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Museus e patrimônio no Brasil são tema de jornada de estudos na Universidade de Borgonha

BORGONHA, Dijon – No próximo dia 12 de março, das 9h45 às 17h, o Centro Georges Chevrier – Sociétés et sensibilités realiza a Jornada de Estudos: ‘Museus e patrimônio no Brasil: experiências comunitárias e insurgentes’.

By Universität von Burgund – fr:Fichier:Université de Bourgogne (logo).svg, (Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=14864057)

O evento é organizado pelo antropólogo, professor do Departamento do Instituto Diderot da Universidade de Borgonha e diretor do Centro Georges Chevrier, Pr. Jean-Louis Tornatore.

A Jornada de Estudos apresentará situações únicas que possibilitarão destacar a singularidade das abordagens e práticas brasileiras. Efeito direto da “mobilidade externa”, apoiado pela região da Borgonha, Franche-Comté é uma primeira realização de uma parceria entre a Universidade de Borgonha e da Universidade Federal de Pelotas (RS).

Com o evento dá-se início a uma rede de pesquisa que liga o Centro Georges Chevrier (Universidade de Borgonha), o Programa de Pós-graduação em Memória Social e Patrimônio (Universidade Federal de Pelotas), o Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído Sustentável e Patrimônio (Universidade Federal de Minas Gerais) e da Universidade Federal de Goiás (Bacharelado em Museologia e Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social).

Clique aqui para obter maiores informações.

Programa
10:00-10:15
Jean-Louis Tornatore (uB, CGC)
abertura

Manhã: 10.15-12.30
Moderador: Alain Chenevez (uB, CGC)
Manuelina Duarte (Universidade de Liège e Universidade Federal de Goiás, Brasil)
Museologia social no Brasil: origens, políticas públicas e experiências
Influenciado pelos franceses, a Nova Museologia, também enraizada na singularidades brasileiras, alimentou o pensamento de Paulo Freire e da Museologia social no Brasil, tendo como momentos-chave: o 1º Encontro Internacional de Ecomuseus no Rio de Janeiro (1992) e a criação do Programa Pontos de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus (2009). A conferência apresentará essa trajetória, caracterizará a política pública mencionada e mostrará algumas experiências concretas.

Maria Leticia Mazzucchi Ferreira (Universidade Federal de Pelotas, RS, Brasil)
O programa Pontos de Memória: um ensaio sobre participação popular?
O programa Pontos de Memória foi criado no Brasil sob o governo do PT e estava ligado aos Ministérios da Justiça e da Cultura. A ideia de memória estava diretamente ligada aos processos de identidade e reparação simbólica dos grupos socialmente excluídos. Entre as várias experiências creditadas como “Pontos de Memória” estão os chamados “museus comunitários”. Serão apontados os problemas e o progresso desta política memorial no país.

14h-17h
Moderador: Yannick Sencébé (AgroSup Dijon, CAESER)
Hugues de Varine
Inculturação na museologia brasileira
Ao lado de um conjunto de movimentos inovadores em vez inclusivos do que pode ser atribuída a uma “nova museologia” brasileira (educação patrimonial, o trabalho sobre a memória, ecomuseus, museus comunitários e territórios), constato o aparecimento de formas, redes e personalidades que marcam museologias invenção específica para certas populações usando o museu como uma ferramenta de luta política, social, cultural, econômica, na sociedade brasileira. Três áreas são particularmente exemplares em seus objetivos e métodos: museologia indígena, museologia afro-brasileira e museologia LGBT. Estamos testemunhando fenômenos que surgiram desde a década de 1990 e são particularmente relevantes no novo contexto político. Pode-se falar de uma “inculturação”, em reação a formas de opressão.

Leonardo Castriota (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil)
Heranças dos insurgentes. Estetização e resistência cultural no Brasil contemporâneo
Nos últimos anos, têm-se multiplicado nas cidades brasileiras de “ação direta” iniciativas de ocupação e reutilização de locais públicos e edifícios de valor patrimonial de forma crítica – mais ou menos clara – a representatividade da poder constituído ou mesmo casos formais de participação, como os conselhos do património, que se inscreveram na luta pela redemocratização do país desde a década de 1970, será proposto elementos problematização desta perspectiva “insurgente” no Área de patrimônio, ocupação de ruas abandonadas ou não utilizadas, praças e prédios no Brasil, desafiando o direito à cidade e à memória.

Jean-Louis Tornatore
Conclusão. Perspectivas: insurgências, contra-hegemonia
Gostaríamos de propor um contraste entre as situações brasileira e francesa. O desenvolvimento notável aqui da museologia social e uma expressão insurgente de ligações patrimoniais deve ser medido contra a possibilidade de escrever um cenário contra-hegemônico do patrimônio. Na encruzilhada de ambos, questiona-se a possibilidade de “devolver” instituições museológicas e patrimoniais e, consequentemente, sua capacidade de transformação social e resistência à hegemonia política e econômica.

Os oradores
Manuelina Duarte professor de museologia da Universidade de Liège (Bélgica) e Professor do Programa de Pós-Graduação (Mestrado / PhD) em Antropologia Social da Universidade Federal de Goiás, no Brasil. Foi Diretora do Departamento de Processos Museológicos do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) de 2015 a 2016.

Maria Leticia Mazzucchi Ferreira é professora da Universidade Federal de Pelotas e pesquisadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Memória Social e Patrimônio Cultural e do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas, CNPq. Ela realiza pesquisas sobre museus de memória e patrimônio em lugares de sofrimento.

Hugues de Varine é ex-diretor do ICOM. Ele é ator e observador de ecomuseus e museologia social. Suas publicações incluem a cultura dos outros (Le Seuil, 1976) As raízes do futuro (ASDIC, 2002) O museu singular e plural (Paris, L’Harmattan, 2017).

Leonardo Castriota é professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador adjunto do Programa de Pós-Graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. Atualmente, ele está conduzindo pesquisas sobre heranças insurgentes

Fonte: Revista Museu

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