. O prédio foi restaurado sem a cúpula, que fora destruída a 22 de novembro de 1954, para evitar maiores danos no prédio.

Após a reunificação da Alemanha, com o regresso do Parlamento de Bona para Berlim deu-se nova restauração. Esta começou em 1995 e ficou concluída em 1999. O projeto do arquiteto britânico Sir Norman Foster adicionou uma cúpula de vidro de 23,5 metros de altura sobre a sala do plenário. Esta tem no seu interior um caminho em forma de espiral que conduz até ao topo do edifício. Todos os anos, cerca de 3 milhões de pessoas visitam o edifício do Reichstag em Berlim. A entrada, reservada com antecedência, é gratuita.

Fonte: Diário de Notícias

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