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Literatura: portal para outros mundos

É no que o livro infantil pode se transformar quando se sabe estimular a leitura nas crianças

Aos 9 anos, Mariana Vilches Guiné já é uma leitorinha assídua, graças ao estímulo da mãe

“Quando estou lendo, acho que estou viajando e indo para outro mundo. A leitura é o mundo da imaginação.” 

Assim a pequena Mariana Vilches Guiné, de 9 anos, descreve sua experiência com a literatura, que descobriu muito cedo, antes mesmo de aprender a ler, divertindo-se com livros de imagens. É claro que ela tem muito a comemorar amanhã – 2 de abril -, Dia Internacional do Livro Infantil.  

“Quando ela ainda tinha meses, eu já comprava livros de banheira, com música…”, lembra a mãe de Mariana, a bancária Arali Gimenes Vilches Guiné, também leitora assídua e apaixonada. “A leitura me desconecta do cotidiano, me relaxa. Sempre tenho um livro de cabeceira”, declara a mãe.  

Hoje a menina considera a leitura um hábito de lazer, que vivencia no quarto, um pouco antes de dormir, no banheiro ou na biblioteca do colégio. “Quando pego um livro na escola leio no mesmo dia”, revela Mariana, que já faz sua própria seleção. “Escolho pelo tamanho de texto. Gosto dos mais longos”, diz, emendando que, agora, pretende iniciar a leitura da série Harry Potter.  

Para Arali, o exemplo é o maior incentivo. “Fico orgulhosa de vê-la apreciar a leitura, porque o livro ajuda na formação, no conhecimento, na paciência…”, declara Arali. 

Exemplo

Para o escritor e pedagogo André Luís Oliveira, que tem 17 obras de literatura infantil publicadas, o exemplo de Arali é a forma mais efetiva de incentivo à leitura, porque a criança aprende mais pelo modelo do que pela retórica. “Vendo seus pais, irmãos mais velhos e mestres tendo uma relação prazerosa com o livro, desperta nela a curiosidade e o desejo de vivenciar isso”, diz.  

Oliveira também cita como exemplo a mãe ou o pai contando histórias na beira da cama, numa experiência lítero-afetivo. Ressalta que é importante também oportunizar a leitura como lazer para a criança. “Incluir no repertório de entretenimento situações como contadores de histórias, a exaltação do livro como arte, objeto de beleza”, cita. 

Dificuldades 

Como educador, Oliveira identifica duas grandes dificuldades à introdução da leitura às crianças, hoje: professores que leem pouco e a forte concorrência da tecnologia.  

“As escolas aderiram muito à tecnologia e acho até que é necessário. Mas vejo que a literatura nem sempre tem sido protagonista nos processos de aprendizagem. É sempre interessante começar pela literatura e, após ela, se pode ir aos sites de pesquisa”, opina.  

Essa interdisciplinaridade é essencial também na opinião do escritor e professor Alexandre Azevedo, com 120 livros infantis publicados. “Ziraldo já disse: ler é mais importante que estudar. Uma ideia antiga e que funciona. Monteiro Lobato fazia isso, a interdisciplinaridade.

A criança aprendia matemática lendo A Aritmética da Emília; aprendia geografia lendo A Geografia de D. Benta; gramática lendo Emília no País da Gramática. Quem leu O Homem que Calculava, de Malba Tahan, passou a gostar de matemática ou, pelo menos, a não vê-la como um bicho de sete cabeças”, exemplifica. 

Escritor Alexandre Azevedo: “a literatura é, antes de tudo, uma diversão”

Obras têm que seduzir 

Alexandre Azevedo acredita que toda criança gosta de literatura e o autor chega a desempenhar até mesmo um papel de herói para o pequeno leitor.  

“A criança trata o livro infantil como um brinquedo. Para ela literatura é, antes de tudo, uma diversão. É claro que ela, nessa sua diversão, está aprendendo. Isso só a literatura é capaz de fazer. É a magia do livro infantil”, opina.  

Para André Oliveira, para que um livro seduza uma criança, são necessários um texto e ilustração que respeitem sua sagacidade, uma narrativa que instigue e surpreenda, uma história contada com qualidade literária, rimas e estética. “Às vezes é difícil a criança pegar um livro, mas se ela pega um bom, é difícil de largar”, comenta.

Mas o que não pode faltar em um livro infantil? “Um mãozinha folheando esse livro. Agora, se ela vai gostar do que viu ou do que leu, isso é pessoal, depende de cada leitor”, defende Azevedo.

E como a literatura tem como função implícita o aprendizado, a linguagem usada precisa ter identificação com o universo infantil. “Uso a linguagem coloquial, isto é, a mais próxima do nosso falar, mas com o cuidado de não vulgarizá-la. Sigo um conselho do grande cultor de nossa língua, o padre barroco Antônio Vieira: simplicidade não é sinônimo de vulgaridade”, afirma Azevedo.

Semiíramis Paterno: o livro de imagem permite que o leitor oralize as histórias a partir de sua compreensão

Ilustração é parceira importante 

Na conquista do leitor infantil, texto e ilustração têm de ter sincronia perfeita. “A ilustração é tão importante que, às vezes, não é preciso texto, não é mesmo?”, comenta Azevedo, referindo-se aos livros de imagem, que permitem aos pequenos ainda não alfabetizados se aventurarem pela literatura.

Semíramis Paterno (foto acima), que já ilustrou obras de outros autores, tem dez livros de imagens. “É um gênero literário em que se conta uma história a partir de um alfabeto visual, feito de signos e símbolos. Esta narrativa apenas visual encanta, surpreende, ensina, desperta o senso crítico, aguça a imaginação, bem como a observação e a percepção dos fatos”, explica.

Para ela, ao prescindir do verbo, o livro de imagem permite que o leitor oralize as histórias a partir de sua própria compreensão. “Assim eles vão criando um texto, compondo um poema, teatralizando, desenvolvendo situações apenas sugeridas nas imagens e, a partir daí, refazendo o todo de modo novo e pessoal. Além de serem ricas experiências do olhar”, conclui. 

Texto: Valeska Mateus

Fonte: A Cidade ON

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