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Distribuir fake news é como receptar produtos ilegais e repassá-los. Não seja esta pessoa

Produzir fake news é atentar contra o direito de todo cidadão a ter acesso a uma informação fidedigna

Texto por Kátia Cubel

Fake news é uma mentira disfarçada de notícia. Seu conteúdo nunca traz nada de bom, de positivo. Tem como objetivo fomentar opiniões, contundentes de preferência, e incentivar a agressividade para desconstruir o seu alvo. É intencionalmente preparada para provocar reações negativas, julgar pessoas e corroer reputações, conceitos e relacionamentos. Seus principais canais de proliferação são redes sociais e WhatsApp. Produzir fake news é abusar da boa-fé de quem irá recebê-las. É atentar contra o direito de todo cidadão a ter acesso a uma informação fidedigna.

O direito à informação é um preceito constitucional instituído no Brasil em 1988, quando a Carta Magna vigente entrou em vigor. Em nosso país, assim como nas demais nações democráticas, o direito à informação é uma garantia definida em lei, uma segurança ofertada ao cidadão. Pública ou particular, de interesse geral ou restrito, a informação, para assim ser considerada, precisa expressar a realidade.

Enviar para o WhatsApp de um cidadão uma informação mentirosa equivale a lhe entregar um produto falsificado. É uma invasão de sua “casa” digital, para deixar-lhe o resultado de uma fraude. É atentar contra sua boa-fé, para lhe trazer malefícios. Escrever, adaptar ou distribuir fake news é uma metáfora comportamental que equivale a receptar produtos ilegais e repassá-los ao mercado.

Diante de uma informação que lhe cause impacto, distribuída fora dos meios convencionais, que são rádio, TV, plataformas de notícias, jornais e revistas, desconfie! Ao começar a leitura, verifique qual a fonte de informações, o autor e o vocabulário utilizado no texto. Notícias não têm adjetivos, não têm exclamações, interjeições, nem são escritas para induzir o leitor a uma opinião, que nem sempre coincide com sua interpretação original.

A data do fato é muito relevante. Por exemplo: fotos de filas para comprar gás durante a greve dos caminhoneiros foram utilizadas recentemente em grupos de WhatsApp como se retratassem desabastecimento em tempos de Covid-19. Seu uso, com o intuito de gerar pânico, acentuar a insegurança da população e divulgar um problema inexistente caracteriza uma fake news. Os detalhes da imagem foram reveladores: a proximidade entre as pessoas na fila e a falta de máscara dos que aguardavam atendimento deram as pistas para desconstruir a mentira. Também tem sido comum a distribuição de fake news com recomendações falsas contra a Covid-19, atribuídas a médicos que não existem.

Detectar uma fake news é mais fácil do que parece. Pesquise em sites de busca se a informação que você recebeu está referenciada em outras bases de dados. A preocupação em esclarecer se uma informação é ou não fake news já se institucionalizou. Entidades públicas e privadas se dedicam a desfazer dúvidas e enganos e a fomentar o que se chama de educação midiática.

No Poder Público, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desenvolveu um programa para coibir a difusão de mentiras que influenciam nos resultados eleitorais. O Instituto Palavra Aberta, entidade do Terceiro Setor, criou o EducaMídia, um programa gratuito, acessível por Internet, para combater informações duvidosas.

A Organização das Nações Unidas e o Ministério da Saúde brasileiro já consideram as fake news uma questão de saúde pública. Não as produza. Não as compartilhe. Averigue antes de passar adiante. Fazer ou promover fake news é mentir. Não faça parte dessa doença.

Kátia Cubel, jornalista, é diretora de Comunicação e Relacionamento da Engenho Comunicação, mestranda em Neuromarketing, analista de redes sociais e marketing digital, palestrante e instrutora de comunicação. É presidente do Prêmio Engenho de Comunicação – O Dia em que o Jornalista Vira Notícia.

Fonte: Metrópoles

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