Foto Divulgação AlescFoto Divulgação Alesc

Um livro de poesias, cuja leitura será obrigatória para os candidatos do Vestibular 2020 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), causou polêmica na sessão ordinária de terça-feira (17), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

O assunto foi tema de pronunciamento do deputado Jessé Lopes (PSL), na parte inicial da sessão. O parlamentar criticou a inclusão do livro “Um útero é do tamanho de um punho”, de Angélica Freitas, na lista de obras para o vestibular unificado das duas universidades.

Na tribuna, ele leu pontos de algumas poesias. Os textos faziam referências a elementos cristãos e aos órgãos reprodutores masculino e feminino.

Indignado com o teor das poesias, Jessé apresentou moção, de número 463/2019, na qual repudia a inclusão da obra no vestibular.

A deputada Luciane Carminatti (PT) afirmou que se absteria da votação por não conhecer o conteúdo do livro.

O deputado Bruno Souza (sem partido) declarou apoio à moção. “Livro de péssimo gosto. Fico pensando onde estão os clássicos, as leituras fundamentais para o desenvolvimento dos jovens”, disse.

Luciane, então, pediu que a votação fosse nominal, ou seja, cada deputado teria que manifestar seu voto no painel do plenário. Para a deputada, a moção representa censura.

“Dizer o que cabe ou não do ponto de vista da arte, não cabe aos legisladores. Os legisladores têm que cumprir com a Constituição”, disse a parlamentar.

“Não sei se o problema de alguns é da cintura pra baixo ou do pescoço pra cima. Isso nós ainda vamos ter que descobrir”, completou.

O autor da moção afirmou que passou vergonha ao comprar ao livro. Disse, ainda, que presentearia Luciane com a obra “para que ela possa presentear alguém da família que tenha 18 anos e que queria saber qual o tamanho do útero e se um punho cabe dentro dele.”

Jessé Lopes também recebeu apoio dos deputados Jair Miotto (PSC) e Ana Campagnolo (PSL).

O deputado Ivan Naatz (PV) criticou a atenção dada ao tema e classificou o debate como “triste e cômico”.

“É como se a gente não tivesse nada para fazer. Santa Catarina com tantos desafios e nós perdendo tempo para discutir o que alguém vai ler ou não vai ler. Chega a ser vergonhoso para a Assembleia Legislativa”, pontuou Naatz.

A moção 463/2019 não chegou a ser votada por falta de quórum e se não for retirada pelo autor, será apreciada nas próximas sessões da Alesc.

Fonte: ocp.news