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Itanhaém: senhora de 82 anos monta biblioteca na garagem de casa

Após quatro anos, a escritora teve sua estrutura ampliada: ganhou mais cores, mais prateleiras e mais livros

Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter

Itanhaém: senhora de 82 anos monta biblioteca na garagem de casa

Dona Lydia da Silva Gonçalves e o estudante João Cauã de Souza da Silva, de 15 anosDona Lydia da Silva Gonçalves e o estudante João Cauã de Souza da Silva, de 15 anos. Foto: PMI

Aos 82 anos, a pedagoga Lydia da Silva Gonçalves começa a escrever novos capítulos de sua vida, hoje dedicados a uma ambiciosa missão: caçar leitores para a biblioteca comunitária construída na garagem de casa. Analfabeta por mais de seis décadas, a aposentada não tinha influência com as palavras. Para ela, os livros eram páginas em branco, decifradas em figuras e desenhos. “Comecei a viver aos 65 anos de idade”.

Em 2015, tudo era muito caseiro. Um espaço improvisado no quintal para abrigar os primeiros 500 livros, doados pela Biblioteca Municipal Poeta Paulo Bomfim e por amigos mais próximos. Após quatro anos, a garagem teve sua estrutura ampliada: ganhou mais cores, mais prateleiras e mais livros, hoje com 2 mil obras dos mais diferentes gêneros. Organizados, os exemplares são etiquetados e separados por gêneros. “Tem romance, tem crônicas, tem poemas, tem histórias, enfim, tem um pedaço do mundo nesta biblioteca”, conta feliz.

Ler se tornou sua principal viagem. Referência no bairro Estância Santa Cruz, região afastada da área central, a biblioteca da dona Lydia é o passaporte para novas descobertas. Exemplo disso é João Cauã de Souza da Silva, de 15 anos, um jovem que se divide entre os estudos e a leitura dos mais variados temas. “Conheci o ambiente passeando pela rua. Sempre gostei de frequentar a biblioteca, agora ainda mais porque está perto da minha casa”. Ele está ciente dos benefícios da leitura: “a melhor forma de ampliar o conhecimento e melhorar a desenvoltura é mergulhar no mundo das letras”.

Qualquer pessoa pode participar. É só chegar e entrar. As opções são as mais variadas: pode pegar emprestado, ler no lugar ou ouvir a contação de histórias na roda de conversa. Se estiver fechada, é só bater na porta. “Todos os dias mantenho horário das 8 às 19 horas. Após isso, é só me chamar que eu atendo sim”.

Trajetória

Caiçara de raiz, dona Lydia nasceu no bairro que reside até hoje. Aos 65 anos, ela conclui o Ensino Fundamental (Escola Municipal Professora Filomena Dias Apelian) e Médio (Escola Estadual Professora Jon Teodoresco) na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Não demorou a ingressar no curso de pedagogia e a publicar três livros, todos sobre a sua trajetória de vida. Prestes a realizar mais um sonho, a escritora concluirá este ano o curso de direito. A biblioteca fica na Rua Mogi das Cruzes, 310, no bairro Estância Santa Cruz.

POR: Comunicação da PMI

Fonte: Jornal SP Repórter

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