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Mais leitura e menos fake news

O Ibope deve divulgar em março a nova edição da pesquisa Retratos da Leitura, realizada em 2007, 2011 e 2015, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, entidade mantida pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros, pela Câmara Brasileira do Livro e pela Associação Brasileira de Editores e Produtores de Conteúdo e Tecnologia Educacional. Serão ouvidas 5 mil pessoas em todas as regiões do país. O objetivo é saber se os brasileiros estão lendo e com que frequência. A considerar os últimos levantamentos, o resultado não deve ser nada animador.

“Sempre esperamos que melhore, claro, mas, se olharmos para outras avaliações, como para a qualidade da nossa educação, vemos que isso também não está melhorando. Se não melhora a educação, dificilmente vai melhorar a qualidade da leitura”, diz a coordenadora da pesquisa, Zoara Failla. A última mostra, divulgada em 2016, indicou que 44% da população não lê e que 50% nunca compraram um livro. A média de leitura era de 4,96 livros ao ano, na prática, 2,43 se se considerar que foram lidos até a última página. E pior ainda: quando a pesquisa pergunta quantos livros de literatura foram lidos até o fim apenas por vontade própria, sem demanda de escola por exemplo, esse número cai para 1,26 livro ao ano por pessoa. Na França, a média de livros lidos por ano é 21.

Os números são mais do que preocupantes, são alarmantes. Um das primeiras constatações é como os brasileiros estão, dessa forma, vulneráveis à praga das fake news. Quem não lê não aprende a pensar, não aprende a concatenar ideias, não tem capacidade crítica para interpretar as informações absorvidas. É obrigado a acreditar no que ouve. Logo é alvo fácil para consumir e propagar notícias falsas. A leitura leva ao desenvolvimento da capacidade crítica, do questionamento constante. Se uma pessoa não tem uma base elementar, pode virar massa de manobra dos mais diversos interesses, principalmente escusos.

Além do risco de fake news, a falta de leitura estimula a ignorância e a estupidez, que grassam hoje no Brasil. Para citar apenas um exemplo, há muita gente por aí acreditando e propagando a conversa fiada de que a Terra é plana, uma insensatez que caiu por terra, sem trocadilho, há 500 anos. Em setembro de 1519, o navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521) se aventurou na expedição que entrou definitivamente nos livros de história: a primeira volta ao mundo de caravela, uma circum-navegação ao globo que durou até 1522. Ele viajou a serviço do rei de Espanha ao extremo sul do continente sul-americano, cruzou o Pacífico, atravessou o famoso estreito que hoje leva seu nome e chegou à Terra do Fogo. Mas quem não procura se informar sobre o passado, matou as aulas de história ou nunca frequentou escola insiste na ignorância da Terra plana, sabe-se lá com que objetivo.

A propósito, acaba de chegar ao mercado brasileiro o livro A formação da leitura no Brasil, da professora da Unicamp Marisa Lajolo e da professora do Instituto de Letras da UFRGS Regina Zilberman, pela editora Unesp, um extenso panorama do nascimento, da consolidação e das transformações das práticas de leitura no Brasil, um investimento intelectual que só começou por aqui na metade do século 19, já repleto de deficiências.

Fonte: Diario de Pernambuco

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