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Nem tudo são rosas na arte de colecionar livros

A professora Marisa Midori dá continuidade à série sobre as memórias dos livros e das bibliotecas, e conta uma das histórias de Mário de Andrade

Texto por Claudia Costa

“Há muitos aspectos que aproximam nossos escritores-leitores, mas me parece que todas essas memórias podem ser sintetizadas em uma fórmula borgeana: ‘Toda biblioteca é autobiográfica’. Mas o fato é que nem tudo são rosas nas histórias dos colecionadores”, afirma a professora Marisa Midori em sua coluna Bibliomania.

A professora mesmo já vivenciou uma grande decepção bibliográfica, como conta: “Há muito queria um livro do Alberto Manguel, A Biblioteca à Noite. A edição estava esgotada e, para minha surpresa, ela reapareceu em um site de venda de livros. Comprei. (…) O formato era menor do que o esperado. O acabamento da capa brilhante, deselegante. A impressão das letras, um desconcerto, naquele cinza de dar pena.  As ilustrações, muitas, aliás, fico imaginando o cuidado do autor na seleção de tantas imagens, uma afronta aos apaixonados por livros e bibliotecas. E o golpe de misericórdia: a mancha veio tão apertada que, para ler o livro, é preciso esgarçar o volume, porque a margem interna ficou muito grudada na dobra da lombada. Uma indelicadeza bibliográfica, para dizer em poucas palavras”.

Mas, como Marisa lembra, há muitas histórias sobre esses “malogros bibliográficos”, citando a de Mário de Andrade, um colecionador apaixonado. “A história, quem a conta é o meu querido Marcos Antonio de Moraes. Mário subscreveu seu nome no programa de uma edição de luxo do romance de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, ilustrada por Cândido Portinari, e promovida pelos Cem Bibliófilos Aprendiz”, relata a professora, informando ainda que, devido à Guerra e a vários outros problemas, a edição demorou a ser publicada e, quando finalmente saiu, veio a decepção. “E eu reproduzo um trecho da carta que Mário de Andrade endereça a Cândido Portinari: chega a ‘ser infame que, numa edição desse luxo, tenham botado o último caderno da impressão em papel diferente. É o cúmulo’. Depois de se dirigir infatigavelmente à Sociedade dos Cem Bibliófilos, Mário se recolhe, consternado. Não obtivera resposta. Em 25 de fevereiro de 1945, ele faleceu.”

Fonte: Jornal da USP

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