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Leitores: Leitura, bibliotecas escolares e alunos com diversidade funcional. Que relação?

A sociedade exige cada vez mais que a escola desenvolva competências nos alunos, no sentido destes mesmos serem agentes transformadores da realidade envolvente.

Texto por António José Alves Oliveira

A sociedade exige cada vez mais que a escola desenvolva competências nos alunos, no sentido destes mesmos serem agentes transformadores da realidade envolvente. A prestação de um ensino de qualidade tem sido uma preocupação de todos os intervenientes no processo educativo, que não pode, nem deve, ser separada de um princípio assente na igualdade de oportunidades para todos.

A educação de crianças com diversidade funcional nas turmas regulares veio provocar mudanças profundas no sistema educativo, partindo de alterações legislativas, organizativas e em mudanças das práticas educativas. O conceito de escola inclusiva baseia-se numa premissa: a de uma educação para todos, promovendo o respeito pelas diferenças e percursos individuais, devendo toda a comunidade escolar estar empenhada no processo de ensino e aprendizagem de todos os alunos. 

Uma abordagem inclusiva requer uma filosofia organizacional que vise o desenvolvimento de metodologias/estratégias diferenciadas, trabalho cooperativo/colaborativo entre professores, técnicos e famílias, medidas educativas adequadas e ajustadas aos alunos, recursos humanos e tecnológicos que lhes permitam melhorar o seu potencial humano. A questão da diversidade funcional no âmbito da Educação Especial tornou-se num princípio crucial do ponto de vista da equidade educativa e da coesão social. A elaboração de uma resposta coerente, integrada e sistemática a esta problemática, exige que se conheça as diferentes problemáticas educacionais.

Sendo hoje o Mundo uma aldeia global, onde a informação percorre os mais recônditos cantos do planeta a uma velocidade outrora impensável, os meios tecnológicos de divulgação são progressivamente mais diversificados e eficazes para os seus utilizadores. Perante este facto, a escola, sendo a instituição melhor capacitada para o papel de educar/formar os indivíduos que compõem a sociedade em que vivemos, deve estar preparada para conseguir acompanhar esse desenvolvimento acelerado do conhecimento e ser capaz de motivar todos os alunos, com ou sem dificuldades permanentes de aprendizagem e participação, durante toda a sua escolarização.

O aluno quando comunica através da linguagem verbal ou escrita, desenvolve situações de diálogo, revela as suas vivências, confronta as suas opiniões, aperfeiçoa o ato de falar, ler e escrever. 

Numa época em que o tema da literacia assume uma importância fulcral no desenvolvimento das sociedades contemporâneas, a experiência da leitura está interligada, não só no saber fazer implícito nas exigências profissionais a que os indivíduos estão sujeitos, mas também melhoria da sua qualidade de vida, quando pensamos que a leitura pode proporcionar-nos prazer, conforto e estimulação intelectual. 

A biblioteca escolar é um elemento da organização do estabelecimento escolar. Portanto, pode constituir-se como um pólo de renovação pedagógica, de comunicação, de animação cultural, de estimulação do conhecimento e de desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos. É neste cenário que a diferenciação pedagógica surge como um elemento fundamental no trabalho da biblioteca escolar, no que respeita à promoção de competências de leitura em alunos com diversidade funcional. 

A criação ou transformação das bibliotecas escolares em bibliotecas inclusivas será, inequivocamente, um modo de rentabilizar a documentação disponível em proveito da maximização das competências académicas dos alunos,  com resultados que se tornarão evidentes no desenvolvimento da inclusão laboral dos cidadãos com diferenças ao nível cognitivo, visual, auditivo ou motor.

É possível estimular a leitura dos alunos com diversidade funcional através da biblioteca da escola ou de uma qualquer biblioteca pública, desde que se tenha em conta a forma como o seu utilizador acede à mesma. Basta implementar algumas das tecnologias de apoio disponíveis atualmente, por exemplo: livros em áudio, com pictogramas,  filmes legendados ou com interprete de Língua Gestual Portuguesa, digitalizadores de texto, lupas digitais, etc.)

O professor-bibliotecário é aquele que pode abrir as portas da leitura a alunos com desvantagem intelectual, e frequentemente, social e económica. Mas dar o mesmo a todos no espaço da biblioteca da escola, não é respeitar a individualidade  ou responder às  necessidades educativas de cada aluno; é antes, promover a infoexclusão, algo que a escola inclusiva tem de erradicar, se quer ser verdadeiramente democrática.

Portanto, o professor-bibliotecário assume um papel vital, provavelmente ainda subvalorizado, na preparação e inclusão dos indivíduos no mundo que os rodeia. Mas a biblioteca não se resume apenas às funções de pesquisa documental, empréstimo de livros, ocupação de tempos livres, animação ou difusão de trabalhos. Através de diferentes formas de dinamização e estimulação de hábitos de leitura, a biblioteca está a desempenhar uma função de promoção da cultura e da inclusão social das pessoas com limitações na actividade e participação, de modo a que estas possam aceder ao conhecimento em igualdade de oportunidades, mas melhorando as suas condições e, assim, alcançarem um verdadeiro gosto pela leitura. A valorização crescente das necessidades especiais dos utilizadores das bibliotecas, parece estar a contribuir progressivamente para mudanças legislativas e alterações no funcionamento das bibliotecas públicas, que esperamos terem vindo para ficar.

Fonte: Reconquista

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