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Em plena era digital, livros didáticos são oásis de conhecimento e credibilidade

Creusa dos Santos é uma das autoras do livro didático “Povos Indígenas e Afro-brasileiros: Um Estudo da Diversidade no Brasil”, distribuído nas escolas estaduais de Belém.

Universitário de engenharia civil pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Gabriel Garcia, 21 anos, costuma passar uma média de seis horas por dia na Biblioteca Pública Arthur Vianna, localizada no prédio do Centur. Entre livros didáticos de física, ele relembra fundamentos e, à tarde, chega revigorado às aulas do primeiro semestre de seu curso superior.

Estudar em livros didáticos impede a desconcentração tão comum quando a gente estuda pela internet. Focar nos estudos, se vendo livre da tentação de acessar as redes sociais, é mais simples quando se estuda com um livro didático nas mãos”, disse o universitário.

Gabriel está entre os frequentadores diários da Biblioteca Pública Arthur Vianna. Com mais de 140 anos, o local é uma das principais referências na área em Belém, recebendo uma média de mil usuários por dia.

Fonte segura

Antes da popularização de instrumentos tecnológicos e sites especializados, a “biblioteca do Centur”, como é conhecida, era uma das principais fontes de pesquisa para alunos de todos os níveis de ensino em Belém. Mas mesmo com o auge da era digital, o espaço continua sendo um refúgio dos estudantes do ensino regular de todos os níveis, por conta dos milhares de livros didáticos oferecidos. Nesta semana, quando se comemorou o Dia Nacional do Livro Didático (27 de fevereiro) ele se consolida como um oásis de conhecimento e credibilidade.

Quando o aluno faz uma pesquisa no livro didático, ele tem uma fonte segura, diferente do que ocorre na internet, com uma avalanche de informações que às vezes carecem de identificação. E os professores cobram as referências das fontes e autores na hora de corrigir um trabalho”, lembra Simone Rabelo, bibliotecária da Fundação Cultural do Pará (FCP), que administra o espaço.

Mesmo com o recurso do Infocentro, que oferece mais de 50 computadores que dão acesso a um mundo de informações, uma média de 30 livros didáticos por dia, 400 por mês, são utilizados na biblioteca. “O livro didático é fundamental para ampliar os conhecimentos dos nossos usuários, principalmente os que vêm das escolas públicas. Por causa disso, disponibilizamos os livros inclusive para empréstimos, pelo prazo de 10 dias, para eles terem um tempo maior em casa para estudar”, disse Ruth dos Santos, coordenadora da Biblioteca Pública Arthur Vianna.

História

A história do livro didático no Brasil começou em 1929, quando o governo criou um órgão específico para legislar sobre essa área: o Instituto Nacional do Livro (INL). Ao longo das décadas seguintes, a política oficial para o livro didático passou por diversas adaptações, até chegar ao atual Programa Nacional do Livro Didático, criado em 1985.

A partir daquele ano, o professor passou a escolher o livro mais adequado aos seus alunos e ao projeto político pedagógico da escola. A reutilização do livro e a introdução de critérios de produção seguindo normas técnicas, com o objetivo de garantir maior durabilidade e qualidade ao material, também foram importantes avanços.

O livro didático é considerado recurso pedagógico fundamental e sua distribuição gratuita aos estudantes da rede pública é assegurada pelo Estado. Este suporte pedagógico é de suma importância para o processo de aprendizagem e no desenvolvimento do aluno como ser humano.

Para milhares de crianças, o livro didático é o primeiro contato com o universo literário. Para outros milhares, durante muitos anos, ele seguirá como único suporte de conhecimento cultural. Sendo assim, os exemplares distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático nas escolas públicas brasileiras, requerem um cuidado todo especial e colaborativo.

Livro que faz história

Entre os vários livros didáticos que são distribuídos nas escolas estaduais de Belém, está o “Povos Indígenas e Afro-brasileiros: Um Estudo da Diversidade no Brasil”. De autoria de Creusa dos Santos, Paulo Sérgio Braga e Rildo Ferreira da Costa, o livro é classificado como uma obra transversal, adotado no ensino das disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura, História, Geografia e Arte, desde o sexto ano do nível fundamental até o terceiro ano do ensino médio.

Lançado no ano de 2011, com tiragem de 40 mil exemplares na primeira edição, o livro já teve sua segunda edição lançada no ano de 2013. A obra se destaca enquanto instrumento de implantação curricular do tema das relações étnico-raciais na escola, cumprindo a exigência da Lei n 11.645/2008, que inclui no currículo oficial da rede pública de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-brasileira.

Composto por fotos, textos, gráficos e citações de diversos autores, o livro desmistifica a cultura afirmativa observada nos livros de História até meados dos anos 80. “Orgulha-me muito encontrar professores que usaram meu livro em sala de aula e relataram a experiência de terem estimulado um debate muito mais empoderado e assertivo em torno da questão do racismo. Os livros didáticos comuns trazem o tema de uma maneira historiográfica e quantitativa e o nosso livro se propõe a internalizar o debate de uma forma crítica”, destaca Creusa dos Santos, docente do curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Pará, integrante da Associação Nacional de Pesquisadores Negros (ABPN) e autora da obra.

Por Syanne Neno

Fonte: Agência Pará

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