Página inicial / Ciência da Informação / Dia Internacional do Acesso Universal à Informação reforça o poder do conhecimento público para a inclusão social

Dia Internacional do Acesso Universal à Informação reforça o poder do conhecimento público para a inclusão social

Reprodução/UNESCO

O acesso universal à informação com qualidade, em meio aos desafios impostos pela hiperinformação do mundo digital e aos crescentes ataques às liberdades de imprensa e de expressão, é um dos principais caminhos para uma sociedade mais inclusiva. Essa é uma das principais motivações para a celebração do Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, nesta sexta-feira (28), data criada por resolução da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). “Estar bem informado significa ser um cidadão esclarecido, crítico, capaz de fazer parte de forma ativa na vida de sua comunidade e de seu país”, disse em mensagem por ocasião da data a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoula.

Em seu texto, Azoula, enfatizou que estar bem informado implica, por exemplo, poder acessar conhecimentos essenciais para garantir a saúde e o bem-estar ou disponibilizar recursos educacionais que permitem a aprendizagem ao longo de toda a vida e a adaptação a um ambiente socioeconômico em constante mudança. “Significa estimular o potencial de criatividade e inovação. Significa também estar ciente das principais questões do nosso tempo, como a mudança climática, e saber as respostas sobre o que é preciso ser feito para tentar mitigar seus efeitos”, frisou na mensagem alusiva à data, que também defende a proteção das liberdades fundamentais.

Mesmo nos países em que a livre expressão e a liberdade de imprensa estão constantemente ameaçadas é possível estabelecer iniciativas capazes de avançar no que defende a UNESCO. É o caso do México, segundo relata em artigo no jornal La Silla Rota, a jornalista Blanca Lilia Ibarra Cadena. Este é um dos desafios mais importantes para o Instituto Nacional para a Transparência, Acesso à Informação e Proteção de Dados Pessoais (INAI, na sigla em espanhol), afirma Ibarra Cadena: “Garantir que o direito de acesso à informação possa ser exercido por qualquer pessoa, em igualdade de condições, isto é, que se expande com uma perspectiva inclusiva da sociedade em geral e é mais do que uma ferramenta para quem realiza pesquisa, academia e jornalismo”.

Ibarra Cadena afirma que esse direito também contribui para o nível pessoal e comunitário daqueles que solicitam a informação, uma vez que seu exercício é transversal, ou seja, favorece o conhecimento e o uso de outros direitos. Entre eles, exemplifica, estão a previdência social, aposentadoria e pensão; registros clínicos de familiares para o reconhecimento deles como beneficiários de algum seguro; entre outros tantos. O INAI, diz a jornalista, também deve contirbuir no combate a um problema crônico do México, assim como em outros países: a corrupção.

Imprensa pluralista e livre

O jornalismo tem papel fundamental na garantia da universalização do conhecimento. Nesse sentido, em sua mensagem, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoula, destacou que o acesso à informação é certamente uma questão relativa à liberdade de imprensa e à segurança dos jornalistas. “A UNESCO está comprometida, de forma incansável, a remover os obstáculos ao bom funcionamento de uma imprensa pluralista e livre, para que todos os cidadãos possam se beneficiar de informações idôneas, confirmadas e de qualidade”, disse.  

Azoula também frisou que revolução tecnológica transforma profundamente a maneira pela qual as pessoas se informam. “Em uma sociedade global, que está tão intimamente interligada, não se ter acesso equitativo à informação significa que é muito provável que se será marginalizado e rapidamente excluído do resto do mundo”, alertou.

A dirigente enfatizou que os Estados devem desenvolver as leis adequadas e garantir o acesso universal à internet, encorajar o multilinguismo online e offline, de forma que todas as populações consigam obter os conhecimentos necessários em sua própria língua materna. “Além disso, os Estados devem agir para reduzir a exclusão digital, que tende a perpetuar as desigualdades sociais e as disparidades de gênero. Por meio de seus programas, a UNESCO trabalha em conjunto com as autoridades públicas, para ajudar a combater essas desigualdades”.

Leia abaixo na íntegra a mensagem Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, 28 de setembro de 2018

A revolução tecnológica transforma profundamente a maneira pela qual nós nos informamos. Em apenas alguns anos, as fontes de informação se multiplicaram, adotaram muitos formatos diferentes e se tornaram mundiais. A partir de agora, todos podem obter, de forma imediata, uma grande quantidade de informações sobre os mais variados assuntos.

Essas novas possibilidades são uma oportunidade formidável para o desenvolvimento dos indivíduos e das sociedades, mas desde que estejam disponíveis para todos. Em uma sociedade global, que está tão intimamente interligada, não se ter acesso equitativo à informação significa que é muito provável que se será marginalizado e rapidamente excluído do resto do mundo. O propósito deste Dia Internacional é lembrar às autoridades públicas e a todos os atores da sociedade civil sobre a necessidade de garantir o acesso verdadeiramente universal à informação.

Essa exigência está na Meta 16.10 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16 da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que incentiva as sociedades a “assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais”.

De fato, o acesso à informação está relacionado diretamente ao usufruto dos direitos e das liberdades fundamentais, e condiciona a realização de todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Estar bem informado significa ser um cidadão esclarecido, crítico, capaz de fazer parte de forma ativa na vida de sua comunidade e de seu país.
Estar bem informado significa poder acessar conhecimentos essenciais para garantir a saúde e o bem-estar.

Significa disponibilizar recursos educacionais que permitem a aprendizagem ao longo de toda a vida e a adaptação a um ambiente socioeconômico em constante mudança. Significa estimular o potencial de criatividade e inovação.

Significa também estar ciente das principais questões do nosso tempo, como a mudança climática, e saber as respostas sobre o que é preciso ser feito para tentar mitigar seus efeitos.

Para garantir o acesso universal à informação, é necessário agir em diversas frentes. Os Estados devem desenvolver as leis adequadas e garantir o acesso universal à internet. Devem encorajar o multilinguismo online e off-line, de forma que todas as populações consigam obter os conhecimentos necessários em sua própria língua materna. Além disso, os Estados devem agir para reduzir a exclusão digital, que tende a perpetuar as desigualdades sociais e as disparidades de gênero. Por meio de seus programas, a UNESCO trabalha em conjunto com as autoridades públicas, para ajudar a combater essas desigualdades.

Enfim, o acesso à informação é certamente uma questão relativa à liberdade de imprensa e à segurança dos jornalistas. A UNESCO está comprometida, de forma incansável, a remover os obstáculos ao bom funcionamento de uma imprensa pluralista e livre, para que todos os cidadãos possam se beneficiar de informações idôneas, confirmadas e de qualidade.

A sociedade do saber, do conhecimento e da informação que está se formando traz consigo belas promessas. Neste Dia Internacional, vamos nos mobilizar para nos certificar de que essas promessas sejam cumpridas e beneficiem a todas e a todos.

Fonte: Associação Nacional de Jornais

Sobre admin

Check Also

Livros além das grades: por que focar nas Bibliotecas Prisionais?

Entrevista com Lisa Krolak, do “Instituto para a Aprendizagem ao Longo da Vida” da UNESCO …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *