Já pensou em trabalhar como INFOEDUCADOR? Vamos descobrir hoje como é o dia-a-dia da Bibliotecária Aghata Borghetti. Ela atua como Infoeducadora no Espaço Cultural da Universidade Corporativa da Fundação Salvador Arena e bateu um papo bem interessante com a gente do Bibliothinking. Confira! ; ]

Como surgiu essa oportunidade de atuar como infoeducadora?

Em 2017 quando a oportunidade surgiu, eu trabalhava como Auxiliar de Biblioteca Universitária, e também não sabia muito sobre a nomenclatura. Entre minhas pesquisas e entrevistas, fui me aprofundando sobre o que era e o que fazia uma Infoeducadora. Me interessei de cara quando soube a fundo com o que trabalharia, onde trabalharia e o nome dado ao ambiente da Biblioteca, que se chama Espaço Cultural, a mesma está dentro de um ambiente fabril e corporativo. Acredito que quanto mais você abre o leque de oportunidades, mais precisa conhecer ou dominar as áreas. Acredito muito na vantagem em saber de tudo um pouco.

Quais são as atividades realizadas no seu dia-a-dia?

Bom, a infoeducação nada mais é que uma mediação sociocultural, ela vai um pouco além de ter um acervo literário, a infoeducação oferece um ambiente confortável, que convida que as pessoas a conhecerem mais, a descobrirem mais.

Dentre os projetos de infoeducação os maiores e mais interessantes são os projetos de exposições culturais. Criamos exposições a cada dois meses sobre um assunto da escolha dos próprios usuários, dessa forma tornamos o Espaço Cultural mais atrativo, dinâmico e autônomo.

Além do acervo, temos instrumentos musicais, sala para audiovisual e computadores. A maior parte do tempo, realizamos pesquisas culturais ou sobre informações que contribuam com as exposições e atividades que possam interligar o ambiente cultural com o ambiente corporativo, tem que ser criativo e gostar de trabalho manual.

“A infoeducação nada mais é que uma mediação sociocultural, ela vai um pouco além de ter um acervo literário, a infoeducação oferece um ambiente confortável, que convida que as pessoas a conhecerem mais, a descobrirem mais”.

Quais as principais dificuldades enfrentadas nessa profissão? 

Todas as profissões sofrem de alguma forma: degradação da profissão, desvalorização e por ai vai. Acredito que a maior dificuldade na infoeducação é tornar o espaço da biblioteca um local atrativo aos usuários. A gente sabe como agradar um usuário assíduo, mas precisamos ter jogo de cintura pra conseguir fisgar os menos interessados. Não preciso nem falar sobre a falta de recursos em diversas bibliotecas. Essa é uma realidade estampada, acredito que a falta de interesse e preguiça por parte dos usuários, seja também uma grande dificuldade.

Como você acredita que a sua formação contribuiu para atuar com Infoeducação?

A Biblioteconomia nos abre um leque diverso, interessante e muito promissor! O bibliotecário precisa se atualizar e se manter atraente, independente da sua área de atuação. A frase de Umberto Eco “Eletrônicos duram 10 anos, livros 5 séculos” é linda, inspiradora e um colírio aos olhos de um bibliotecário, mas a realidade é outra. Já levamos um peso enorme sobre a nomenclatura da nossa profissão, e estacionar nela não é um bom negócio. O bibliotecário que trabalha com educação pode migrar para esta área facilmente e até irá se adaptar muito rápido.

“Já levamos um peso enorme sobre a nomenclatura da nossa profissão, e estacionar nela não é um bom negócio”.

Quais competências e habilidades específicas você sente que precisa para desempenhar melhor o seu trabalho hoje?

Sou formada em Biblioteconomia há 4 anos, e digo que quanto mais você sabe, quanto mais você aprende e mais está aberto a ensinar, mais fácil seu trabalho vai ficar. Sendo sincera, eu mesma não acreditava que podia ser tão criativa, e que um dia eu pudesse explorar mais dessa habilidade, muitas vezes você acaba tendo ideias promissoras que nunca imaginou ter.

O trabalho manual (corta e cola, artesanato e criação) afloram suas habilidades, deixam as atividades mais fáceis e mais rápidas. O uso das tecnologias também pode ser promissor. É bom trabalhar os dois lados, o emocional e o racional, ter uma boa postura e inteligência emocional é uma ótima competência e deve ser trabalhada sempre.

Onde conseguir essas competências? 

Existem diversos cursos, a Biblioteconomia por si só nos ajuda muito na área da Infoeducação, pelo fato de termos o envolvimento com a parte cultural. Os cursos de criatividade, design, design thinking, gestão de projetos culturais contribuem muito também. Mesmo que você não tenha tempo, há muitos cursos online, de qualidade. E claro, o trabalho manual, criação, criatividade e design fizeram toda diferença.

O que você conhecia sobre esse tipo de trabalho antes de se candidatar à vaga?

Na verdade eu conhecia muito pouco, a meu ver é uma nomenclatura pouco utilizada, mas a fundo vejo como um plus aos bibliotecários atuantes na área. Pouco conhecida dentro da Biblioteconomia, pois acaba quebrando um pouco a tradicionalidade da biblioteca. Tem uma linha de estudos e de ações socioculturais que se ocupam da dimensão formativa da informação. Eu não imaginava o que era, até começar a atuar.

Você tem visto profissionais de outras formações assumindo cargos de Infoeducadores?

Pra falar a verdade eu não vejo muitos. Acredito que a nomenclatura é pouco utilizada, o infoeducador nada mais é um bibliotecário atuante da área sociocultural, que está inteiramente ligado a gestão de projetos culturais. Acredito também que podemos encontrar com maior facilidade os bibliotecários escolares atuando como infoeducadores e muitas vezes nem sabem. É uma área muito gostosa de se trabalhar, de estar, e fazer acontecer e ver sua evolução, a área poderia ser mais divulgada e mais valorizada.

“Podemos encontrar com maior facilidade os bibliotecários escolares atuando como infoeducadores e muitas vezes nem sabem”.

Conte-nos um pouco sobre algum projeto ou projetos que você desenvolveu ou participou como infoeducadora e porque ele foi relevante.

Como mencionei, a cada dois meses realizados uma exposição sobre algum assunto relevante aos usuários. Uma vez por ano realizamos um World Café onde trocamos ideias com os usuários e eles podem nos dizer abertamente o que gostariam de ver, ter e contribuir.

Um dos projetos mais legais que participei foi a exposição “Meu PET”, nesta exposição criamos uma das decorações mais bonitas, detalhadas e temáticas em nosso espaço. O intuito era justamente aproximar e aguçar a parte afetiva dos colaboradores, desenvolver o engajamento e a participação de todos, a cada exposição realizamos indicações de livros, jogos e mídias, o que a torna mais atrativa e direta. Também pensamos em evidenciar em cada projeto – de uma forma leve, porém direta – os valores institucionais da empresa.

Dentro da empresa, todos os colaboradores estão integrados a determinados eixos de conhecimento, competências e habilidades que são desenvolvidas durante a carreira, no entanto sempre existem algumas competências que eles ainda precisam desenvolver. O Espaço Cultural auxilia esse Programa de Desenvolvimento Individual (PDI) na realização, curadoria de conteúdo, pesquisas e referências dos cursos online oferecidos especificamente para o desenvolvimento dessas competências e habilidades.

Observamos diariamente o quanto o PDI é importante e que, se levado a sério, pode ser de grande impacto para os colaboradores.

Fonte: Bibliothinking