Um relatório divulgado pelo Banco Mundial dedicado totalmente à educação e à crise global de aprendizagem mostrou que vai demorar 260 anos para o Brasil alcançar o nível de proficiência em leitura de países desenvolvidos.

A Lei Federal 12.244 prevê, porém, que todas as instituições de ensino do país devem ter bibliotecas até o ano de 2020. É obrigatório também um acervo de livros de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado. Sua promulgação foi um avanço, mas a adesão ainda é lenta. “Falta um projeto mais claro e efetivo de inclusão pedagógica e de competência em informação no sistema público”, afirma a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia – 8ª Região, Regina Céli de Souza. As escolas particulares possuem um número maior de bibliotecas, segundo ela.

De acordo com o portal QEdu, o estado de São Paulo possui 28.153 escolas de educação básica. Apenas 5.810 delas (20%) têm bibliotecas. A Secretaria de Educação do Estado, por sua vez, afirma que todas as escolas seguem a Lei. Para Regina, um outro dado preocupante é que o estado possui somente cerca de 60 bibliotecários atuantes. “Uma biblioteca com atuação de bibliotecários propicia leitores motivados, com mais autonomia e senso crítico.”

No entanto, o portal mostra que 10.858 escolas paulistas (39%) possuem salas de leitura. “Antes da publicação da Lei Federal 12.244, a Secretaria, na vanguarda das preocupações que demandam acesso cotidiano a fontes de informação e cultura atualizadas, desenvolvimento das competências e habilidades de leitura e escrita, implementou o Programa Sala de Leitura. Elas passaram a fazer parte do projeto da escola”, informa a Secretaria de Educação do Estado.

A presidente do Conselho afirma que há diferenças . “Uma biblioteca não se faz apenas por livros, mas sim por serviços e atividades que visam modificar o aluno para que seja capaz de se tornar um sujeito crítico, participativo e presente na sociedade. Já a sala é um espaço destinado a consulta, leitura e estudo.” Segundo a Secretaria, “o Programa Sala de Leitura prevê que até 2019 todas as escolas da rede estadual já tenham Salas de Leitura inovadoras e dinâmicas, um ano antes do prazo estabelecido pela Lei”.

Para o total cumprimento da legislação, é necessária a definição de políticas públicas de apoio a instalação de bibliotecas escolares, além da definição de rubricas orçamentárias. “O investimento em educação fica restrito a infraestrutura de sala de aula. Ficam em segundo plano, ou até mesmo esquecidos, outros equipamentos essenciais para o desenvolvimento educacional, como é o caso das bibliotecas”, finaliza Regina Céli de Souza.

Fonte: DCI Diário Comércio Indústria & Serviços