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Mercado editorial pode superar crise se voltar à essência

Ocupação de nichos específicos e retorno às origens, com curadoria e preservação de qualidade, são soluções

Por Caroline Aragaki

Abril é conhecido como o mês de comemoração internacional do livro. A data surgiu em homenagem a Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, que morreu nessa época. Pensando nisso, a Rádio USP analisa o mercado editorial brasileiro com ajuda de Paulo Verano, professor da disciplina de Mercado Editorial da Escola de Comunicações e Artes da USP.

O mercado editorial brasileiro é baseado em dois pilares principais: um pilar é a compra governamental de exemplar, então o governo é um grande comprador de livro do Brasil; e, por outro lado, um mercado que se baseia em grandes livrarias”, afirma Verano. De acordo com ele, há problema nos dois pontos, visto que o governo novo ainda está reorganizando o Ministério da Educação (MEC) enquanto grandes livrarias passam por crise.

Esse cansaço das grandes livrarias, demonstrado pela situação da Livraria Cultura e da Saraiva, decorre de uma combinação complicada. Da parte das livrarias, aluguéis muito caros para uma grande manutenção. Da parte das editoras, o modelo de negócio baseado na consignação, ou seja, em que livrarias recebem os livros sem pagar e repassam o valor para as editoras apenas quando as vendas se concretizam.

O professor comenta maneiras de tornar o mercado mais sustentável. Uma delas é vista no exemplo da Amazon, que se mostra como um local de escoamento de livros adequado ao comportamento do mercado. A outra está no retorno de pequenas e médias livrarias de rua: “O segredo pode estar no religamento das livrarias com sua essência: oferecer diversidade e inovação para os leitores”, através da ocupação de nichos específicos e retorno às origens, com a ideia de curadoria e preservação da qualidade. Livros de giro rápido, como best-sellers, não são eficientes. Mas ele ressalta que grandes editoras estão buscando sair dessa crise e inovando em seu modelo de negócio: a formação de coletivos editoriais é um dos exemplos. 

No começo dos anos 2000, o livro digital era visto como uma grande ameaça para o livro impresso. O especialista comenta que essa visão não corresponde à realidade. “O livro digital não substitui o livro físico, aparece como mais uma opção. Talvez superadequado para determinados tipos de livro, para obras de referência, por exemplo.” Para ele, o livro impresso se mostra como uma tecnologia muito atual ainda por ser claramente portátil. Uma outra alternativa a esse modelo são os audiolivros.

Verano analisa a situação quanto à diminuição no hábito de leitura de maneira mais profunda, refletindo sobre o que seria um hábito de leitura e o que é ler, visto que “as redes sociais são exercício permanente de leitura e escrita” e os estudos se baseiam somente na leitura de livros. Ele acredita que as pessoas têm lido mais, porém o livro deixa de ser sua única ferramenta e, “para o mercado editorial, é claro que isso é preocupante”.

Ouça a matéria:

Fonte: Jornal da USP

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