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Editoras da USP disputam lugar no mercado

Cinco editoras sediadas na Cidade Universitária têm trajetórias de conquistas, lutas e dificuldade

Por Maria Laura López

Livraria João Alexandre Barbosa, Edusp – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Seja pelo nome que remete à Universidade de São Paulo ou pelos quase 4.000 títulos publicados por ela, a Editora da USP (Edusp) é a editora da universidade mais conhecida dentro e fora do ambiente acadêmico. No entanto, existem no mínimo outras quatro sediadas na USP – Publicações BBM, Com-Arte, Humanitas e Discurso Editorial -, que também publicaram importantes obras ao longo de sua história e fazem parte, cada uma a seu modo, do concorrido mercado editorial universitário.A Edusp atualmente publica trabalhos de todos os institutos da USP. Desde a área de exatas, como o livro Números – Uma Introdução à Matemática (2013), de César Polcino Milies e Sônia Pitta Coelho, que ganhou o 41° Prêmio Jabuti, levando o 3° lugar em Ciências Exatas, Tecnologia e Informática, até a área de artes, como a obra A Erótica Japonesa na Pintura & na Escritura dos Séculos XVII a XIX, de Madalena Natsuko Hashimoto Cordaro, ganhadora de quatro prêmios: 4° Prêmio Abeu (Projeto Gráfico), 4° Prêmio Abeu (Linguística, Letras e Artes), Icas Book Prize e Prêmio Mário de Andrade.

Acredito que o grande diferencial da Edusp está na qualidade de suas publicações, não só em relação ao conteúdo, mas também quanto ao trabalho gráfico que realiza”, afirma o presidente da Edusp, Lucas Antonio Moscato. Ainda segundo ele, essa boa atuação rendeu a ela o reconhecimento como editora mais premiada do País, em 2018.

A Edusp, criada em 1962, começou a publicar títulos próprios em 1988 e, até hoje, já tem quase 4.000 obras em catálogo. “Acho que, além da qualidade das publicações, nosso interesse maior é disponibilizar aquele conteúdo e torná-lo acessível a quem precisa dele”, conta também Bruno Tenan, diretor de marketing da Edusp.

Livraria João Alexandre Barbosa, Edusp – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A Publicações BBM aparece como nova promessa. “Aqui nós estamos iniciando uma editora, já temos uma meia dúzia de títulos publicados, e temos como projeto publicar coisas um pouco mais ligadas ao mundo do livro”, conta o professor Plinio Martins Filho, editor do setor de publicações da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.

As obras da editora da biblioteca visam a atender às pesquisas ali desenvolvidas e o acervo de obras raras que contém. Dentre os recentes títulos publicados está O Bibliófilo Aprendiz, de Rubens Borba de Moraes, que é “referência para colecionadores”, como afirma Martins Filho. O professor, que trabalha com editoras desde 1971 e ficou cerca de três décadas na Edusp, agora, além de trabalhar na BBM, também coordena o projeto laboratório do curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, a Com-Arte.

A editora da ECA também é orientada pelos professores Marisa Midori e Thiago Mio Salla. Para Marisa, a principal preocupação da Com-Arte é formar os alunos para o mercado de trabalho. “O laboratório é dividido em três semestres para que os estudantes possam aprender todas as fases do desenvolvimento de um livro, desde a escolha dos originais até sua impressão.”

Criada praticamente junto com o curso de Editoração, em 1972, a editora já tem mais de 400 publicações e recebeu no ano passado o Prêmio Jabuti pelo livro Design de Capas do Livro Didático, de Didier Dias de Moraes. “A qualidade das nossas publicações está diretamente ligada à formação dos nossos alunos. Queremos que eles entendam que a identidade da editora é o editor”, afirma Marisa.

Crise do mercado afeta duas editoras

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Dessa forma, Edusp, Publicações BBM e Com-Arte apontam para o futuro do mercado editorial ligado à Universidade de São Paulo. E principalmente, se mostram como as principais plataformas de divulgação da cultura do conhecimento produzido na USP. Mas, se essas três editoras têm o que comemorar, outras duas – também ligadas à Universidade – passam por percalços. A Editora Humanitas e a Discurso Editorial, ambas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, por outro lado, não têm conseguido escapar da crise atual e vêm sofrendo com a queda nas vendas do mercado livreiro.

A Humanitas foi criada há 15 anos por um grupo de professores da FFLCH com intuito de divulgar os trabalhos dos próprios docentes e dos alunos da faculdade. Durante esses anos chegou a publicar cerca de 500 livros, tornando-se muito reconhecida no ambiente acadêmico. “Apesar disso, em vista de diversos problemas, nós estamos tendo que fechar”, diz a professora Ieda Maria Alves, coordenadora da Humanitas, que não quis se aprofundar a respeito dos motivos do fechamento da editora.

Já o professor do Departamento de Filosofia Milton Meira do Nascimento foi mais aberto ao falar sobre o encerramento das atividades da Discurso Editorial, que foi criada em 1993 e que ele coordena sozinho atualmente. “Nós sobrevivíamos com a venda dos livros, mas, com a drástica queda no consumo dos últimos anos, tivemos que dispensar as poucas funcionárias que tínhamos.” Assim os recursos para a produção de novas obras e divulgação das que ainda existem foram ficando cada vez mais escassos.

Dentre as cerca de 120 publicações da Discurso está o livro Descartes Segundo a Ordem das Razões (2016), de Martial Gueroult, que teve seus dois volumes condensados e traduzidos do francês para o português, num trabalho que durou cinco anos. Outra produção que marcou a história da editora foi o Jornal de Resenhas, que de 1995 a 2004 foi encartado no jornal Folha de S. Paulo, e contou com textos de intelectuais como Antonio Candido e Marilena Chauí.

Fonte: Jornal da USP

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