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Educação 360: a contribuição da literatura em tempos de retrocesso

‘Nós estamos limpando as histórias achando que assim ajudamos as crianças, mas acontece o inverso’, afirmou o escritor e educador Ilan Brenman

Texto por Darlan Azevedo

O educador Ilan Brenman, durante sua palestra no Educação 360 – Andre Lima / Agência O Globo

Educação 360 é promovido pelos jornais O GLOBO e Extra com patrocínio de Sesi, Fundação Telefônica, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Colégio pH, apoio de Fundação Cesgranrio, e apoio institucional de TV Globo, Canal Futura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Unesco, Unicef e Todos pela Educação.

Durante seu discurso, o educador explicou que a censura à literatura infantil vem crescendo, o que faz adultos pararem de ler histórias para as crianças com medo de apavorá-las, dificultando ainda mais a adaptação dos pequenos à sociedade.

— Nós estamos limpando as histórias achando que assim ajudamos as crianças, mas acontece o inverso. Nunca tivemos tanta violência, indisciplina e angústia nas escolas. É tão grande a preocupação que a criança vai ficando alérgica à vida. Tira-se a imunidade simbólica e, quando chegam as complicações da vida, elas não sabem lidar — afirma Brenman.

A importância da aquisição da habilidade da leitura foi o tema central do debate, que abordou ainda o papel decisivo da escola para a inclusão social de milhões de pessoas, seja na aprendizagem da leitura, na vivência dentro do ambiente educacional, assim como na capacidade de contar histórias.

Essa habilidade de narrar conhecimentos, para Brenman, é o que move as sociedades há mais de 5 mil anos. Através delas é que torna-se possível dar sentido à vida e explicar nossa origem.

— As comunidades antigas contavam histórias para explicar o inexplicável. O ser humano não suporta o desconhecido e por isso sempre buscamos tentar explicar a natureza — explica.

Palavras ajudam a diminuir a agressividade

Os benefícios da literatura podem ir além e têm sustentação empírica. Segundo o educador, um estudo realizado pelo Instituto Alfa e Beto avaliou o comportamento de crianças para compreender o comportamento agressivo:

— O estudo provou que as crianças mais agressivas, que atacam com mordidas, por exemplo, são as que menos falam. E é nisso que a literatura e as palavras colaboram em suas vidas. Quando elas são mais comunicativas, a violência doméstica e nas escolas diminui, mesmo em regiões que apresentam altos índices deste tipo.

Fonte: O Globo

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