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Escolas Adotam Salas de Leitura Para Não Contratar Bibliotecários

Um subterfúgio que coloca em risco o futuro da nossa profissão? Não necessariamente. Mas se os bibliotecários e bibliotecárias do Brasil não se mobilizarem, não se capacitarem, não se atualizarem, a nossa profissão vai se tornar obsoleta. A automação que está tomando conta do mundo também está presente nas nossas unidades de informação. Mais do que nunca é momento de discutir nosso papel na sociedade.

O que diz a lei

Lei federal 12.244/2010, que prevê que até 2020 todas as instituições de ensino do Brasil tenham espaço reservado para a disposição de coleção de livros, materiais videográficos e documentos destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura dos alunos.

Conforme a legislação, será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares. Além disso, cada espaço deverá contar com a presença de um bibliotecário responsável.

As escolas têm adotado a criação de salas de leitura como meio de resolver a questão, mas normalmente sem a contratação de bibliotecários.

Para exemplificar, segundo o Censo Escolar de 2017, apenas 29% das instituições de ensino do Grande ABC (São Paulo) têm apenas bibliotecas e outras 29% dispõem de salas de leitura – chegando a 58% a fatia das unidades que contam com um dos espaços. Entre os estabelecimentos privados, 44% estão adequados. Já na rede pública, 69% dos prédios escolares dispõem das dependências.

Opinião do Conselho Regional de Biblioteconomia

A presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia – 8ª Região, Regina Céli de Sousa, afirma que a biblioteca escolar é um direito de toda a sociedade e que é preciso divulgar a existência da lei para que os governantes sejam cobrados sobre sua implementação. “As bibliotecas escolares com bibliotecários contribuem muito no processo de ensino e aprendizagem para que o estudante aproprie-se de informações e cultura em perspectiva crítica e criativa”, defende.

As salas de leitura, tendo como responsáveis professores, é iniciativa criticada por Regina. “Tendo um bibliotecário devidamente qualificado para sua administração, em parceria com o professor, a biblioteca se torna o centro vital de formação, informação e aprendizagem”, conclui.

Caminho para o futuro

A docente da Faculdade de Filosofia e Ciências Unesp (Universidade Estadual Paulista) e integrante do departamento de Ciência da Informação da instituição, Helen de Castro Silva Casariam, destaca que os dois equipamentos devem ser observados em suas particularidades. “Considerando que quase todo aluno tem acesso à internet, normalmente pelo telefone, o bibliotecário teria a função de orientar a pesquisa, auxiliar a filtragem das informações, nas escolhas das fontes”, cita.

Os bibliotecários e bibliotecárias precisam se atentar às novas tecnologias de comunicação da informação (TICs). Certamente as TICs vão abrir o caminho para a manutenção da importância do profissional da informação na sociedade.

Fonte: Portal do Bibliotecário

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