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Em Busca do Bibliotecário nos Projetos de IA

Texto por Fabiola Aparecida Vizentim

Sempre gostei de tecnologia. O meu primeiro emprego foi como instrutora em uma escola de informática. Na graduação, escolhi Biblioteconomia porque no catálogo de profissões mencionava atividades como organização de informação e estruturação de bases de dados. Algo que eu já possuía afinidade e interesse.

Também gosto muito de aprender, conhecer as últimas tendências, estar sempre ativa na minha área de atuação. No início de 2019, li um artigo que discutia sobre o futuro das profissões diante da automatização (The future of employment: how susceptible are jobs to computerisation?). Nele, pesquisadores da Universidade de Oxford, afirmavam que o bibliotecário possuía uma probabilidade de 65% de robotização, técnicos e auxiliares de biblioteca 95% de probabilidade. A profissão que escolhi havia recebido o prognóstico de desaparecer.

Não me conformei com esse cenário nada otimista e pensei:

Se as novas tecnologias como robotização e inteligência artificial precisam de um grande volume de dados padronizados e classificados para alimentar os algoritmos de machine learning, com certeza o bibliotecário pode participar e contribuir com essa transformação, pois nós representamos e organizamos o conhecimento desde a Biblioteca de Alexandria (século III a.C.), certo? ”

Assim, comecei a estudar o assunto, a seguir profissionais da área nas redes sociais e a participar de meetups realizados por comunidades de inteligência artificial (IA). Conheci muitos mentores, mas ainda não havia conseguido um exemplo real de atuação.

Foi então que, em novembro de 2019, uma bibliotecária colocou um post numa rede social contando que estava no evento Microsoft AI+ Tour LATAM e que em um dos painéis o CEO de uma empresa que fornece soluções baseadas em IA, afirmou a importância do profissional de Biblioteconomia nesse contexto de transformação digital atual. Meus olhos brilharam!

Enviei uma mensagem para ela solicitando detalhes: qual era a empresa?, qual o nome do CEO?, como o bibliotecário estava contribuindo para os projetos? Estava curiosa e ansiosa para saber os detalhes. Finalmente, havia descoberto um exemplo real que redireciona e ressignifica a função do bibliotecário no cenário tecnológico futuro.

Com os detalhes em mãos, descobri que se tratava da empresa de Engenharia Cognitiva, a Omnilogic (post sobre o painel), focada em fornecer soluções baseadas em IA para varejistas e marketplaces. Fiz novas pesquisas e localizei a bibliotecária Thaianne Vieira que trabalha lá, conversei com ela por Skype e o que eu ouvi foi acalentador. Por isso, compartilho com vocês as respostas dessa “entrevista” divididas em 4 (quatro) perguntas de acordo com os escopos abaixo relacionados:

1. Quais atividades os bibliotecários desenvolvem nos projetos de IA da Omnilogic?

Atualmente nós temos no organograma da Omnilogic não apenas bibliotecários, assim como também temos estudantes de Biblioteconomia e de áreas correlacionadas. Todos estes voltam seus esforços para a organização e estruturação da informação, que fomenta nossa inteligência e a torna cada vez mais rica. Como muitas vezes nossas ferramentas são destinadas à clientes e parceiros que são marketplaces, nosso trabalho é voltado geralmente para a organização de catálogos de produtos.

2. Quais as competências e habilidades dos bibliotecários que você considera mais relevantes para a realização dessas atividades?

Apesar de não ser um nicho tradicional de trabalho do profissional bibliotecário, é necessário saber lidar com catalogação, indexação e principalmente classificação, já que a eficiência do sistema de recuperação da informação depende de uma estruturação clara e com o menor número de ambiguidade de conceitos possíveis.

3. Que conselho você daria para os bibliotecários ou estudantes de Biblioteconomia que possuem interesse em trabalhar com IA?

Na realidade, antes de mais nada, é necessário entender qual é o tipo de trabalho que se deseja exercer quando falamos de IA. Existem duas frentes se tratando de projetos de IA: a organização do conhecimento, que lida diretamente com os dados, e a frente de desenvolvimento de softwares, onde há a construção de códigos e scripts para de fato criar uma aplicação. Se deseja trabalhar com manipulação de dados, sempre é bom adquirir conhecimentos nas áreas de Análise de Dados, Arquitetura da Informação e Ontologias. Agora para a segunda frente, sugiro que se especialize nas áreas da Computação, Sistemas de Informação, Engenharia de Sistemas e de Software, entre outras.

4. Como você vê o futuro da Biblioteconomia nesse mercado de tecnologia em constante transformação?

Acredito que nossa área precisa urgentemente se abrir às novas mudanças. Enxergar outras possibilidades de atuação e capacitar melhor seus futuros profissionais, permitindo visibilidade pelo mercado. Precisamos fazer com que as organizações entendam que os bibliotecários não são apenas os estereótipos que seguem atuando dentro de uma biblioteca, pois nós lidamos com a informação e a informação está em todos os lugares. Vivemos em uma era em que estamos sempre frente a um turbilhão de informações e cada vez mais se faz necessário um profissional que saiba lidar com grandes volumes de dados e todos os seus desafios. Por isso, precisamos pensar de forma crítica sobre a organização e o consumo dos dados, visando agregar valor ao negócio dos clientes que buscam pelas nossas soluções.

E, se você assim como Thaianne e eu, acredita que os bibliotecários fazem a diferença nos projetos de IA porque tão importante quanto ter os dados é catalogá-los, entre no grupo IA Biblio BR do LinkedIn. Nesse grupo, vamos discutir o assunto e compartilhar eventos, matérias e notícias relacionados ao tema.

Fonte: Linkedin

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