Página inicial / Biblioteconomia / Bibliotecas / LGBTQ+ nas bibliotecas

LGBTQ+ nas bibliotecas

Consumo cultural e a busca de espaços inclusivos

Por Marília Paiva| Presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região (MG e ES)

O combate ao preconceito contra pessoas LBGTQ+ é uma atitude cada vez mais necessária. Paulatinamente, essa parcela da população conquista representatividade em filmes, músicas, propagandas e livros, ocupando cada vez mais espaço. A participação cultural é notória. A pesquisa Cultura nas capitais: como 33 milhões de brasileiros consomem diversão e arte informa que pessoas assumidas LGBTQ+ acessam mais atividades culturais em geral que pessoas declaradas heterossexuais.

O levantamento ainda revelou que a leitura é um hábito importante, sendo que esse costume ficou em segundo lugar como preferência da comunidade LGBTQ+, e 75% dos entrevistados responderam que têm o hábito de ler livros e 51% responderam ter frequentado uma biblioteca nos últimos 12 meses. Trata-se de um grupo participativo e que frequenta efetivamente as bibliotecas, mesmo com a aparente escassez de ações e iniciativas de inclusão focadas nesse público.

O bibliotecário precisa também buscar formas de suprir as necessidades de informação e demandas desse grupo, incentivando a participação contínua nas atividades, além de torná-lo mais representado também no acervo. Apurar, selecionar e disponibilizar obras, artigos e informativos com representatividade LGBTQ+ é uma forma de transformar a biblioteca em um ambiente mais inclusivo.

Mudança de padrão

A biblioteca deve buscar, por meio de acervo, serviços e atividades, incluir todas as esferas e grupos sociais, especialmente as minorias. Temáticas como a saúde, direitos, história e desafios da comunidade LGBTQ+ devem estar à disposição nas prateleiras. O investimento em obras ficcionais com personagens desse grupo também é uma forma de investir numa sociedade que admita e até aprecie mais as diferenças.

A oferta de obras com personagens e temáticas fora do padrão heteronormativo enriquece a biblioteca, que deve ser um espaço física e intelectualmente acolhedor e seguro, estimulando atividades direcionadas também a esse público.

Em outros lugares do mundo, a preocupação com a inclusão já é uma realidade, promovendo atividades e campanhas nacionais. O Mês do Livro LGBT é um exemplo, celebrado em junho como iniciativa da Associação Americana de Bibliotecas (American Library Association – ALA) com a proposta de atender as necessidades de informação e acesso da comunidade LGBTQ+, do público em geral e dos profissionais de bibliotecas que se identificam como gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transgêneras.

Os eventos e programações em bibliotecas são incentivados em todas as regiões, convidando a comunidade local. As ações podem ser simples, mas devem ser muito bem planejadas de modo a promover a inclusão de pessoas que ainda têm que lutar cotidianamente para demonstrar o valor de suas próprias existências.

Fonte: O Tempo

Sobre admin

Check Also

Você sabia que existe um mercado potencial para Catalogação além das bibliotecas?

Texto por Rachel Lione A catalogação é uma das competências técnicas mais antigas e peculiares …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *