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História do Livro | As Bibliotecas e a Circulação dos Livros na Idade Média

Às vésperas de se iniciar o período hoje conhecido como Idade Média, o édito de Milão, promulgado em 313 pelo imperador romano Constantino (306 – 337), declarou a liberdade religiosa no Império. Isso permitiu que as bibliotecas das comunidades cristãs se desenvolvessem em plena luz. As primeiras coexistiram com as bibliotecas romanas: o próprio Constantino possuía milhares de volumes em rolos de papiro, alguns dos quais fez transcrever em pergaminho, material mais durável. O trabalho de preservação foi levado adiante por seu sucessor, Constâncio II (337 – 361), na Biblioteca Imperial de Constantinopla, que resistiria até o fim da Idade Média. Muitos clássicos gregos devem sua preservação às cópias bizantinas existentes ali.

A gravura em água-forte é do artista italiano Pietro Aquila (ca. 1650-1692) a partir de obra de Rafael Sanzio e Giulio Romano. Esta impressão é posterior, do século XVIII.

No século V, as bibliotecas romanas tinham desaparecido, ao passo que as cristãs cresciam em número e importância. Anteriores a essa data, houve algumas de vulto, como a do bispo Alexandre, em Jerusalém (século II), a de Cesareia (século III) e a que foi fundada pelo papa Dâmaso I na segunda metade do século IV, para guardar os documentos da Igreja. Nela viria a trabalhar Jerônimo (345 – 420), responsável pela Vulgata, a Bíblia latina. O comércio dos livros era nulo — já não existia a “taberna libraria”, onde, na Antiguidade, os livros copiados em massa eram postos à venda –, e os próprios leitores faziam circular as obras por meio de empréstimos e da confecção de novos exemplares.

Pouco a pouco, o papel de depositários do saber se transferiu dos membros da comunidade para as ordens e mosteiros a que pertenciam, nos quais se formaram bibliotecas e criaram oficinas de produção de livros. Entre os mais destacados contam-se os de Bizâncio, os das Ilhas Britânicas — notadamente a Irlanda, com seu estilo de influência céltica e saxã, que produziu obras únicas –, os de cidades da França e algumas da Espanha anterior à dominação islâmica. Ali, Isidoro, arcebispo de Sevilha (ca. 560 – 636), escreveu o que seria um dos livros mais populares ao longo de toda a Idade Média: a compilação de textos clássicos chamada “Etimologia”, também conhecida como “Origines”.

Além das bibliotecas de mosteiros, havia as particulares, que variavam desde uns poucos volumes colecionados por eruditos até as grandes bibliotecas palacianas. A mais famosa foi a de Carlos Magno (768 – 814), sediada em Aachen, na atual Alemanha, formada em grande parte por doações de nobres que conheciam seu amor pelos livros (e desejavam cair em suas boas graças). Ele próprio costumava enviar a Constantinopla e a outras cidades pessoas encarregadas de copiar ou adquirir manuscritos; a prática também era comum nas bibliotecas monacais, visto não haver outra forma de multiplicar os exemplares.

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