Página inicial / Notícias / Livro impresso X Ebook: três experiências sensoriais distintas

Livro impresso X Ebook: três experiências sensoriais distintas

Por Daniel Susumura dos Santos

Cada dia mais a tecnologia tem se integrado aos hábitos diários, os cadernos são substituídos por tabletes, as locadoras de filmes em vídeo e DVD, os telefones fixos se tornaram raros nas residências, as chamadas na sala de aula passaram a ser online, o bloquinho do garçom foi parar no smartphone e as pessoas têm cada vez mais lido livros digitais (ou e-books) em seus aparelhos e-readers, tablets ou smartphones. Esses são só alguns exemplos de como essa revolução vem modificando o mercado. Mas será que os livros impressos vão resistir a essa mudança?

De acordo com o Eduardo Villela, que é book advisor e, por meio de assessoria personalizada, orienta pessoas ao longo dos processos de escrita e publicação de suas obras, o livro impresso não vai deixar de existir. “Diferente do que muita gente pensa, o livro digital é uma nova mídia que contribui para que o livro impresso seja cada vez mais lido. Na prática, várias pessoas que compraram, leram e gostaram do conteúdo de um ebook acabaram comprando também a versão impressa da mesma obra por diferentes razões”, revela.

Outro ponto que faz os livros impressos se manterem como preferência entre os leitores são seus aspectos sensoriais. Abaixo Eduardo Villela, lista as principais diferenças entre o livro impresso X ebook. Confira:

Toque

O tato é um sentido muito fundamental que utilizamos enquanto lemos uma obra. “Quando estamos com uma obra em mãos sentimos a textura das páginas, fazemos anotações e marcações nos trechos que sentimos mais conexão. No caso do ebook, muitas vezes ele funciona mais como um arquivo estático, a exemplo de um texto em PDF: não conseguimos fazer edições, até é possível inserir anotações e marcar as páginas que nos chamam mais a atenção, mas a experiência difere daquela de um livro impresso. Nele, dobramos as páginas, anotamos em qualquer canto de uma página, podemos criar uma ilustração, um gráfico e destacamos trechos do texto com canetas e marca-textos de diversas cores”, conta Eduardo Villela.

Visão

Presente tanto no livro impresso como no digital esse sentido possibilita a leitura da obra observando todos os detalhes, desde as linhas, parágrafos, imagens, ilustrações, até a diagramação e toda sua estrutura. De acordo com Villela, esse sentido faz toda diferença quando estamos com um livro de culinária, viagem e turismo, artes, fotografia e HQs em mãos. “Um livro impresso que possua imagens como um guia de viagem e turismo, chama mais a atenção do leitor do que sua versão em e-book, além disso, ele pode fazer anotações durante o percurso. Por melhor que seja a resolução das imagens de um livro digital em uma tela, é mais agradável para nossa visão vê-la ao vivo e em cores no papel”, explica o especialista.

Cheirinho de livro novo

Quem nunca foi a uma livraria e abriu um livro só para sentir o cheirinho de novo? O olfato é um sentido que também acompanha nossa leitura. “Nada melhor que cheirinho de livro novo. O cheiro gostoso do papel impresso é um encanto e traz memórias. A experiência de ler um livro pode acontecer em diversos lugares, em um parque, no caminho do trabalho, na fila do cinema, em um centro comercial, ela pode vir acompanhada do olfato, enquanto estamos lendo também sentimos cheiros que nos trazem lembranças e um contexto em sua volta” reflete o Book Advisor.

Já o livro digital atualmente usa apenas dois sentidos, a visão e, se ele estiver integrado à mídia audiovisual trazendo um ou mais vídeos, a audição. “É claro que você usa o tato ao segurar em suas mãos um e-reader, tablet ou smartphone para ler seu livro digital, mas não é a mesma coisa que tocar em uma página de livro. A experiência de toque com o livro impresso é outra”, salienta.

Para o book advisor não há um melhor ou pior, o conteúdo oferecido nos dois modelos é realmente o mesmo. “Atualmente, o simples ato de dedicar uma parte de seu tempo para ler um livro é uma conquista que precisa ser valorizada pelo próprio leitor, mas para quem se interessa em ter uma experiência sensorial completa e até emocional com seu livro, não há como negar: o livro impresso é a alternativa mais indicada” finaliza.

Sobre Eduardo Villela

Graduou-se em Relações Internacionais e cursou mestrado em administração, ambos na PUC-SP. Trabalha com escrita e publicação de livros desde 2004, já lançou mais de 500 livros de variados temas, entre eles gestão, negócios, universitários, técnicos, ciências humanas, interesse geral, biografias e ficção infanto-juvenil e adulta.
Trabalhou como editor de aquisições de livros universitários e de negócios na Editora Saraiva, editor de livros de negócios na editora Campus-Elsevier, gerente editorial de todas as linhas de publicações na Editora Gente e copublisher e diretor comercial da Editora Évora.

Mais informações em www.eduvillela.com

Fonte: jornaldiadia.com.br

Sobre admin

Check Also

Bate-Papo FGV | Desafios e dificuldades na cultura e no mercado editorial no país, Marieta de Moraes

Clique na imagem para assistir o vídeo A cultura perdeu o protagonismo no Brasil no …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *