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Educadora de Porto Alegre é finalista em prêmio internacional com livro infantil adaptado para braile

Por Lilian Lima, G1 RS

Educadora conquistou o segundo lugar em etapa brasileira de concurso internacional — Foto: Jefferson Bernardes/PMPA

Educadora conquistou o segundo lugar em etapa brasileira de concurso internacional — Foto: Jefferson Bernardes/PMPA

Uma professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dolores Caldas, do bairro Restinga, em Porto Alegre, foi indicada para participar de um prêmio internacional em Bruxelas, na Bélgica, em outubro, com um livro infantil adaptado para braile.

Creusa Fraga Marques garantiu presença após ganhar o segundo lugar no Concurso Nacional do Livro Tátil, entregue na noite desta terça-feira (17) no Rio de Janeiro. A etapa brasileira selecionou cinco obras para representar o país na Europa.

O concurso internacional Typhlo&Tactus estimula a produção de livros para crianças com deficiência visual e é promovido pela instituição de caridade francesa Les Doigts Qui Rêvent (Dedos que Sonham, em tradução livre).

Poesia em braile: saiba mais sobre a obra

A educadora foi reconhecida pela adaptação para o braile, aplicação de cor e texturização do livro “A vida do meu jeito. Não importa como!”, da escritora paranaense Léia Cassol. Creusa, que tem 22 anos de experiência como psicopedagoga, é especialista em Educação Especial e Deficiência Visual e está há oito anos na rede municipal.

“O papel da escola é produzir e fazer com que esse aluno tenha acesso à literatura, às diversas fontes de escrita. Esse prêmio pra mim diz muito, principalmente dentro da rede pública”, diz a professora ao G1.

Trabalho envolveu recortes, pesquisa de materiais, escolha de cores de contraste e criação de texturas. — Foto: Arquivo pessoal

Trabalho envolveu recortes, pesquisa de materiais, escolha de cores de contraste e criação de texturas. — Foto: Arquivo pessoal

O livro transcrito foi produzido pela professora para 14 alunos cegos ou com baixa visão que frequentam a Sala de Integração e Recursos Visuais (SIR) da escola. O núcleo é referência em suporte pedagógico para a inclusão de alunos com deficiência visual e atende escolas municipais das zonas Sul e Oeste da Capital.

“Esse livro foi pensando para uma menina que estuda aqui na escola. Ela tem 8 anos, está em processo de alfabetização. É uma menina que tem todas as condições cognitivas de ler e escrever em braile. A Ana Luiza é uma menina muito exigente. Ela quer sempre mais. Tu dá um livro e ela diz: ‘Nossa, esse livro é lindo. Qual o outro que tu tens?’ Então, a gente fica sempre em busca de algo novo para ela estudar”.

Foram duas semanas de um trabalho minucioso que envolveu recortes, pesquisa de materiais, escolha de cores de contraste e criação de texturas para a obra de literatura infantil.

“Eu gosto muito desse livro porque ele é uma poesia. A ilustração se deu em cima dessa poesia, página por página, tentando ser fiel à ilustração do livro. Esse foi o diferencial. Eu trabalho com uma colega que é cega e tudo que é produzido passa pela avaliação dela. Foi um trabalho muito artesanal”.

Com 24 páginas, é um poema que explora o valor e a felicidade nas coisas simples da vida, como banho de chuva, a beleza das flores e correr pela rua.

“O livro diz que tu tens que fazer as coisas do teu jeito, sem se importar com os outros e tem que ser feliz, sonhar. E é isso que a gente trabalha com o aluno que tem acesso a esse livro”.

“Eu gosto de levar para casa para ler com a mãe e os manos. É muito legal. Eu aprendi com ele”, conta a pequena Ana Luiza Pereira Pinheiro, aluna do 2º ano do Ensino Fundamental.

De acordo com a educadora, produzir a descrição fidedigna de um livro em imagens é extremamente desafiador e já faz parte dos atrativos da sala de inclusão.

“O desenvolvimento da autonomia depende do aluno, mas depende também do professor: da sua sensibilidade e afeto, do entendimento da diferença, do respeitar de abraçar. A gente precisa se debruçar sobre aquilo que o aluno é capaz de aprender naquele momento”, destaca a professora.

Ana Luiza, de 8 anos, é uma das alunas que participam da sala de inclusão.  — Foto: Arquivo pessoal

Ana Luiza, de 8 anos, é uma das alunas que participam da sala de inclusão. — Foto: Arquivo pessoal

Fonte: G1 RS

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