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Leitura brinca com a imaginação e leva o leitor a criar

Por Objetivo Sorocaba

Imaginar é fundamental para todos e a criatividade é que nos ajuda a ter uma vida mais bela.

A leitura é um dos atos mais criativos que conhecemos. É só parar um pouco para pensar. Na relação entre autor e leitor, o segundo preenche a todo instante os espaços deixados pelo primeiro. Significa que os leitores não recebem imagens prontas. Na verdade, o que eles recebem são esboços. Cabe aos leitores dar nitidez a personagens e situações.

Peguemos um grande romance brasileiro como exemplo: “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Quando o assunto é a descrição de personagens ou ambientes, os romancistas podem ser minuciosos ou lacônicos. Eça de Queirós preenchia dezenas de páginas para caracterizar uma sala. Machado de Assis, por sua vez, era econômico nas descrições.

Como essa diferença afeta a relação entre escritor e leitor? Em Machado de Assis, a imaginação do leitor precisa ser mais intensa. Nossos neurônios devem trabalhar com mais afinco se quisermos enxergar o cínico Brás Cubas.

Impossível, neste momento, não pensarmos a respeito da diferença entre uma obra literária e uma obra audiovisual. A primeira exercitará muito mais a imaginação. Num filme, a imagem vem pronta. Imaginem que uma grande equipe resolva transformar “Memórias póstumas de Brás Cubas” em filme. Claro que existe a chance de o resultado ser uma obra-prima. Não estamos afirmando que a literatura é necessariamente superior ao cinema. Mas uma coisa é inegável: o Brás Cubas do filme é diferente do Brás Cubas da nossa imaginação. Essa distância nunca será superada.

Talvez seja o caso de perguntar: o exercício da imaginação é importante? A resposta vem fácil quando pensamos nas situações em que a imaginação é salvadora. Quando nossa vida está fora dos eixos, pensar num outro mundo alivia. Quando estamos diante de um problema profissional, abordar a questão de um jeito não convencional é uma ferramenta preciosa. Quando puxamos algo pela memória e faltam alguns detalhes, a imaginação oferece seu auxílio. Há quem diga, inclusive, que lembrar é imaginar.

É preciso evitar o clichê de que a imaginação é privilégio dos artistas. Imaginar é fundamental para todos nós. Não criamos obras-primas com nossa criatividade, mas isso não importa. É ela que nos ajuda a ter uma vida mais bela. E isso não é pouca coisa. Encaremos a situação da seguinte maneira: a leitura é uma espécie de academia de ginástica para aquilo que temos de mais precioso.

Fonte: G1 Sorocaba e Jundiaí

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