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Editoras não estão animadas com o suposto “Netflix de revistas” da Apple

Texto por Bruno Santana

Há alguns meses, comentamos aqui as supostas movimentações iniciais da Apple para relançar o serviço da Texture, a plataforma de revistas digitais comprada pela Maçã que funciona como uma espécie de “Netflix de periódicos” — isto é, você paga um valor fixo mensal e tem acesso a um grande catálogo de todas as edições mais recentes de várias revistas e jornais do mundo.

A Texture continua oferecendo seu serviço de forma independente (ou seja, não há qualquer menção à Apple nas suas páginas ou integração com o ecossistema da Maçã), mas, aparentemente, isso deverá mudar em breve: os planos de Cupertino são justamente relançar a plataforma como um serviço próprio, altamente integrado ao app News e com várias novidades. O problema? As editoras não estão muito animadas com essa ideia.

Citando fontes próximas do assunto, a Bloomberg publicou recentemente uma matéria afirmando que a Apple está tentando convencer publicações como o New York Times e o Wall Street Journal não só a incluir seus produtos na nova plataforma, como adaptá-los a ela. Atualmente, a Texture exibe uma versão estática das páginas da revista ou do jornal no seu smartphone ou tablet (pense num PDF), mas a ideia da Maçã é tornar os conteúdos bem mais dinâmicos, aproximando-os de artigos da internet.

Os planos da Apple envolvem também uma mudança na estrutura de preços do serviço. Atualmente, a Texture cobra US$10/mensais, com um adicional de US$5 caso o usuário queira ter acesso a publicações especiais, como a New Yorker. A Maçã quer eliminar esse “plano especial” e cobrar apenas uma assinatura de US$10 que englobe todos os jornais e revistas.

Isso, claro, espanta as editoras: só o New York Times, por exemplo, cobra mais que US$10 por mês pelo acesso à sua plataforma online (após os meses promocionais introdutórios). Ninguém sabe, exatamente, qual será a distribuição de lucros desse novo serviço da Apple, mas uma coisa é certa — será um ganho menor do que se cada usuário fizer uma assinatura separada. Por outro lado, o número de pessoas interessadas na plataforma da Maçã pode ser exponencialmente maior — afinal, estamos falando de um serviço embutido em dezenas de milhões de dispositivos ao redor do mundo.

Numa época de incertezas para o mercado editorial (só em 2018, as vendas de publicidade em revistas devem cair 10%), uma ideia como a da Apple tanto pode ser uma salvação quanto um canto do cisne. Algumas ideias foram jogadas aqui e ali: o jornalista Steven Brill, por exemplo, citou a possibilidade de os veículos incorporarem suas paywalls dentro da plataforma — o que, na opinião deste que vos escreve, seria uma grande estupidez. Afinal, você já está pagando e teria de pagar mais ainda para continuar?

O fato é que a Maçã está no campo: executivos da empresa, como Eddy Cue e a ex-executiva da editora Condé Nast Liz Schimel, estão tendo reuniões frequentes com grandes nomes do mercado editorial para convencê-los de que a plataforma da Apple é uma salvação para as revistas e os jornais. Eles dão como exemplo o Apple Music, que ajudou a revitalizar a indústria fonográfica e já tem mais de 50 milhões de assinantes em menos de quatro anos.

Se o sucesso será repetido nas publicações, teremos de aguardar para ver.

Fonte: MacMagazine

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