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Grupo estuda e contribui com a programação de softwares livres na USP

[Imagem: Divulgação/FLUSP] 

No Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP), projetos de extensão são muito importantes: auxiliam os alunos no aprofundamento das matérias e propiciam a vivência prática dos temas de forma mais intensa. Além disso, ajudam a colocar os estudantes no ritmo do mercado de trabalho e desenvolvem boas contribuições para a área acadêmica. São vários os projetos do tipo e, entre eles, destaca-se o FLUSP, coordenado pelo professor Alfredo Goldman.

O FLUSP é o grupo que estuda software livre na USP. Seu nome vem da abreviação em inglês, FLOSS, que traz as iniciais dos assuntos abordados: Free/Libre/Open Source Software. João Seckler, aluno de ciência da computação, afirma que a missão do grupo é “contribuir e estimular que outros contribuam para projetos do tipo”. Para isso, atuam na promoção de eventos e material para o site, além de reuniões semanais para trabalhar nos projetos escolhidos.

“Nosso grupo é horizontal”, afirma Bruna Bazaluk, também aluna de computação. Assim, mesmo que exista um professor coordenador, a maior parte da função dele é lidar com os trâmites burocráticos e outros auxílios. Segundo Alfredo Goldman, “minha função é não atrapalhar [risos]”. O resto é gerido pelos alunos.

Mas o que é software? O que significa dizer que são livres? E por que são importantes? Primeiramente, são as instruções a serem interpretadas por uma máquina com o objetivo de executar tarefas específicas. São a base dos programas que rodam em, por exemplo, computadores e celulares. Afirmar que são livres, ou de código aberto, significa dizer que todos podem ter acesso ao código fonte, ler e modificar.

Para um software se enquadrar nesta definição, ele deve seguir algumas normas: o programador deve poder estudar, modificar, redistribuir e executar o código. Como afirma Renato Geh, mestrando em ciência da computação e parte do FLUSP, a forma com a qual ele segue essas regras, relacionadas à permissividade, define que tipo de licença o rege. Algumas são mais permissivas e outras menos.

Marcelo Schmitt, participante do FLUSP, defende que “a grande importância deste tipo de software é permitir que a comunidade aprenda com o desenvolvimento da tecnologia”. Quando um código é fechado e seu proprietário decide parar de mantê-lo, todo o conhecimento produzido ali se perde. “No ponto de vista global, o software livre é mais racional, porque não existe desperdício de trabalho”, completa João.

Porém, existe também outra grande importância da existência de códigos abertos: a privacidade. Sobre isso, Bruna explica que a impossibilidade de se conhecer as instruções impede que se saiba como os programas lidam com os dados dos usuários, o que abre caminho para a utilização irregular desses. “É como uma caixa preta”, ela diz. Melissa Wen, que faz mestrado na área, completa: “Você não está mais pensando em uma questão de privacidade, está pensando em direitos humanos. A humanidade deveria ter o direito de escolher como seus dados são tratados”.

O FLUSP funciona em vários núcleos, sendo que cada um deles desenvolve projetos específicos – um dos mais importantes está relacionado à aprimoração do Linux, o núcleo do sistema operacional GNU/Linux. Dentro desses núcleos, os participantes escrevem e revisam os códigos, na intenção de, mais tarde, mandar suas atualizações para os mantenedores do software.

Porém, pode-se citar ainda algumas problemáticas relacionadas ao assunto. Primeiramente, existe uma cultura de utilização de software fechado, além de certo preconceito quanto à qualidade dos abertos. Sobre isso, Melissa admite que, realmente, existem exemplos de software livre que deixam a desejar. Isso porque, em muitos destes casos, o desenvolvimento dos projetos não conta com o financiamento bilionário de empresas. Finaliza afirmando que a predominância de software fechado está relacionada a “mais que uma cultura, é o capitalismo e vários outros interesses envolvidos”.

O grupo de software livre da USP, mesmo ainda recente, já indica abrir caminho para algo maior. Bruna afirma: “A gente surgiu ano passado e parece que alguma coisa já mudou. Parece que plantamos algo nas pessoas.”

Fonte: Agência Universitária de Notícias – AUN USP

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