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Ler: uma viagem transformadora rumo ao autoconhecimento

A leitura apresenta a seus adeptos um universo que possibilita uma viagem transformadora para um processo prazeroso de autoconhecimento

Texto por Maria Priscila Martins

No mês do leitor a homenagem ao jornal cearense “O povo”, de 1928, se transformou em uma honra também aos apaixonados pela literatura. A atividade representa uma forma de absorção onde a imaginação é estimulada por colocar a cabo do leitor a criação de cenas, personagens e situações. Em meio à velocidade com a qual somos bombardeados na internet, criar sua própria e única forma de compreender determinado tema e ter contato com o universo da leitura pode possibilitar uma viagem transformadora para um processo prazeroso de autoconhecimento.

Com uma frequência de leitura literária invejável, Renata Nascimento, 35 anos, ama conhecer e escutar outras vozes presentes nos livros. “Eu lembro que nos momentos mais difíceis da minha vida foi a literatura que me salvou. Teve a terapia e outros tipos de ajuda também, mas eu me lembro muito bem que foi a literatura que mantinha minha sanidade. Lembro que era alguma coisa que quando eu estava perdida me fazia retornar”, contou a psicóloga.

A história de Renata com os livros começou no ensino médio, com a obrigatoriedade de leituras para prestar vestibular, mas ela não parou por lá. Atualmente, ela participa de um grupo de leitura para mulheres, onde são debatidos temas selecionados entre as participantes que sejam escritos por outras mulheres. “No grupo temos a visão de cada pessoa sobre aquela perspectiva. É um espaço de fortalecimento e vínculo que é muito importante para nós enquanto mulheres”, explicou.

Kezia Feitosa, 23, é bibliotecária, uma das profissões mais antigas do mundo. Enquanto agente facilitador do acesso aos livros, seu trabalho envolve tanto o incentivo à leitura quanto a compreensão do usuário das bibliotecas. “Grande parte do objetivo do bibliotecário é descobrir o que aquela pessoa quer e ajudar essa pessoa a ser autônoma no processo de saber o que gosta e quer”, contou.

A bibliotecária ainda explicou que a leitura é um conjunto de cognições e processos únicos do ser humano. “Ler é um dos exercícios intelectuais mais completos no sentido de promover habilidades de criatividade, construção de vocabulário e desempenho de linguagem. Todas essas habilidades vão ser trabalhadas a partir do processo de leitura”, explicou Kezia.

[PODCAST FOLHAPE] Patrícia Breda entrevista a pedagoga Bethania Ferreira, que deu várias dicas que podem ajudar a transformar a leitura em um ato prazeroso.

A estudante de biblioteconomia Evelli Vitória, 20, acredita na leitura como uma oportunidade de conhecer seu local no mundo. “Quando eu começo a entender sobre determinado campo na sociedade eu vou poder falar sobre ele, depois de ler”. Evelli encontra na leitura uma forma de encontrar autoconhecimento, reconhecendo que a singularidade na interpretação de cada um faz com que a compreensão nunca seja a mesma. “A leitura é muito subjetiva, cada pessoa entende aquela leitura de uma forma muito única”, esclareceu.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro, leitor é aquele que leu pelo menos um livro nos últimos três meses. Pensando naqueles que não possuem esse hábito, há algumas estratégias que leitores assíduos indicam: ler o que gosta, não precisa começar por uma indicação famosa, ou aquele livro que o amigo te manda ler sempre; ler com frequência, dá pra ler todo dia, nem que seja cinco páginas por dia, o que vale é começar; priorizar a leitura, as outras coisas que tomam esse tempo de leitura podem ser substituídas por um livro, algumas vezes; e participar de grupos de leitura, os debates de temas em comum estimulam o desejo de ler.

Gostar de ler é algo que pode ser trabalhado, mesmo na vida adulta. A falta de desejo pela leitura, muitas vezes, é uma dificuldade de encontrar o que gosta. Luciano Matsushita Júnior, 22, estudante de direito na UNB, não gostava da leitura literária na sua infância, mas na vida adulta desenvolveu o hábito como forma de relaxamento mental. “Eu leio à noite, antes de dormir, às vezes mais páginas, às vezes menos, mas criei esse hábito. Com o livro eu sinto que tenho um maior controle sobre meu tempo e o que leio. Posso grifar, posso marcar a página, ler e reler um capítulo, faço tudo isso muito no meu tempo, da minha forma”, disse. Para ele, essa forma de aproveitar as histórias de livros que não fazem parte da carga da graduação é um jeito de se desvincular no mundo e também relaxar antes de dormir.

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Fonte: Folha PE

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