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Inteligência coletiva pode ser a chave para um mundo mais colaborativo

O compartilhamento dos saberes através da tecnologia indica um novo movimento social e você está participando ativamente disso. Entenda!

A crise desencadeada pela disseminação do novo coronavírus está gerando uma colaboração global inédita: cientistas e pesquisadores do mundo todo estão unindo esforços para alimentar bancos de dados coletivos, aperfeiçoar medicamentos para  a Covid-19 e encontrar uma vacina adequada.

Em outras frentes, engenheiros, designers, pesquisadores e empreendedores de várias áreas se engajam em laboratórios mundiais de fabricação digital, os chamados fablabs, para desenvolver tecnologia para produzir, em larga escala, respiradores artificiais, máscaras de proteção e outros materiais necessários para os profissionais da saúde, linha de frente no combate à pandemia.

A mobilização coletiva e interdisciplinar é talvez o exemplo mais concreto de que a humanidade está caminhando para um novo estágio de evolução cultural e social, a chamada inteligência coletiva. O conceito foi criado na metade dos anos 90 pelo sociólogo e filósofo francês Pierre Lévy, considerado um dos pensadores mais importantes da contemporaneidade.

Dedicado ao estudo da interação entre sociedade e tecnologias da informação, Lévy é entusiasta da internet como potencializadora de novas formas de construção colaborativa e democratização do conhecimento humano, que envolvem a participação dos indivíduos e a coordenação de suas diferentes habilidades.

Apesar do nome, a inteligência coletiva também faz referência a ações que mobilizam competências e habilidades individuais e enriquecem mutuamente a todos que participam desse movimento.

Saberes individuais, coletivos e compartilhados

A inteligência coletiva não surgiu com a internet e tampouco é algo exclusivo dos seres humanos, como descreveu Lévy em palestra realizada no Senac São Paulo, em 2014.  “Formigueiros, colmeias de abelhas, sociedades de mamíferos, pássaros e cardumes de peixes. Todos esses animais são capazes de coordenar a si mesmos quando enxergam, por exemplo, um perigo. Eles analisam o ambiente e resolvem o problema em conjunto”.

Mas os seres humanos têm algumas vantagens: a linguagem, o desenvolvimento e a apropriação de tecnologias complexas e de instituições sociais, legais, religiosas e econômicas. “A riqueza da inteligência coletiva humana é que cada membro da sociedade tem uma consciência pessoal, uma representação interna do funcionamento do todo e uma representação pessoal do seu papel no funcionamento desse todo”, explica o autor.

Assim, as conexões promovidas a partir da internet fazem com que todo mundo que está na rede seja capaz não só de aprender com os saberes já acumulados e disponíveis, mas também de ensinar, de agregar ainda mais valor e potência a essa construção coletiva.

“A maior parte da comunicação atual se dá através de uma memória comum. Nós transformamos essa memória. Toda vez que fazemos um tuíte ou adicionamos um post em nosso blog, nós transformamos a relação entre os dados em memória comum”, afirma Pierre Lévvy.

Para facilitar o entendimento, imagine que você está estudando um assunto qualquer. Um dos primeiros passos é buscar na internet por publicações, artigos e estudos já desenvolvidos sobre o tema. Quando você faz uma curadoria dessas informações e, por exemplo, posta uma frase que te chamou atenção nas suas redes sociais com uma hashtag, você ajudou a catalogar esse conteúdo e a expandir o alcance dele.

Assim, nos ambientes virtuais, a comunicação ocorre de todos para todos, a informação torna-se compartilhada e o armazenamento de informações torna-se cada vez mais descentralizado. É o que o autor chama de desterritorialização dos saberes. Se antes os saberes valorizados estavam nas bibliotecas e restrito a poucos, hoje está em todo lugar.

Inteligência Coletiva na educação

Durante palestra em Buenos Aires, na Argentina, organizada pela Organização de Estados Iberoamericanos (OEI), em 2015, Pierre Lévy falou sobre inteligência coletiva para educadores, destacando o papel desses profissionais para formar indivíduos autônomos que possam exercer bem seu papel na construção coletiva dos saberes.

“Nesse novo ambiente de comunicação, somos livres, somos empoderados como autores e, ao mesmo tempo, somos como bibliotecários quando colocamos hashtag ou tagueamos o conteúdo. Somos também críticos, escrevemos nossos comentários sobre músicas, filmes, livros, fotografia, etc. Há uma democratização da cultura crítica”, destaca Lévy.

Segundo o autor, é imprescindível que essa nova atuação individual na construção dos saberes coletivos seja feita a partir da reflexão e da consciência crítica. E a promoção desses mecanismos pode ser feita por educadores a partir do que o autor chama de uma nova forma de alfabetização.

“É preciso fornecer ferramentas intelectuais aos jovens para que eles construam autonomia, para que sejam capazes de trabalhar, aprender e construir suas vidas nesse novo ambiente”.

Na proposta de Lévy, essas ferramentas cognitivas passam pelo desenvolvimento de pesquisa a partir dos interesses dos indivíduos, a seleção e a diversificação criteriosa de fontes, a análise crítica de dados, a responsabilidade e a colaboração, por fim, a construção de uma memória e um saber coletivo.

“Vale dizer que a inteligência coletiva não é algo pronto. É como uma utopia, uma direção para uma evolução cultural da sociedade”, enfatiza o autor.

Fonte: Fundação Telefônica VIVO

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