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Inspirado no mapa de Campinas, Cemitério da Saudade soma 138 anos de lendas e particularidades

Por Rui do Amaral*, G1 Campinas e Região

Segundo historiador, mais de 2 milhões de corpos estão sepultados no Cemitério da Saudade — Foto: Rui do Amaral/G1

Segundo historiador, mais de 2 milhões de corpos estão sepultados no Cemitério da Saudade — Foto: Rui do Amaral/G1

Devido a isso, o historiador descreve que grupos de imigrantes eram enterradas em setores próprios, da mesma forma que se organizavam na cidade, morando em bairros próximos e formando comunidades.

“Temos uma ala apenas com japoneses, que eram budistas. Também há um grupo de alemães protestantes e famílias italianas”.

Túmulos mais antigos

Grande parte dos túmulos do cemitério possuem cruzes de concreto em formato padronizado. Algumas, porém, são compostas por armações metálicas. Estas, de acordo com Annunziata, são diferentes por terem sido confeccionadas antes da inauguração do Cemitério da Saudade.

Cruz de ferro simboliza túmulos mais antigos do cemitério — Foto: Rui do Amaral/G1

Cruz de ferro simboliza túmulos mais antigos do cemitério — Foto: Rui do Amaral/G1

Ele conta que estas cruzes de ferro são mais antigas pertenciam aos túmulos que foram trazidos de outros cemitérios.

“Os cemitérios que existiam naquela época ficavam onde foi construída a ferrovia durante a expansão do café. Com isso, muitos dos corpos enterrados aqui são de pessoas que morreram antes de que se sonhasse com esse lugar”.

Um dos túmulos visitados pelo G1, inclusive, data de setembro de 1876 – cinco anos antes do início do cemitério.

Homem morto em 1876 está enterrado no Cemitério da Saudade, inaugurado em 1881 — Foto: Rui do Amaral/G1

Homem morto em 1876 está enterrado no Cemitério da Saudade, inaugurado em 1881 — Foto: Rui do Amaral/G1

‘Milagreiros’

Os túmulos mais famosos do Cemitério da Saudade reúnem os personagens considerados “milagreiros” por alguns fiéis. Destes, talvez o mais popular seja o Santuário do Senhor Tranca Rua das Almas, o popular Tranca Ruas.

“Algumas pessoas acham que este túmulo é apenas a representação do candomblé, mas é mais do que isso. Nele está enterrado o corpo de um pai de santo, que pediu para que os trabalhos dele permanecessem sendo feitos e deixados aqui”.

Túmulo do 'Tranca Ruas', no Cemitério da Saudade — Foto: Rui do Amaral/G1

Túmulo do ‘Tranca Ruas’, no Cemitério da Saudade — Foto: Rui do Amaral/G1

O local, para o historiador, é o maior exemplo de como o cemitério se abriu para outras crenças, sendo até hoje frequentado por praticantes do candomblé.

Outra habitante popular é Maria Jandira, prostituta que ateou fogo no próprio corpo na década de 1930, após ser rejeitada pela família do noivo.

“Algumas pessoas que a conheciam passaram a rezar pela alma dela e, assim, começaram também a fazer pedidos. Aqui, no túmulo, centenas de flores eram deixadas por quem acreditava no poder de Maria Jandira em realizar a vontade daqueles que a homenageavam durante as orações”.

Maria Jandira, a prostituta que ateou fogo no próprio corpo, ainda atrai visitantes ao seu túmulo — Foto: Rui do Amaral/G1

Maria Jandira, a prostituta que ateou fogo no próprio corpo, ainda atrai visitantes ao seu túmulo — Foto: Rui do Amaral/G1

Valor histórico

Annunziata reconhece que a sociedade brasileira não está acostumada a valorizar os bens que são considerados patrimônios históricos, e reforça que ainda é necessário muita conscientização para que tal cenário sofra alguma mudança.

“As pessoas até acham bonito, mas veem estes locais apenas como coisas velhas. O que precisa ser feito é um trabalho de educar, mesmo. Mostrar para elas que um patrimônio nada mais é do que uma escola a céu aberto. Pode ser um prédio, uma ponte ou um cemitério. São pedaços da nossa história”.

Historiador destaca necessidade em dar valor aos patrimônios históricos da cidade — Foto: Rui do Amaral/G1

Historiador destaca necessidade em dar valor aos patrimônios históricos da cidade — Foto: Rui do Amaral/G1

*Sob supervisão de Arthur Menicucci, do G1 Campinas

Fonte: G1 Campinas

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Um comentário

  1. Parabéns pela matéria! Muito Interessante!

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