Página inicial / Notícias / Governo de SP abre edital para Espaço de Leitura e tira dinheiro público

Governo de SP abre edital para Espaço de Leitura e tira dinheiro público

Chamamento público fala em seleção de propostas “sem envolver a transferência de recursos financeiros estaduais”; programa é desenvolvido há dez anos com verba pública e já beneficiou 300 mil pessoas

Bia Reis

Atividade realizada no Espaço de Leitura, no Parque da Água Branca. Crédito: Divulgação

Fundo Social de São Paulo (Fussp), do governo paulista, abriu edital de chamamento público para renovar o atendimento do Espaço de Leitura, programa de promoção da leitura e da literatura que é desenvolvido há uma década no Parque da Água Branca, na zona oeste da capital, e já atendeu mais de 300 mil pessoas. Diferentemente dos outros dos anos, desta vez o governo não colocará dinheiro público para a manutenção do projeto. O edital fala em seleção de propostas “sem envolver a transferência de recursos financeiros estaduais”.

A continuidade do Espaço de Leitura está ameaçada desde o início do ano. O contrato do Fussp com o Instituto Nova União da Artes (NUA), que desenvolve as atividades no local, acabou em 22 de maio e não houve abertura de edital. Para que o serviço não parasse, esse contrato foi prorrogado por seis meses. Na época, o Fundo informou que um novo edital estava sendo elaborado e seria aberto no segundo semestre, o que ocorreu agora.

“A expectativa é de que o serviço que vem sendo prestado não seja interrompido. Com o novo edital (sem recursos públicos), há margem para ampliação do que já é realizado, que hoje fica restrito ao orçamento repassado. O organização que assumir o Espaço de Leitura poderá gastar o quanto quiser”, afirmou Francine Eugênio, chefe de gabinete do Fundo. De acordo com Francine, ao abrir o edital sem repasse de dinheiro público, o Fussp espera que a participação de organizações que já desenvolvem trabalhos semelhantes e precisam de local para realizá-las.

Segundo o edital, o Fundo selecionará uma entidade para desenvolver atividades educativas e culturais para crianças e capacitar e formar professores. A organização poderá usar o local e os bens móveis disponíveis. São descritos como objetivos específicos da parceria: (1) Disponibilizar e manter acervo variado de livros, revistas e publicações, com foco em literatura infantojuvenil para consulta e leitura dos usuários do projeto; (2) Disponibilizar um espaço adequadamente equipado para receber crianças e usuários do projeto, garantindo o acesso à leitura e à cultura, de forma participativa; (3) Aos sábados e domingos, oferecer ao público espontâneo atividades culturais, tais como: oficinas, narração de histórias, mediação de livros e apresentações musicais; (4) De quarta a sexta-feira, realizar atividades educativas de incentivo à leitura para grupos de crianças advindas de instituições educativas ou sociais, cadastradas ou não pelo Fussp; (5) Realizar formações sobre incentivo à leitura para professores e educadores das instituições sociais e educativas; (6) Demais atividades que contribuam para incentivar a leitura. Tudo isso já ocorre atualmente.

Atividade de leitura no Parque da Água Branca com alunos da rede pública. Crédito: Patrícia Macial

Para se ter uma ideia da dimensão do Espaço de Leitura, cerca de 800 livros são retirados e lidos todos os meses e uma média de 3 mil pessoas participam mensalmente das atividades educativas e culturais. Desde 2010, mais de 300 mil pessoas visitaram o Espaço, sendo 25 mil estudantes da rede pública e de instituições sociais. Mais de mil eventos foram realizados e 55 mil livros, retirados. Em 2017, o projeto foi finalista do prêmio Instituto Pró-Livro – Retratos da Leitura, e no ano passado a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo certificou o Espaço como um projeto Amigo da Educação, em razão de sua contribuição para a valorização dos educadores.

Além do Espaço de Leitura, o NUA manteve por anos no parque o Espaço de Convivência do Idoso (ECI) e o projeto Intergeracional, que atendia crianças e idosos. O contrato anual dos três programas, que tem 27 colaboradores no total, era de R$ 1,4 milhão. Com o prorrogamento em maio, o contrato havia tido corte de 30%. Com isso, o Intergeracional deixou de existir, o ECI, de funcionar às segundas-feiras e o Espaço de Leitura, de atender a rede publica.

Procurado, o NUA informou que aguardava a abertura do edital para avaliar a participação. “Porém, como toda organização da sociedade civil, o Instituto NUA não tem fins lucrativos e, sem repasse de recursos do Estado, é inviável a administração do Espaço de Leitura, que hoje é um projeto público”, afirmou Tatiana Fraga, idealizadora e diretora do Espaço.

Tatiana explicou que gostaria de inscrever o projeto em leis de incentivo fiscal e captar recursos, para ter condições de participar do chamamento. “No entanto, o prazo do edital não é suficiente para tomarmos essas medidas. Acreditamos que cabe ao governo, de uma forma ou outra, garantir a continuidade do projeto. Estamos abertos e interessados em buscar soluções conjuntas”, diz.

Fonte: Estadão

Sobre admin

Check Also

Livro de Patrícia Palma revela rede de bibliotecas religiosas que contribuiu para cultura escrita no século XVIII

Samuel Mendonça 13 de Novembro de 2019 Cultura Deixe um comentário Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo A …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *