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Leitura na gestação e na infância fortalece vínculos e facilita a alfabetização, diz pedagoga

No Dia Mundial do Livro, G1 mostra a importância do hábito no desenvolvimento das crianças. Duas mães de Araraquara (SP) contam como a leitura ajudou na interação com as filhas.

Por Geovana Alves*

Mães de Araraquara liam para bebês durante a gestação. — Foto: Geovana Alves/EPTV

O hábito da leitura durante a gestação e a infância fortalece vínculos entre mãe e filho e ainda facilita a alfabetização das crianças, segundo a pedagoga com doutorado em psicologia, Marcia Cristina Argenti Perez, de Araraquara (SP).

No Dia Mundial do Livro, comemorado nesta terça-feira (23), o G1 conversou com mães da cidade que seguiram essa rotina na gestação e sentem o interesse maior das filhas pelo livros durante a infância. Também ouviu a pedagoga sobre a importância do hábito no desenvolvimento das crianças.

Leitura durante a gestação

Aos quatro meses de gestação, Maria Vitória Gomes Almeida Santos sentiu a filha Lis movimentar-se pela primeira. Ela cursava o segundo ano de Ciências Sociais em Araraquara (SP) e estudava para os trabalhos e provas finais. Daquele momento em diante, a estudante passou a ler em voz alta os livros das disciplinas para a bebê.

Maria Vitória contou que os livros sempre estiveram presentes na rotina das duas, o que resultou em um interesse crescente por parte de Lis que acompanha a mãe nas leituras, aulas e visitas à biblioteca desde os cinco meses. (Veja o vídeo abaixo).

A jovem diz que percebe que a filha, hoje com 1 ano e um mês, tem um interesse maior pelos livros em relação a outras crianças da mesma idade.

“Ela pega um livro infantil e senta junto quando eu estou estudando. Às vezes ela presta atenção na minha leitura mesmo”, explicou a estudante.

Clique na imagem para ver o vídeo

De mãe para filha

Já Géssia Maria Ramelo Nascimento de Oliveira, de 39 anos, já havia estudado a influência dos sons intrauterinos para o bebê e colocou as dicas em prática enquanto esperava Natália.

Leitora ávida desde criança, ela guardou uma coleção de contos infantis para quando fosse mãe, mas não imaginou que leria todos os exemplares para acalmar a filha antes mesmo do nascimento.

“Às vezes eu me perguntava se ela realmente estava escutando, mas nunca achei perda de tempo. Eu sentia ela pulando muito a noite e quando eu lia parecia que ela ficava mais calma, ai eu usava isso para dormir”, conta Géssia.

Ela voltou a ler para Natália aos cinco meses, mas percebia que as pessoas tinham dúvidas sobre o benefício da prática para uma criança tão nova. No grupo de mães que participava, apenas uma amiga fazia comentários positivos.

Lis tem um ano e demonstra interesse pelos livros desde os cinco meses. — Foto: Geovana Alves/EPTV

Mesmo assim, a família criou uma rotina de ler todas as noites e isso perdura até hoje. Às vezes eles utilizam um livro ilustrado para criar histórias a partir dele.

Hoje com 5 anos, Natália é elogiada pela professora devido à criatividade, percepção de mundo e os desenhos que ilustram suas histórias.

No próximo ano ela entrará no processo de alfabetização escolar, mas já conhece muitas palavras dos livros lidos pela mãe.

Natália pede que os pais leiam para ela todas as noites antes de dormir. — Foto: Géssia Oliveira/Arquivo pessoal

Laços fortalecidos e alfabetização

Segundo a pedagoga com doutorado em psicologia, Marcia Cristina Argenti Perez, o momento fortalece os vínculos entre pais e filhos e desenvolve as linguagens na criança, tornando-a humana e inserida na cultura.

De certa forma, ela terá o desenvolvimento da memória, percepção, formas de linguagem e pensamento. A criança não vai se apropriar de tudo o que foi oferecido, mas já entrará em contato desde cedo”, explicou a pedagoga.

Marcia afirma que a alfabetização ocorre mais naturalmente quando há um contato anterior com textos, pois já se criaram os intelectos de visões, emoções e leitura de mundo.

Ainda segundo a pedagoga, a alfabetização permite outras sensações quando a criança já tem esse ‘arsenal’, porque ela “chega ao momento da imaginação e as palavras remetem às coisas que estão na mente dela”.

Dosar frequência

A pedagoga também alerta que é importante dosar a frequência da leitura, para não gerar uma sensação de culpa com a ausência da mesma.

Além disso deve haver uma disposição do adulto em mediar o momento, já que a iniciativa deve ser inserida como interação entre as gerações.

É prazerosa essa relação, porque as crianças aprendem pelos adultos. O livro aproxima, porque ela estará próxima ao adulto protagonista que dá vida a obra, ao contrário da televisão que somos passivos”, disse Marcia.

Menina de Araraquara tem coleção de contos infantis que mãe leu para ela durante a gestação. — Foto: Géssia Oliveira/Arquivo pessoal

Estipular um horário, assim como a hora da alimentação e do banho auxilia a compreensão de que o momento não é perda de tempo. Colocar-se no lugar da criança ao questionar “o que estou ensinando para ela?” também é válido, de acordo com Marcia.

Da mesma forma, evitar o uso de aparatos tecnológicos para a leitura é vantajoso para os envolvidos. Géssia inclusive percebe que a filha sente-se mais acolhida quando ela leem juntas, se comparando ao momento em que mexe no celular.

Dia Mundial do Livro

O Dia Mundial do Livro está no calendário oficial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A data busca reconhecer o poder das obras como uma ponte entre gerações e que passa pelas culturas.

*Sob supervisão de Fernando Bertolini, do G1 São Carlos e Araraquara.

Fonte: G1

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