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Grupo de cientistas monitora covid-19 em tempo real com base na ciência de dados

Domingos Alves comenta que é prematuro afirmar que pico do coronavírus, em São Paulo, será em dez dias e que medidas restritivas ainda são extremamente necessárias

Há no Brasil um grupo de cientistas independentes e voluntários (físicos, matemáticos, biólogos e médicos) que busca avaliar a evolução da covid-19 por meio da ciência de dados. A análise é feita através de modelos matemáticos típicos de surtos de epidemia, tais como a modelagem, já usada ao tratar da dengue e da própria Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave). De acordo com o professor Domingos Alves, do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o objetivo da equipe é traçar o melhor cenário possível de previsão dos casos. O grupo, inclusive, criou um site para acompanhamento do monitoramento dos dados obtidos e de suas análises.

As ferramentas usadas são adaptações de outros instrumentos empregados ao redor do mundo, pois o cenário encontrado em cada país varia e, pensando no Brasil, isso não é diferente. O professor inclusive cita que é necessário trabalhar com focos mais específicos de modelagem, olhando a ação do vírus em localidades mais representativas, principalmente em cidades em que a doença já se alastrou. Dessa forma, será possível monitorar a disseminação da doença em cada município, ajudando na tomada de  decisão pelos gestores locais.

Objetivo da equipe é traçar o melhor cenário possível de previsão dos casos – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Alves aproveita para alertar o cuidado que a mídia e órgãos informativos devem ter ao divulgar dados sobre a evolução da doença, citando o exemplo de uma matéria que alegava que a cidade de São Paulo havia diminuído a curva da incidência do vírus (entre os dias 23 e 25 de março) devido às medidas de isolamento social. “O que as pessoas estavam vendo era uma flutuação dos dados, e essas flutuações são comuns durante uma epidemia”, explica o professor.

Algumas pessoas comentam que o pico da doença em São Paulo será observado em aproximadamente dez dias, uma afirmação que é, de acordo com o professor Domingos Alves, prematura. Ele comenta que ainda estamos no tempo de ascensão dos casos e que provavelmente não atingiremos o ápice em dez dias. Por isso, é necessário que a população mantenha o isolamento social, e que talvez seja necessário um prazo maior de manutenção dessa medida.

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.

Fonte: Jornal da USP

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