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Diálogos para uma biblioteca pública e bibliotecários responsáveis

Texto por Leonardo Marçal

Victor Flusser em seu artigo “Uma Biblioteca Verdadeiramente Pública”, inicia reflexões acerca do processo de distanciamento entre alguns grupos sociais e a cultura. Afirma que há uma diferenciação clara entre o “povo” – generalidade da população que estão marginalizados do acesso a cultura, também chamados de “não-público” -, e o “público” – recorte específico que se caracteriza pelos que podem acessar a cultura (público potencial) e os que acessam propriamente (público efetivo).

Dá continuidade a reflexão traduzindo a inquietação de que para que uma biblioteca possa verdadeiramente ser chamada de pública, esta deve, necessariamente se voltar para o “não-público”. Esse desafio se expressa de modo bastante visceral ao considerar que o não-público não compreende, no sentido de não fazer qualquer sentido ou funcionalidade, a linha de interação, ou nos dizeres de Flusser, a “palavra” da cultura. Ademais, tampouco detém este mesmo não-publico possibilidades ou fatores condicionantes em seu favor para garantir a constituição de uma “cultura-palavra” que fizesse sentido para si, no âmbito desse possível diálogo.

Assim, começa a fazer cada vez mais sentido a proposição de que para ser verdadeiramente pública, uma biblioteca tem o dever de participar do processo de emersão da “palavra” do não-público. Somente assim pode fazer sentido ofertar uma resposta a aspiração fundamental em favor da igualdade – componente que por si mesmo é estruturante de qualquer política cultural dita libertadora.

A biblioteca deve, desta forma, buscar ofertar acesso crítico ao depósito da herança cultural de determinada coletividade, ou seja, favorecer a mediação cultural por meio de uma síntese dialética com o que ainda será criado, pois na relação com o não-público o material ainda terá que ser construído e o será em conjunto. É por isso que a biblioteca que assume tal papel não pode restringir apenas a cultura literária, mas assume o compromisso e vocação de tornar-se um centro de cultura e ferramenta estratégica de libertação da comunidade a qual pertence.

Acesse a matéria completa pelo De Olho na CI e compreende o papel das bibliotecas públicas e a importância da responsabilidade social do bibliotecário nesses ambientes

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3 comentários

  1. Adriana Nascimento

    Artigo bem informativo e relevante, mostra a importância do profissional de Biblioteconomia em meio à uma sociedade que não tem incentivo de busca por conhecimento, bibliotecas públicas são à chave para um futuro desconstruído, das quais agrega cultura e assim tornando as pessoas mais didáticas e abertas ao aprendizado. Agradecimentos ao Prof. Leonardo Marçal.

  2. Ficou ótimo Léo. Gostei muito e entendi bem. Pra mim que sou leiga no assunto. Foi de fácil compreensão. Importante na leitura , passar a ideia e captarmos essa ideia por quem escreveu . Parabéns

  3. Parabéns pelo texto de conteúdo agregador e contemporâneo, e apesar de parecer óbvia a responsabilidade social dos bibliotecários e das bibliotecas implícitas no nosso juramento, ainda vemos profissionais e bibliotecas prestando serviço como há 20 anos. Então, essa temática toma relevância e materialidade para nossas discussões. Para Leonardo Marçal

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